Calculadora PREVIDENCIÁRIA

Mostrando postagens com marcador John Macarthur. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador John Macarthur. Mostrar todas as postagens

Um Exame Minucioso da Guerra Espiritual





É vital que entendamos por que as Escrituras empregam com tanta frequência a linguagem de guerra com relação ao conflito espiritual cósmico das eras — especialmente em referência à luta pela verdade. Esta é uma ideia que permeia as Escrituras. Não se trata de algum conceito incivilizado, inventado por cristãos perseguidos no século I que agora deixou de ser útil nesta era mais sofisticada. Não se trata de uma descrição infantil que, finalmente, abandonamos. Não se trata de uma adaptação dos preconceitos tolos do século I. Na verdade, aqueles que simplesmente rejeitam o conceito como sendo inerentemente incivilizado, grosseiro e, portanto, inútil em urna cultura pós-moderna estão colocando a própria vida em grande perigo.

Queiramos ou não, como cristãos, estamos em um conflito de vida ou morte contra as forças do mal e suas mentiras. É uma guerra espiritual. Não é um conflito literalmente físico com armas mortais. Não é uma campanha para aumentarmos as riquezas de alguém ou confiscarmos seus bens. Não é uma guerra por território ou por domínio geopolítico. E, sem dúvida alguma, não é um jihad violento pela expansão da influência da cristandade no mundo. Não é algum tipo de guerra mágica com seres invisíveis das esferas inferiores. Não é uma batalha pela ascendência entre indivíduos ou seitas religiosas, e, sem dúvida, não é uma campanha realizada pela igreja para assumir o Estado. Mas é, contudo, uma guerra séria com consequências eternas.

Uma vez que esse conflito espiritual é, em primeiro lugar, um conflito teológico — uma guerra na qual a verdade divina se opõe ao erro demoníaco —, precisamos ter sempre em mente que nosso objetivo é destruir mentiras, não pessoas. Na verdade, se formos fiéis, o resultado será pessoas sendo libertadas de fortalezas de mentiras, de falsas doutrinas e de ideologias malignas que as mantêm cativas. Foi exatamente assim que Paulo descreveu nosso plano de batalha no conflito cósmico em 2 Corintios 10:3-5: “Pois, embora vivamos como homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argu- mentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.” Assim, Paulo diz que devemos declarar guerra contra toda ideia que se levanta contra a verdade divina.

A despeito de tanta linguagem de cunho militante, não há nenhuma crueldade na postura que Paulo estava descrevendo (nem quando ele continua no versículo seguinte a dizer aos corintios que, pessoalmente, estava “[pronto] para punir todo ato de desobediência, uma vez estando completa a obediência de vocês”). Ele estava pronto não só para a defesa da verdade, mas também para uma incursão ofensiva contra falsos sistemas de crenças. A estratégia de Paulo, em suas próprias palavras, incluía destruir aquelas falsas ideologias, desmontando sistematicamente suas doutrinas equivocadas, subjugando seus argumentos enganosos e expondo suas mentiras com a verdade.

Em outras palavras, a verdade era a única arma de Paulo. Ele não atacou os falsos mestres em Corinto como eles o haviam atacado — com insinuações, distorções de seu ensino, insultos pura- mente pessoais e redes de mentiras. Respondeu ao engano deles com a verdade — desatando o nó górdio de suas mentiras com “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6:17). Lutou pela verdade e contra o erro com total seriedade. Mas, em todas as vezes que Paulo lidou com falsos mestres, seu objetivo foi aniquilar a falsa doutrina deles, e não os falsos mestres em si. A guerra não era uma disputa meramente pessoal entre Paulo e seus adversários para ver quem conseguiria ganhar a lealdade do rebanho em Corinto; era uma batalha em favor de princípios infinitamente superiores a isso e o que estava em jogo era algo muito mais significativo do que a reputação de uma pessoa.

Paulo nem sempre foi simpático e gentil com quem propagava falsos ensinamentos da mesma forma que foi como um pai para cristãos que simplesmente ficavam perplexos com a confusão de vozes. Na verdade, não consigo imaginar um exemplo nas epístolas em que a interação de Paulo com falsos mestres foi dominada pela mansidão daquele espírito paternal. Muitas vezes, ele mostrou uma raiva justificada contra eles; escreveu com total desprezo por tudo o que representavam e até os amaldiçoou (Gálatas 1:7,8).

