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Efésios 5.12, um texto esquecido? Eu me pergunto o porque disso

EFÉSIOS 5.12, UM TEXTO ESQUECIDO? E EU ME PERGUNTO O PORQUE DISSO




Pergunto-me se existe um texto mais negligenciado no Novo Testamento, no atual reavivamento de interesse pela teologia reformada, do que Efésios 5.12. Nas reações aos tabus do antigo fundamentalismo, há certamente um perigo de termos perdido todo senso do que é biblicamente apropriado quando diz respeito a nos envolvermos com o resto do mundo. Eu tive minha própria experiência disso há uns poucos anos, quando sugeri neste blog que talvez não fosse apropriado que cristãos vissem o filme Milk, que era não apenas um relato altamente fictício da vida de Harvey Milk, mas também incluía, de acordo com os resenhistas, cenas sexuais de natureza explícita e inapropriada. Ainda me lembro da tempestade em copo d’água de protestos à medida que vários amantes da cultura cristã deram-me sermões sobre como minha mente fechada não iria impedi-los de usar Milk como um meio de testemunhar aos amigos. Mas nenhum desses evangelistas indignados lidou com Efésios 5.12.



“Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe.”

Mais recentemente, a mesma preocupação pública no mundo evangélico com os tratamentos excessivamente explícitos sobre a questão sexo trouxe uma vez mais à minha mente Efésios 5.12. Paulo, sem dúvida, não era legalista. Ele afirmava a livre graça e a liberdade cristã. Todavia, ele escreveu Efésios 5.12. Assim, o que a passagem quer dizer? Bem, quer dizer exatamente o que parece dizer. Você não precisa de uma qualificação de pós-doutorado em Judaísmo do Segundo Templo para entender isso.

O Escândalo do Pecado**




O pecado domina o coração humano, e se fosse pela sua vontade, condenaria cada alma. Se não compreendermos nossa própria perversidade ou não enxergarmos nosso pecado como Deus o vê, não poderemos entendê-lo ou fazer uso do remédio contra ele. Aqueles que tentam justificá-lo, negligenciam a justifica-ção de Deus. Até compreendermos quão totalmente repugnante nosso pecado é, nunca poderemos conhecer a Deus.

O pecado é abominável a Deus. Ele o odeia (cf. Dt 12.31). “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar…” (Hc 1.13). O pecado é contrário à sua própria natureza (Is 6.3; 1 Jo 1.5). A pena máxima – a morte – é exigida para cada infração contra a lei de Deus (Ez 18.4,20; Rm 6.23). Até a menor transgressão é digna da mesma pena severa: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10).

O pecado suja a alma. Ele rebaixa a dignidade da pessoa. Obscurece o entendimento. Torna-nos piores que animais, pois os animais não podem pecar. Polui, corrompe, suja. Todo pecado é vulgar, repulsivo e revoltante aos olhos de Deus. A Bíblia o chama de imundícia (Pv 30.12; Ez 24.13; Tg 1.21). O pecado é comparado ao vômito, e os pecadores são os cães que voltam ao seu próprio vômito (Pv 26.11; 2 Pe 2.22). O pecado é chamado de lamaçal, e os pecadores são os porcos que rolam nele (Sl 69.2; 2 Pe 2.22). O pecado é semelhante ao cadáver em putrefação, e os pecadores são os túmulos que contêm o malcheiro e a sujeira (Mt 23.27). O pecado transformou a humanidade em uma raça poluída e imunda.

As terríveis conseqüências do pecado incluem o inferno, sobre o qual Jesus disse: “E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo no inferno” (Mt 5.30). As Escrituras descrevem o inferno como um lugar terrível e medonho onde pecadores são “ atormentados com fogo e enxofre… ” e “A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome” (Ap 14.10,11). Essas verdades se tornam mais alarmantes ainda quando percebemos que são parte da Palavra inspirada de um Deus de infinita misericórdia e graça.

Deus quer que entendamos a excessiva pecaminosidade do pecado (Rm 7.13). Não ousemos encará-lo com leviandade ou rejeitar nossa própria culpa frivolamente. Quando encaramos o pecado como ele é, é nosso dever odiá-lo. As Escrituras vão até mais fundo que isso: “Ali, vos lembrareis dos vossos caminhos e de todos os vossos feitos com que vos contaminastes e tereis nojo de vós mesmos , por todas as vossas iniqüidades que tendes cometido” (Ez 20.43, ênfase acrescentada). Em outras palavras, quando verdadeiramente vemos o que o pecado é, longe de obter auto-estima, nós nos desprezaremos.

A natureza da depravação humana

O pecado penetra no mais íntimo do nosso ser. Como vimos no capítulo anterior; o pecado está no âmago da alma humana. “Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem” (Mt 15.19,20). “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6.45).

Deus está no Controle de tudo*





Quem está no controle deste mundo, Deus ou o diabo? Há uma porção de cristãos que, olhando a situação caótica em que se encontram muitas coisas, pensam que Satanás é o rei deste mundo. Mas o que a Escritura diz é exatamente o contrário. Deus está no absoluto controle do universo que ele criou. Todas as coisas que acontecem em nossa história são o produto de um plano previamente elaborado por Deus. Deus não somente tem um plano, mas ele executa esse plano. Satanás é apenas uma das peças que fazem parte dos propósitos eternos de Deus na vida de sua criação. Satanás não é o rei deste mundo (embora seja esse o seu desejo!), mas Deus. Tudo o que acontece mostra que Deus está no trono, porque “dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Rm 11.36).

Deus é absolutamente soberano para controlar cada coisa ou evento que acontece, seja ele bom ou mau. De um modo ou de outro, como veremos adiante, Deus está envolvido em cada evento e em todos os detalhes do desenvolvimento da história do mundo e das pessoas. Se isto não é assim, Deus perde o controle do universo e nenhum de nós pode ter a certeza de que o que Deus diz em sua palavra vai se cumprir. O cumprimento de todos os vaticínios está vinculado ao poder soberano com o qual Deus controla todas as coisas. Se Deus não está no controle de todas as coisas, eu não posso ter esperança de que Deus será triunfante no final da história. Não há esperança para os cristãos se Deus não está no trono, governando o universo com sua onipotência. Por causa da cosmovisão errônea, isto é, por causa das lentes indevidas que as pessoas usam para enxergar o mundo, é que elas pensam que Satanás está no controle.

Pode o crente perder sua salvação?


   
Toda vez que é proferida a expressão “uma vez salvos, salvos para sempre” muitos torcem o nariz, olham feio, e até mesmo dizem que isso é uma heresia. Isso talvez seja fruto do “espantalho” criado ao redor dessa expressão, e a falta de entendimento a respeito da doutrina da salvação. Na atualidade muitos pensam que ter certeza da salvação pode levar a atos libertinos, ledo engano.


Vejamos o que a Bíblia diz a respeito:

“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele”. [Eclesiastes 3:14]

A salvação, enquanto ato exclusivo de Deus na vida do homem, não pode ser perdida, pois como a palavra de Deus trata acertadamente nessa passagem, “TUDO QUANTO DEUS FAZ DURARÁ ETERNAMENTE”. Aquilo que é eterno, não tem fim. Logo, a obra da salvação que Deus opera na vida de seus servos nunca terá fim, nunca acabará. Pois não. A nossa salvação não depende de nós, mas sim daquele que nos deu a salvação.

“E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar, de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim”. [Jeremias 32:40] 


A Perseguição do Ponto de Vista Bíblico



Para grande parte dos cidadãos do mundo ocidental, cristãos ou não, o tema "perseguição religiosa" pode soar estranho. Um dos motivos talvez seja o fato de que a maioria dos países do ocidente vive em plena liberdade e por isso, em geral, as pessoas estão acostumadas a ter seus direitos garantidos por lei. No entanto, a ideia de que a liberdade e o acesso a direitos fundamentais estão consolidados para a maior parte da população mundial neste século 21 tem se mostrado uma ilusão.

Tomar consciência da realidade de milhares de cristãos ao redor do mundo, perseguidos por causa da fé em Jesus Cristo, em um primeiro momento, pode ser desanimador. Porém, é fundamental lembrar que o próprio Cristo foi perseguido e sofreu a ponto de morrer na cruz. Ele nos diz que, se o seguirmos, seremos perseguidos também (João 15.18-21). Portanto, é nosso dever como Igreja, membros do mesmo Corpo, estarmos prontos e dispostos a ajudar os cristãos perseguidos.

Em 1Coríntios 12.26a, o apóstolo Paulo fala sobre os cristãos que enfrentam perseguição: "Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele".

Embora no Brasil a Igreja não seja perseguida, somos chamados a nos unir à parte do Corpo de Cristo que sofre diariamente, e apoiá-los por meio de nossas orações e contribuições, aprendendo também com sua perseverança.

Romanos 15.30 diz: "Recomendo-lhes, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que se unam a mim em minha luta, orando a Deus em meu favor". Uma viúva nigeriana disse: "Eu não sabia que alguém de fora da Nigéria tinha conhecimento do que acontece com os cristãos nigerianos. Agora que sei que há outros orando por nós, me sinto muito encorajada a prosseguir". 

O mais interessante é que essa alegria também nos encoraja a servir! A liberdade do cristão brasileiro lhe permite abraçar a Igreja Perseguida onde ela estiver. Portanto, nossa liberdade deve ser usada para fazer mais do que apenas realizar reuniões e projetos aqui no Brasil. Já temos em Cristo a liberdade de que necessitamos para servi-lo. Vamos aproveitar a liberdade que encontramos em nosso país para servir ao outro, a Igreja Perseguida. Envolva-se!


Disponível em: PORTAS ABERTAS





As profecias e a particular interpretação



Já vimos o texto de  2 Pedro 1.20 sendo usado para "combater" aqueles que discordam da igreja, principalmente os reformadores em relação à Igreja Católica. Ainda é possível encontrar, mesmo no meio protestante, clérigos que usam este trecho da Escritura para desestimular qualquer oposição. Mas afinal, o que Pedro realmente queria dizer?


"Assim, temos ainda mais firme a palavra dos profetas, e vocês farão bem se a ela prestarem atenção, como a uma candeia que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em seus corações. Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo." 2 Pedro 1.19-20

Ele se refere à "palavra dos profetas" e a "Escritura". Naquela época se costumava apelidar o Antigo Testamento, a Bíblia daqueles tempos, de a "Lei e os Profetas". Lei era a referência à Torah, os cinco primeiros livros da Bíblia cristã, e Profetas seriam os livros escritos por profetas ou que continham a mensagem destes. Portanto, parece claro que o autor se refere aos escritos proféticos do Antigo Testamento. Essa característica é especialmente relevante levando-se em consideração que o tema principal da carta é o retorno de Jesus e as profecias a respeito deste evento.

No verso 21 ele pontua que a profecia (atenção para o uso do artigo definido: não é qualquer profecia, é "a" profecia) nunca foi produzida por vontade de homens. O autor então coloca o Espírito Santo como o agente inspirador daqueles que falaram e escreveram da parte de Deus. A evidência aponta, portanto, para o Espírito do Senhor como Aquele por trás das profecias que se encontram no AT e, consequentemente, como o agente que ajuda o homem a interpretá-las.

E a "interpretação pessoal"?

As traduções mais comuns trazem "de particular interpretação". O fato é que o verso 20 ganha ares de advertência para aqueles que pretendem chegar a "novas verdades" ou a "novas revelações" sozinhos. Ainda que a palavra de Deus nos inste a ser um pouco céticos e buscar sempre uma posição mais esclarecida em relação àquilo que nos é ensinado (veja o exemplo Bereano em
 Atos 17.11)
, também nos pede atenção para que o nosso filtro não seja meramente o julgamento individual, a "particular interpretação".