Em sua primeira viagem missionária, logo depois de sair de Antioquia com Barnabé, Paulo fez a primeira parada em sua aventura missionária na Selêucia, em Chipre. Chegando à cidade de Pafos, ele teve seu primeiro encontro registrado com um falso mestre religioso, cujo nome era Elimas Barjesus. Foi assim que Paulo se dirigiu a ele: “Filho do Diabo e inimigo de tudo o que é justo! Você está cheio de toda espécie de engano e maldade. Quando é que vai parar de perverter os retos caminhos do Senhor? Saiba agora que a mão do Senhor está contra você, e você ficará cego e incapaz de ver a luz do sol durante algum tempo” (Atos 13:10,11). Deus confirmou a postura agressiva de Paulo por meio de um juízo milagroso contra Elimas. “Imediatamente vieram sobre ele névoa e escuridão, e ele, tateando, procurava quem o guiasse pela mão” (v. 11). O que provocou essa confrontação agressiva? Os riscos eram muito grandes, porque Sergius Paulus estava ouvindo o evangelho e sua alma estava em jogo. Em qualquer caso como esse, a estratégia direta e severa de lidar com um mestre visivelmente falso é, na verdade, preferível a uma demonstração fingida de aprovação e fraternidade (2 João 10,11; cf. Salmo 129:5-8; 2 Timóteo 3:5).

Paulo, sem dúvida, foi justo com seus adversários no sentido de nunca deturpar o que eles ensinavam nem dizer mentiras sobre eles. Mas Paulo claramente reconheceu os erros deles por causa do que eram e deu-lhes nomes apropriados. Ele falou a verdade. Em seu estilo de ensino diário, Paulo falava a verdade com mansidão e com a paciência de um pai amoroso. Mas quando as circunstâncias justificavam um estilo mais forte de franqueza, Paulo conseguia falar de um modo muito direto — às vezes, até com um sarcasmo áspero (1 Corintios 4:8-10). Como Elias (1 Reis 18:27), João Batista (Mateus 3:7-10) e até Jesus (Mateus 23:24), ele também era capaz de fazer uso de escárnios de modo convincente e apropriado para res- saltar o caráter de ridículo do erro sério (Gálatas 5:12). À maneira de Moisés e Neemias, ele apontava coisas que os outros tomavam como vacas sagradas.


Paulo não parecia sofrer da mesma ansiedade excessivamente escrupulosa que leva tantas pessoas, hoje, a encobrir todo erro até onde a linguagem permitir, supor que até o mais repulsivo dos falsos mestres esteja dizendo a verdade e atribuir as melhores intenções possíveis até ao mais grosseiro dos hereges. A ideia de “mansidão” do apóstolo não era o tipo de falsa benevolência e distinção artificial que as pessoas, hoje, às vezes acreditam ser a verdadeira essência dos atos de caridade. Nunca o vimos chamando para o diálogo os falsos mestres ou os que casualmente se metiam a induzir ao erro religioso, nem ele aprovava essa estratégia quando alguém da estatura de Pedro sucumbia ao medo do que os outros poderiam pensar e demonstrava uma consideração exagerada pelos falsos mestres (Gálatas 2:11-14). Paulo definiu os limites da amabilidade santa e da hospitalidade cristã de um modo muito parecido com o do apóstolo João. Quando falsos mestres pedirem refúgio sob o guarda-chuva da comunhão de vocês, João disse, não deem a mínima atenção: “Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus; quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho. Se alguém chegar a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem. Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas” (2 João 9-11).




** Extraído do livro "A Outra Face" - John Macarthur




O que Jesus Faria?






Parece que até algumas das mentes mais brilhantes no movimento evangélico se renderam à ideia de que a teologia é acadêmica e, por- tanto, a única maneira adequada de avaliar as opiniões teológicas dos outros é com um desprendimento escolástico indiferente. Eles concordam — ou, pelo menos, agem como se concordassem — com aqueles que dizem que é sempre melhor ter uma conversa amigável do que um conflito por causa de diferenças doutrinárias.