Assim sendo, pedindo sempre a orientação do Espírito de Deus, devemos usar como filtros tanto a
 Bíblia (João 17.17
quanto os irmãos da igreja (1 Pedro 2.9). A Palavra de Deus por meio de uma rotina sistemática de estudo e leitura, e os irmãos na fé através da interação, do diálogo e de livros que possam esclarecer eventuais pontos nebulosos.

A ressalva de Pedro torna-se bastante relevante para nós hoje que, muitas vezes arrogantemente, achamos que nosso julgamento individual é critério suficiente para interpretar a Bíblia, e sobretudo as profecias.



Texto publicado originalmente em: Questão de Perspectiva







Entre o Crescimento e o Distanciamento

O Brasil vive um momento de expansão evangélica, e isto é fato. A que se deve isso, uma vez que até meados dos anos 70[1] as igrejas ditas evangélicas amargavam uma dura realidade de templos “vazios”, e hoje essa mesma igreja experimenta a bolha do crescimento que ao que parece veio para consolidar a religião evangélica no estrato social?

O questionamento não é tão simples e não me aventuro a responder de imediato, mesmo porque o panorama não se mostra saudável, e muito menos fácil de ser explicado. Mas, me proponho a indagar que tipo de evangelicalismo é esse propagado que incita o crescimento, ao passo que esse crescimento não produz nenhuma mudança significativa em nossa sociedade e nação que agoniza em meio à sua falência moral, corrupções e mazelas que expõe uma sociedade em declínio.

Breves Reflexões: Falando de Louvor


Volta e meia posto comentários sobre algumas músicas que são produzidas para os consumidores vorazes do mercado gospel. Desta feita eu citei a canção Restitui[1] como segue:

“Pense bem... Restituição é um substantivo derivado do verbo restituir, que por sua vez denota direito a: indenização, pagamento de dívida; reaver o que era seu por direito. Que dívida o Senhor tinha para conosco?

Obtive a seguinte resposta:

“não cobramos de Deus. Mas acho que é no sentido do que o 'inimigo' tenha tirado”.

Quando penso na teologia imediatista do toma lá da cá, que é ministrado e espalhado pelo país principalmente por estas músicas de qualidade duvidosa, me volto para as escrituras inerrante, infalível e imutável, onde está disposto que o inimigo não nos tira nada se Deus assim não o permitir. Veja o exemplo de Jó, e até mesmo o Apóstolo Pedro que teve sua vida inquirida por Satanás, mas o SENHOR SOBERANO não permitiu, pois somente n’Ele habita a onipotência!

E se Ele permitir por sua vontade soberana, Ele não tem obrigação nenhuma de nos restituir, porque ao contrário de Deus e de Seu Filho Unigênito, todos nós fomos concebidos em pecados, a única coisa que merecíamos era a destituição total da glória de Deus, porque todos nós pecamos e como conseqüência não há nenhum justo sequer. Estávamos destinados ao inferno e à ira eterna de Deus, mas aprouve a Ele reconciliar o mundo por meio do sacrifício da cruz. Desta forma, todo o nosso louvor não deve apelar para o “emocionalismo”, temos que entoar um novo cântico que bendiga ao Nome Santo do Senhor, e não canções que enfatiza a nossa vaidade trivial.

O que dizer do hino entoado pelo Apóstolo Paulo e seu companheiro Silas quando estavam encarcerados? Louvavam o Nome do Senhor pelo que Ele É, porque ele é o Grande EU SOU, e as cadeias foram quebradas, mas em momento algum vemos narrados nas escrituras pedidos eloquente de liberdade, ou decreto que soam como ordens dadas a um ser soberano em sua essência. Eles cantavam enquanto sofriam por amor ao evangelho, não pediam restituição e muito menos vociferavam que sua vitória teria sabor de mel. O Apóstolo Paulo nos dá um caminho do que seria um louvor perfeitamente agradável ao Senhor, como descrito em Efésios 1.3-14, conhecido como o hino da trindade ou hino trinitariano, sendo a maior evocação da cristologia, "este brilhante escrito começa com um hino. Não um hino comum, mas um brilhante hino cristológico, repleto de afirmações teológicas de profundidade ímpar" [2] que segue nestes termos:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado. Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo as riquezas da graça de Deus, a qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos. Nele fomos também escolhidos , tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória. Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória”.

O fato é: o que concebemos como louvor em sua maioria não tem a centralidade em Cristo. São músicas feitas para o bem-estar emocional do homem e suas necessidades supérfluas, visando uma fatia considerável do mercado. Não glorificam a Deus, pois não estão em um plano de verticalidade com as escrituras. O louvor que é produzido pelo mercado gospel é sempre introspectivo, ou seja, volta-se para a interioridade humana onde as emoções são como areia movediça sem base e sem fundamento.

Soli Deo Glória!



[1] Curiosamente a música Restitui, também foi alvo de crítica (não no sentido pejorativo) precisa do Pr. Renato Vargens, quando visitava as famílias haitianas vítimas do terremoto que deixou milhares de desabrigados. Na ministração “Os Problemas do Movimento Gospel”, onde ele avistava uma irmã residindo em tendas cantando “Porque Ele Vive, posso crer no amanhã”.
[2] Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/cristologia/grande-hino-cristologico_isaltino.pdf



A Verdade da Cruz: Perguntas e Respostas





Qual é o significado do derramamento de sangue na expiação?

A idéia de que há um poder intrínseco ou inerente no sangue de Jesus é um conceito popular no mundo cristão. Ela aparece até em hinos e cânticos de louvor. Essa idéia reflete um mal-entendido fundamental sobre o conceito do sangue em relação à expiação do ponto de vista bíblico. Certa vez ouvi meu amigo John Guest, um evangelista anglicano, pregar sobre a cruz e o sangue de Cristo. Ele fez esta pergunta: “Se Jesus tivesse vindo a este mundo e arranhado seu dedo em um espinho, de modo que derramasse uma ou duas gotas de sangue, isso teria sido suficiente para nos redimir? Isso teria constituído um derramamento de sangue. Se somos salvos pelo sangue de Cristo, isso teria sido suficiente?” É óbvio que o argumento que John estava formulando não era que o sangue de Cristo derramado assim nos salva. A importância do sangue no sistema sacrificial era que ele representava a vida. O Antigo Testamento enfatiza repetidas vezes que “a vida da carne está no sangue” (Lv 17.11). Portanto, quando o sangue é derramado, a vida se acaba. Isso é significativo porque, na aliança de obras, no Jardim do Éden, a morte foi a penalidade estabelecida para a desobediência. Essa foi a razão por que Jesus teve de morrer para realizar a expiação. Quando o sangue é derramado e a vida, exaurida, a penalidade é paga. Nada menos do que essa penalidade será suficiente.

Jesus foi abandonado por seu Pai na cruz. Com essa mesma conotação, ouvimos às vezes que aqueles que estão no inferno são abandonados por Deus no sentido de que o inferno é a ausência de Deus. As Escrituras ensinam claramente que Deus é onipresente. Davi disse: “Se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também” (Sl 139.8).


Então, como devemos entender o inferno em relação à presença de Deus?

É comum dizermos que o inferno é a ausência de Deus. Afirmações como essa são motivadas, em grande parte, até pelo pavor de considerarmos como é o inferno. Tentamos abrandar isso e achar um eufemismo para desviar-nos do assunto. Quando usamos a linguagem figurada do Antigo Testamento em uma tentativa de entender o abandono dos perdidos, não estamos falando da idéia de afastamento ou ausência de Deus no sentido de que Ele deixa de ser onipresente. Pelo contrário, tal linguagem é uma maneira de descrever o afastamento de Deus em termos de sua bênção redentora. O inferno é a ausência da luz de seu rosto. É a presença da carranca da face de Deus. É a ausência da bênção de sua glória manifestada, que é um deleite para a alma daqueles que o amam; por outro lado, é a presença das trevas de juízo. O inferno reflete a presença de Deus em sua forma de julgamento, em seu exercício de ira. E todos gostariam de escapar disso. Acho que essa é a razão por que ficamos confusos. Há um afastamento em termos da bênção da intimidade de Deus. Seus benefícios podem ser removidos para bem longe de nós, e a linguagem bíblica nos chama atenção para isso.

O famoso hino da igreja “Como pode ser?” contém um verso que faz esta pergunta profunda: “Como pode ser que meu Deus morreu por mim?” É correto afirmar que Deus morreu na cruz?

Esse tipo de expressão é popular na hinódia e nas conversas de pessoas comuns. Mas, embora eu tenha esse escrúpulo a respeito do hino e me inquiete com o fato de que a expressão está ali, acho que a entendo, e há uma maneira de tolerá-la. Cremos que Jesus Cristo era Deus encarnado. Também cremos que ele morreu na cruz. Se afirmamos que Deus morreu na cruz e, com isso, pretendemos afirmar que a natureza divina pereceu ali, nos envolvemos em heresia séria. De fato, duas heresias relacionadas a esse assunto surgiram nos primeiros séculos da igreja: teopassianismo e o patripassianismo. A primeira delas, o teopassianismo, ensina que Deus mesmo sofreu a morte na cruz. O patripassianismo indica que o Pai sofreu vicariamente por intermédio do sofrimento de seu filho. Ambas as heresias foram severamente rejeitadas pela igreja por negarem, de modo categórico, o próprio caráter e natureza de Deus, incluindo a sua imutabilidade. Nunca houve qualquer mudança na natureza e caráter dele. Deus não somente criou o universo, mas também o sustenta pela palavra do próprio poder de seu ser. Como Paulo disse: “Nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17.28). Se o ser de Deus cessasse por um segundo, o universo desaparecia. Perderia a existência, porque nada pode existir à parte do poder sustentador de Deus. Se Deus morre, tudo morre com ele. Então, é óbvio que Deus não pode ter morrido na cruz. Alguns dizem: “Foi a segunda pessoa da Trindade que morreu”. Isso seria uma mutação no próprio ser de Deus, porque, ao considerarmos a Trindade, dizemos que os três são um em essência e que, embora haja distinções entre as pessoas da Divindade, essas distinções não são essenciais no sentido de que são diferenças no ser. A morte é algo que envolve uma mudança no ser de uma pessoa. Devemos esquivar-nos, com horror, da idéia de que Deus morreu na cruz. A expiação foi realizada pela natureza humana de Cristo. De algum modo, as pessoas tendem a pensar que isso diminui a dignidade ou o valor do ato vicário, como se isso negasse implicitamente, em algum nível, a deidade de Cristo. Jamais. Foi o Deus-Homem que morreu, mas a morte é algo experimentado somente pela natureza humana, porque a natureza divina é incapaz de experimentá-la.

Há uma conexão entre um entendimento incorreto quanto à depravação humana e a rejeição da doutrina da expiação limitada?

Sob o risco de parecer estar sendo incoerente com o que tenho dito tantas vezes, eu acho realmente que o maior problema que temos na teologia é chegarmos a um entendimento correto de duas doutrinas: a doutrina de Deus e a do homem. No capítulo inicial das Institutas da Religião Cristã, João Calvino escreveu sobre a importância de possuirmos um entendimento correto a respeito de quem o homem é, para obtermos um entendimento exato sobre quem Deus é. Em seguida, Calvino faz uma afirmação meio paradoxal e diz que, para entendermos o homem, precisamos também entender a Deus. Infelizmente, não sabemos quem Deus é, por isso não sabemos o que nós mesmos somos. Todavia, quanto mais entendemos a santidade e a justiça de Deus, tanto mais começamos a perceber, por contraste, quão desesperadamente caídos e dependentes somos da misericórdia e graça de Deus. O conflito básico da teologia diz respeito a uma teologia teocêntrica e uma teologia antropocêntrica — uma teologia centrada em Deus e uma teologia centrada no homem. Receio que muitos cristãos professos estão mais interessados na exaltação do ser humano do que na dignidade de Deus mesmo.