Um erudito escreveu um ensaio nesse sentido e um anônimo enviou-me uma cópia do texto. O remetente incluiu um bilhete sem assinar dizendo que estava decepcionado e completamente perturbado com o título de meu livro A guerra pela verdade. Ele mesmo, na verdade, não havia lido o livro (e nem tinha a intenção de ler) pois disse que já poderia dizer o quanto sou irremediavelmente intolerante. Mas queria expressar sua indignação e descrença de que um “ministro” de minha categoria, nesses tempos esclarecidos, comparava crenças religiosas com verdade — e ainda tratava a busca pela verdade como uma “guerra”. Ele tinha certeza de que Jesus jamais teria uma postura militante como essa.

O ensaio que incluía o bilhete foi escrito por outra pessoa, e esse autor, de igual modo, expressava grandes dúvidas “sobre a utilidade da metáfora de guerra’ no Cristianismo”. O que Jesus faria?, o escritor queria saber. Bondade e pacifismo, em vez de combate e contenda, não eram características do próprio ministério de Jesus? Ele não pediu aos seus verdadeiros seguidores que buscassem o amor e a unidade, e não realizassem cruzadas? Ele não disse: “Bem-aventurados os pacificadores”? Todo o espírito de militância (especialmente a agressão ideológica contra as crenças de outros) não parece completamente inoportuno nesta era pós-moderna? Bom senso e sensibilidade cultural não sugerem que devemos pôr totalmente de lado o vocabulário de combate e nos concentrar principalmente no tema de reconciliação?

O autor desse ensaio esforçou-se para subestimar a importância da linguagem militante empregada em diversas passagens por todo o Novo Testamento. Ele parecia imaginar que, se os evangélicos de hoje fossem encorajados a pensar na luta entre verdade e erro como algo mais sério do que uma corrida de sacos no gramado em um acampamento de verão, a igreja logo seria inundada de jihadistas cristãos usando bandoleiras, agitando armas verdadeiras e iniciando um ataque literalmente encarniçado contra mestres de falsas religiões.

Sem dúvida, nenhum cristão digno de confiança, que esteja comprometido com as Escrituras como nossa autoridade suprema, propôs literalmente uma guerra santa neste mundo. A guerra espiritual não tem nada a ver com isso e as Escrituras são claras nesse sentido: “A nossa luta não é contra seres humanos” (Efésios 6:12). E “as armas com as quais lutamos não são humanas” (2 Corintios 10:4).

Não obstante, a mente pós-moderna às vezes parece incapaz de fazer qualquer distinção significativa entre o combate físico com armas destinadas a matar pessoas e o combate espiritual com a verdade destinado a salvá-las da morte espiritual.

A CNN, por exemplo, levou ao ar uma série especial em 2007 intitulada “Guerreiros de Deus”, com um segmento principal com o subtítulo “Os guerreiros cristãos de Deus”. O programa estava longe de ser objetivo e o segmento que se concentrou no Cristianismo parecia ter pouco sentido a não ser tentar sugerir que há um tipo de paridade moral entre jihadistas muçulmanos, que explodem pessoas inocentes e cristãos que creem que Jesus Cristo é o único e verdadeiro Salvador do mundo. “A batalha deles para salvar o mundo causou raiva, divisão e medo”, enfatizou solenemente a repórter Christiane Amanpour em sua introdução ao segmento sobre evangélicos.5 A série colocou fundamentalistas cristãos na mesma categoria dos jihadistas islâmicos. Naturalmente, isso gerou uma discussão animada em vários fóruns online. Alguns cristãos que fizeram comentários sobre o especial da CNN pareceram per- turbadamente ambivalentes na questão que discutia se os cristãos merecem ou não fazer parte dos grupos de terroristas e homens- bomba. Os cristãos, na verdade, ganharam fama por serem muito polêmicos com relação às suas crenças? É hora de repudiarmos toda alusão à luta e conflito, eliminar a linguagem de guerra de nosso léxico, deixar de confrontar opiniões mundanas e ideias religiosas antibíblicas, e buscar paz e harmonia, em vez de controvérsia, com outras visões de mundo? Vários deles também consideraram a pergunta: Ό que Jesus faria?” Uma pessoa escreveu:

Usamos e enfatizamos excessivamente a metáfora de “guerra” no Cristianismo. É uma metáfora desgastada que traz à tona muitas imagens do mundo “moderno” quando vivemos em um mundo pós-cristão e pós-moderno. Não tenho certeza de que o “Príncipe da Paz” teria sido um entusiasta dos Sol- dados Cristãos ou mesmo cantado com eles.