Você percebe algum conflito entre a “salvação por decisão” e a eleição?

Acho que o maior perigo é que as igrejas estejam cheias de pessoas que fizeram uma profissão de fé, mas não estão na graça. A justificação ocorre por meio de possuirmos a fé, e todo aquele que tem a fé verdadeira é chamado a professá-la. Mas você não entra no reino de Deus por levantar a mão, vir à frente do templo, fazer a oração de salvação ou assinar um cartão de decisão. Todas essas coisas são boas, mas são exterioridades. Infelizmente, tendemos a focalizar essas coisas. Quando alguém faz uma profissão de fé, dizemos: “Você
entrou no reino”. Não pedimos à pessoa que se examine para saber se a fé que ele ou ela confessa é, de fato, autêntica. Contudo, é vital que façamos isso, porque somente a fé autêntica trará justificação. Essa fé é dom de Deus. Eu não posso produzir a fé em outra pessoa. Posso plantar a semente e regá-la, mas somente Deus, o Espírito Santo, pode produzir o crescimento.

Como o pós-modernismo afeta o entendimento popular quanto à expiação?

Minha maior preocupação é com a maneira pela qual a mentalidade pós-moderna está seduzindo a igreja, inclusive a igreja reformada. Parece haver uma aceitação tácita de que em algum tempo por volta de 1970, no final da revolução cultural dos anos 1960, algo admirável aconteceu — uma mudança referente à nossa constituição ocorreu na natureza dos seres humanos, a partir da maneira como fomos criados. Agora a vida não é mais construída sobre a base da verdade penetrando a alma por meio da mente. Desde 1970, adotamos a “cultura dos sensos” que se focaliza em nossos sentimentos, relacionamentos e tudo que é subjetivo. Até a verdade é considerada subjetiva e não objetiva. Por conseguinte, a verdade é o que você quer que seja verdade. Esta é geração mais narcisista na história da raça humana. Norteadas por essas mudanças, igrejas estão se apressando a mudar sua maneira de lidar com a cultura, adotando o uso de temas políticos, entretenimento e esse tipo de coisas. Esquecem que o poder está na Palavra de Deus, não em métodos, e que a Palavra de Deus é dirigida, em primeiro lugar, à mente. Deus tencionou que sua Palavra fosse inteligível; e, somente quando a entendemos, ela penetra em nossa mente e coração, revelando-se em vidas mudadas.

Falamos sobre a expiação realizada por  Cristo, mas foi Deus, o Pai, quem enviou Jesus ao mundo. O que podemos fazer para manter nosso entendimento da centralidade do Pai na história da redenção?

Em termos práticos, acho que uma das melhores e mais importantes coisas que podemos fazer é meditarmos de novo no Antigo Testamento. Um de meus motivos freqüentes de reclamação é a maneira como achamos que, pelo fato de que o evangelho surgiu na história e de que o Novo Testamento nos proporciona uma revelação de Jesus, podemos agora dispensar ou menosprezar o Antigo Testamento. Esquecemos que esse enorme compêndio de informações é revelação divina; e grande parte do seu conteúdo é um desvendamento do caráter de Deus visando ao nosso benefício. Precisamos conhecer o Deus do Antigo Testamento, porque foi Ele a quem Jesus chamou de Pai. Foi o Deus do Antigo Testamento que enviou Jesus e foi satisfeito mediante a obra realizada por Cristo. Chamamos a nós mesmos de cristãos, mas precisamos lembrar que a razão por que amamos a Jesus e o seguimos é que ele nos reconciliou com o Pai. Na administração da redenção, o próprio Jesus é subordinado ao Pai e nos chama a soli Deo gloria,dar glória somente a quem ela pertence, a Deus.

Em que ponto da história uma pessoa é redimida — quando Cristo morreu na cruz, em favor de seu povo, ou quando a pessoa responde ao evangelho, com fé?

Na versão grega da Bíblia, o verbo salvar aparece em todos os tempos possíveis. A Bíblia diz que fomos salvos desde a fundação do mundo ou que estávamos sendo salvos desde a fundação do mundo; que somos salvos ou que estamos sendo salvos; e que seremos salvos. A verdade é que desde a fundação do mundo somos justificados, nos decretos de Deus. Mas isso não se consumou até o tempo e a ocasião da obra de Cristo; e não se realiza enquanto não somos vivificados pelo Espírito Santo, para que venhamos à fé e nos apropriemos dos benefícios que foram determinados e garantidos para nós em eras passadas.

A expiação se aplicou àqueles que viveram antes da crucificação de Cristo?


A resposta para essa pergunta é clara nas Escrituras. As pessoas que viveram na época do Antigo Testamento tinham o sistema de sacrifícios, mas o sangue de touros e bodes não podia expiar o pecado de ninguém. Essas coisas faziam o povo de Israel olhar para longe de si mesmo, para uma expiação que satisfaria a justiça de Deus. Uma pessoa do Antigo Testamento que confiasse na promessa da obra do Messias era salva, embora essa obra ainda não tivesse sido realizada no tempo e no espaço. O fundamento dessa salvação era a obra de Cristo, que viria. Os crentes do Antigo Testamento eram salvos pela fé que olhava para frente, enquanto nós somos salvos pela fé que olha para trás. O fundamento objetivo da salvação de ambos os grupos é o mesmo — a expiação de Cristo.

Essa seção de perguntas e respostas foram extraídas do livro "A Verdade da Cruz" - R. C. Sproul, que está disponibilizado o ebook para download no site da Editora Fiel seguindo o link Ministério Fiel Aqui.

Breves Reflexões: Um Olhar Sobre a Cruz





Eu olho para a cruz, e para a cruz eu vou do seu sofrer participar. Assim começa uma canção gravada originalmente por Jeremy Riddle, e aqui a conhecemos devido à interpretação do Ministério Vineyard. Pois bem, em tempos onde o que mais se canta e o que mais se prega é a teologia do toma lá da cá ancorada pela confissão positiva, confesso que quanto mais eu ouço e essa canção mais eu percebo que algo não se encaixa, o que enxergo é uma miscelânea ou sincretismo para ser mais exato.
*
O evangelho da cruz se tornou obsoleto em grande parte das igrejas e comunidades enquanto instituições, digo isso, porque mesmo dentro desse nevoeiro indecifrável existem pessoas que servem a Deus de forma sincera, aqui abro um parêntese para não generalizar com a individualidade daqueles sinceros irmãos.
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Muitas pessoas nas igrejas cantam e lêem sobre a cruz sem ao menos imaginar o valor agregado ao sacrifício vicário. Na cruz somos crucificados, e uma vez crucificados morremos para o mundo, e isto é fato! Se a cruz não produzir morte ela não será eficaz, visto que o sacrifício da cruz consiste na morte, e ao morrermos na cruz ressurgimos com Cristo vivendo em nós, como dito pelo Apóstolo Paulo “assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” – Gl. 2.20. Uma vida de cruz significa uma vida voltada para Deus, isso quando olhamos do ponto de vista de quem foi beneficiado com o sacrifício de Jesus, ou seja, os eleitos desde a fundação do mundo, aqueles a quem o Pai desde o início das eras confiou ao Filho. Mas do ponto de vista de Cristo que viveu uma vida sem mácula, sem pecado e que veio para os que eram seus, e mesmo assim os que eram seus não o recebeu; a vida em direção à cruz, além de morte em conformidade com a lei, teve um significado extremamente doloroso: o de um pai que abandona o seu filho, se assim não fosse ele não teria dito “Deus meu, Deus meu porque me abandonaste?” Mt. 27.46 NVI.
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A cruz dos evangelhos não é a mesma cruz apregoada por este evangelho sincrético. A cruz antes de ser um lugar de lindas composições, ela é um lugar de morte, de abandono. A cruz é um lugar onde devemos olhar e entender que nós éramos os seus destinatários, porque nós é que somos os pecadores e que em pecados fomos concebidos. Deus ao olhar para nós não viu nada de bom, nenhuma mínima justiça visto estarmos em um estado de total depravação. Mas, Deus em sua infinita misericórdia e acima de tudo em sua soberania, aprouve moer o Seu Filho fazendo d’Ele homem de dores, o nosso substituto ideal. E por meio do sacrifício ele nos reconciliou com Deus – nossos pecados foram expiados e em propiciação Ele apazigou a ira de Deus sobre àqueles que viriam a crer no seu sacrifício, àqueles a quem o próprio Deus confiou quando não havia sol, nem estrelas, desde os tempos quando o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas, desde a fundação do mundo.

Somente a Deus seja dada a Glória. Amém!



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Respondendo aos Apelos





Popularizado por Charles Finney, o sistema de apelo se tornou um gancho evangelístico das igrejas. O pastor encerra seu sermão: “O Espírito Santo convida você a vir. A congregação orando, esperando ansiosa, convida você a vir. Na primeira nota da primeira estrofe, desça as escadas, desça por estes corredores. Queos anjos possam acompanhá-lo. Que o Espírito Santo de Deus o encoraje. Que a presença de Jesus caminheao seu lado enquanto você vem, enquanto nós permanecemos em pé e cantamos ao Senhor”.

E as pessoas realmente vêm. Semana após semana, em igrejas por todo o mundo, cenas como essa acontecem ao fim demilhares de sermões. A congregação fica em pé e canta; os pecadores caminham pelos corredores e oram por salvação.

Este método evangelístico bem comum, conhecido como sistema de apelo, não foi sempre assim.Evangelistas bem-sucedidos como George Whitefield, Jonathan Edwards e John Wesley nunca fizeram um chamado ao altar. De fato, eles nem sequer sabiam o que era isso. Eles convidavam seus ouvintes apaixonadamente para vir a Cristo pela fé e aconselhavam regularmente os pecadores ansiosos depois dos cultos. Mas não lhes pediam para dar uma resposta pública ou física após os sermões evangelísticos. Então, de onde vem esta prática?

Inicialmente, o apelo era usado como um meio eficiente de reunir pessoas espiritualmente interessadas em se juntarem para aconselhamento após um sermão. Em vez de procurar os penitentes um a um, o pregador os chama à frente, ou a outra sala, para conversar e orar. Alguns pastores usaram este recurso no fim da primeira década do século 18, mas apenas durante os encontros campais do segundo grande despertamento da América foi que eles realmente ganharam espaço.

Os encontros campais eram comuns em Estados de fronteiras, como Kentucky e Tennessee, por volta do começo do século 19. Estas reuniões que duravam alguns dias eram um meio de os ministros (a maioria metodista, batista, presbiteriana e discípulos) introduzirem o evangelho aos colonos rurais. As primeiras reuniões campais foram feitas com pregações apaixonadas e respostas extremas. Centenas de ouvintes gritavam, gemiam, desmaiavam, contorciam-se e choravam desesperadamente. Os pregadores geralmente viam estas respostas como evidência da obra do Espírito Santo.

Por volta de 1805, estes movimentos corporais espontâneos eram menos comuns. Os ministros faziam um“apelo” como um meio visível de medir a resposta das pessoas às suas mensagens. Os “altares” eram áreas cercadas perto do lugar principal de pregação no campo onde os pregadores desafiavam os pecadores abuscar a salvação. O pregador metodista Peter Cartwright descreveu um encontro campal em 1806: “O altar estava cheio de gente transbordando em lamentos”. Outro pregador metodista contou detalhadamente o momento em que “o cercado estava tão cheio de gente que as pessoas não tinham a possibilidade de fazer qualquer movimento lateral, mas estavam literalmente cambaleando em massa”. Os metodistas experimentaram um crescimento exponencial durante os primeiros do século 19, em parte por causa de seus métodos evangelísticos, incluindo os encontros campais e os apelos públicos.

Muitas pessoas consideram Charles Grandison Finney (1792-1875) o “pai do apelo”. Ordenado ministro presbiteriano em 1823, Finney começou a fazer os convites públicos muito tempo depois de os metodistas já terem feito desse método parte regular de seus encontros campais. Finney, entretanto, fez mais que qualquer outro para estabelecer os apelos como uma prática aceitável e popular no evangelismo americano.Ele normalmente chamava os pecadores ansiosos até a frente da congregação para se sentarem no “banco dos ansiosos”. Ali, eles recebiam oração e geralmente ouviam um sermão individual. O apelo também foi uma das famosas “novas medidas” de Finney. Ele estava convencido de que os pastores poderiam produzir avivamento usando os métodos corretos e que, chamar pecadores arrependidos à frente “era necessário paratirar [os pecadores] do meio da massa de ímpios para levá-los a uma renúncia pública de seus caminhos pecaminosos”.

Enquanto muitos abraçaram as “novas medidas” de Finney, outros estavam desconfiados da teologia que sustentava a prática. Finney acreditava que a morte de Cristo tinha tornado a salvação possível para todos. A depravação humana era “uma atitude voluntária da mente”, e não algo que tinha nascido conosco. A conversão, portanto, dependia da vontade humana ser convencida a se arrepender e confiar em Cristo. De acordo com Finney, o apelo era uma ferramenta muito persuasiva para mudar a vontade humana. Ministros calvinistas, como Asahel Nettleton, rejeitaram a confiança que Finney tinha na capacidade humana e sua dependência no sistema de apelo. Eles acreditavam que o ser humano nasceu com uma natureza pecaminosa. Os pecadores eram incapazes de confiar em Cristo até que Deus mudasse seus corações. O historiador Iain Murray aponta que muitos oponentes ao apelo “alegavam que o chamado para uma ‘resposta’pública confundia um ato externo com uma mudança espiritual interna”. Além disso, diz Murray, o apelo efetivamente “instituiu uma condição de salvação que nunca apontava para Cristo”. Os críticos argumentam que o evangelismo dessa forma resultou em uma falsa segurança, já que uma grande parcela daqueles que iam à frente para “receber a Cristo” logo apostatavam.

A despeito das críticas, o sistema de apelo continua com força. Tornou-se um artefato permanente no evangelismo americano. Só é preciso assistir a alguns poucos minutos de uma cruzada de Billy Graham na televisão para reconhecer que aquilo que um dia foi uma “nova medida” se tornou uma tendência dominante. A voz distinta de Graham chama em alto som: “Suba ali, desça aqui, eu quero que você venha. Se você estiver com parentes e amigos, eles vão esperar por você. Os ônibus vão esperar por você. Cristo percorreu todo o caminho da cruz porque Ele o amava. Certamente você pode dar alguns passos e dar sua vida a Ele”.Enquanto o local deixou de ser a remota Kentucky e se transferiu para os modernos estádios de futebol, e o meio de transporte evoluiu de carroças cobertas para ônibus fretados, o sistema de apelo resistiu. É caracterizado até hoje nas histórias de incontáveis cristãos que contam ter encontrado Cristo quando ficaram em pé, ergueram suas mãos, deram passos até a frente e chegaram ao altar, respondendo ao apelo.

Artigo publicado originalmente na Seção História da Igreja na página Cristianismo Hoje.

Quem quer Ser Pastor?




Rev. Arrival Dias Casimiro

Todo cristão pode aspirar ser um pastor. Qualquer crente pode evangelizar pessoas, plantar uma igreja e tentar pastorear o rebanho de Deus. Se existe uma área de trabalho que sempre existirá carência de trabalhadores é a “seara do Senhor”. Mas, três informações bíblicas precisam ser passadas para aqueles que desejam ser pastores.

Primeiro, o pré-requisito básico para o pastorado é a vocação divina. 

Ninguém pode ingressar de forma legítima na carreira pastoral sem que Deus o chame. Todo ministro do evangelho é alguém que foi separado, chamado e enviado por Deus para cumprir uma missão (Jr 1.4-5; Gl 1.1). Na perspectiva bíblica, um pastor não se faz por vontade própria, ou por um curso de treinamento ministerial. O pastorado é um chamado de Deus. Esta exigência vocacional impede que o pastorado seja transformado em uma profissão. Qualquer profissão origina-se na cultura e é orientada pela sociedade. Há, porém, um abismo entre aquilo que a sociedade exige de um profissional e aquilo que Deus exige dos seus vocacionados. John Piper desabafa: “Nós, pastores, estamos sendo massacrados pela profissionalização do ministério pastoral. A mentalidade do profissional não é a mentalidade do profeta. Não é a mentalidade do escravo de Cristo. O profissionalismo não tem nada que ver com a essência e o cerne do ministério cristão. Quanto mais profissionais desejamos ser, mais morte espiritual deixaremos em nosso rastro”.

Segundo, o pastorado exige uma vida de integridade.

A vida moral do pastor é a alma do seu ministério. A credibilidade do pastorado depende da integridade do pastor. Por isso ele precisa ser integro de caráter e conduta (O que eu devo ser e o que devo fazer). A palavra “integridade” significa “inteiro” e “completo” (Jó 2.9; Tt 2.7). Jesus é o nosso modelo de “integridade”: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus” (Mc 12.14). Todo pastor deve seguir o exemplo de Jesus.
Sendo assim, o ministério exige do pastor escolhas e decisões morais. “A integridade na vida pessoal do pastor é algo intencional. Não acontece de modo automático, pelo simples fato de ele ter assumido o compromisso de exercer o ministério. O pastor precisa se esforçar para ser uma pessoa íntegra em sua vida pessoal” (James E. Carter e Joe E. Trull). E quais são as áreas mais difíceis para o pastor? Para Charles Swindoll : dinheiro, fama, poder e sexo. Para Richard Foster: dinheiro, sexo e poder. Para Billy Graham: sexo, dinheiro e orgulho. Observem que essas áreas são ídolos que a sociedade sem Deus adora, e áreas onde os pastores são incessantemente tentados. São áreas de sucesso oferecidas pelo falso evangelho e pelos comerciantes religiosos. São áreas que o Diabo tem usado para destruir muitos ministros e suas respectivas famílias.

Terceiro, o pastorado requer o preço da obediência e da fidelidade a Deus.

O pastorado não é uma profissão, mas uma missão. E para que a missão seja cumprida é necessário obediência e fidelidade. O preço é o sofrimento em prol da igreja e da obra missionária. É o ministério da cruz e a cruz do ministério. Paulo declara: “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja”(Cl 1.24). Ele nos ensina que o pastor é alguém disposto a sofrer e entregar a sua vida por amor a Cristo. O pastor não se serve da igreja, mas serve ao Senhor da Igreja, em amor e sacrifício.
O conceito de pastor que temos hoje na sociedade brasileira é contrário ao modelo bíblico. A imprensa somente denuncia aquilo que ela está vendo. Hoje, no Brasil, “ladrão” é sinônimo para “pastor”. Pastores são pessoas sem escrúpulos que mentem e roubam, em nome de Deus. E a culpa desta deturpação não é apenas da sociedade sem Deus, mas da própria práxis daqueles que se dizem igreja de Deus. O mundo seria impactado se tivéssemos menos profissionais e mais pastores segundo o referencial bíblico. Paulo resume: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (Atos 20.24). Você quer ser pastor? Bem, você pode até querer, mas a vocação pastoral não depende do homem. A vocação do pastor não é deste mundo. Para Deus não existe a profissão de pastor.

* O texto foi publicado originalmente no site da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, pelo Rev. Arrival Dias Casimiro. Clicando na imagem você será redirecionado ao site da IPP.



Uma Conversa Franca Sobre o Pecado





O amor de Deus é incondicional e não se limita por sentimentos frívolos. Deus é amor e justiça. Mas não nos enganemos, esse mesmo amor é quem nos julgará por nossos atos de rebeldia contra Deus – isso é justiça! Em contrapartida o comportamento rebelde e incrédulo é pecado e nos afasta de Deus. Se você não sabe o que é o pecado e quais as suas conseqüências, pode estar certo de que tem algo de muito errado acontecendo em sua comunidade cristã.

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O Apóstolo Paulo faz uma das mais importantes e sensíveis indagações: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?". Mas, se voltarmos nos versos anteriores a este perceberemos o quanto somos inclinados às obras da carne, como somos vis e pecadores. Portanto falar de pecado é falar de salvação e da perfeita graça que há no sacrifício da cruz – isso é soberania divina! Mesmo estando nós mortos em nossos delitos e pecados Ele escolheu a cruz! Uma coisa é fato, nada que nós venhamos a fazer fará jus à salvação advinda da cruz de Cristo, isto porque não somos merecedores. 
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O pecado nos torna arrogantes e incrédulos. E incredulidade não é somente ausência de fé é animosidade da nossa parte para com Deus é pura rebeldia! É só observar a grandiosidade de Deus em livrar os israelitas do jugo de faraó e ainda assim estes viviam reclamando com Moisés, esquecendo-se dos feitos de Deus para com eles – a incredulidade estava sempre latente entre o povo de Israel, por falta de arrependimento e gratidão, porque sentiam saudades da vida de pecado e do jugo da idolatria! A conseqüência é que aquela geração pereceu no deserto em virtude de sua dura cerviz. O pecado consome àquele que não reconhece os feitos de Deus em sua vida por meio da expiação de Jesus Cristo no Gólgota. O pecado não permitirá que você desfrute da vida eterna, porque o pecado praticado por você em secreto te expõe aos olhos de Deus, e mais, você que se satisfaz do pecado é um inimigo de Deus! E um dia estará diante d’Ele para ser julgado para condenação ou para vida eterna. E o julgamento será feito por aquele mesmo amor demonstrado na cruz por Jesus, e esse amor se arderá em ira, porque da mesma forma que Deus é amor Ele é fogo consumidor e ai daquele que cair em suas mãos para julgamento de sua ira.
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Os milagres existem, e não tem como negar isso. Só que essa busca desenfreada pelos milagres como quem busca o elo perdido, nos afasta do propósito sublime de Deus, aquele propósito enunciado ainda no Jardim do Éden, que previa a redenção do homem por meio do sacrifício vicário. É tempo de buscar a Deus em sua inteireza e não pelo que Ele pode fazer por você. Uma vida de prosperidade não será desfrutada aqui na terra porque o Reino de Deus não é deste mundo. Tudo isso nos leva a seguinte reflexão: “quando pecamos mostramos o quão somos amigos de nossa carne e de nossa vontade pecaminosa, da qual Deus é inimigo eterno”. É tempo de buscarmos a Deus para que possamos conhecê-Lo, e assim desfrutar de sua presença por meio do Seu Espírito Santo que nos consola e nos dá força e principalmente traz a convicção de nossa salvação por meio do Sacrifício de Cristo na Cruz do Calvário. 
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Porque d’Ele e por Ele são todas as coisas, amém!
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Leia a bíblia e a tenha como a voz infalível de Deus. Que tal começar por Isaías 53, Romanos 8 e Salmos 32?