Em outro fórum da internet, algumas semanas depois, alguém escreveu:

Não acho que Jesus jamais realizou uma guerra pela verdade. Ele não saiu por aí defendendo com iniciativa sua teologia e opondo-se à de todos os outros. Não estou dizendo que ele não reconhecia que as outras religiões eram falsas. Mas não acho que teria começado uma Guerra pela Verdade na terra. Jesus viveu ativamente sua verdade na prática (uma vez que ele mesmo era a verdade) e teve conversas intensas sobre a verdade baseando-se apenas na necessidade de fazê-lo. E nem eram cartas enviadas a todos os lugares do país — eram conversas particulares com os próprios homens. As pessoas eram atraídas à verdade que Jesus vivia na prática, não por- que eram vencidas em uma batalha de doutrinas.

Todas essas opiniões estão erradas, e perigosamente erradas. Mas antes de analisarmos o erro, reconheçamos que a resposta cor- reta não é correr para o outro extremo. Os cristãos não devem ser beligerantes. O amor ao conflito não é menos pecaminoso que a terrível covardia.

A guerra espiritual é necessária por causa do pecado e da mal- dição — não porque haja algo inerentemente glorioso ou virtuoso no combate. Zelo sem conhecimento é algo espiritualmente fatal (Romanos 10:2) e até a paixão mais sincera pela verdade precisa sempre ser moderada com mansidão e graça (Efésios 4:29; Colossenses 4:6). O entusiasmo impetuoso para pedir que desça fogo do céu contra blasfemadores e hereges está longe do espírito de Cristo (Lucas 9:54,55).

Reconhecer que a igreja, muitas vezes, precisa lutar pela verdade não é sugerir que o evangelho — nossa única mensagem para um mundo perdido — é, de algum modo, uma declaração de guerra. Sem dúvida alguma não é; trata-se de um manifesto de paz e um pedido de reconciliação com Deus (2 Corintios 5:18-20). Por outro lado, aqueles que não se reconciliam com Deus estão sempre em guerra com ele, e o evangelho é uma mensagem sobre a única maneira de acabar com essa guerra. Assim, ironicamente, a guerra para defender a verdade é a única esperança de paz para os inimigos de Deus.

Concordo que normalmente é muito melhor ser gentil do que áspero. O pacifismo é uma qualidade bendita (Mateus 5:9); a agressividade é uma falha de caráter que acaba incapacitante (Tito 1:7). A paciência é, na verdade, uma maravilhosa virtude, mesmo diante da descrença e da perseguição (Lucas 21:19). Sempre devemos ouvir bastante antes de reagirmos (Provérbios 18:13). Uma palavra mansa normalmente pode fazer muito mais bem do que uma reação seca, porque “a resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira” (Provérbios 15:1) — e a pessoa que gosta de provocar discussão é tola (v. 18).

Além disso, o fruto do Espírito é uma lista de coisas contrárias a uma atitude litigiosa, agressiva e inclinada à guerra: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22,23). Assim, nossa primeira atitude quando encontramos alguém no erro deve ser o mesmo tipo de mansidão prescrito em Gálatas 6:1 para qualquer pessoa em algum tipo de pecado: “Se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado.” Compete a todo cristão o seguinte: “Não caluniem ninguém, sejam pacíficos, amáveis e mostrem sempre verdadeira mansidão para com todos os homens. Houve tempo em que nós também éramos insensatos e desobedientes, vivíamos enganados e escravizados por toda espécie de paixões e prazeres. Vivíamos na maldade e na inveja, sendo detestáveis e odiando uns aos outros” (Tito 3:2,3). E essa atitude é um dever particular daqueles que são líderes espirituais. Pessoas dadas a brigas não estão qualificadas para servir como presbíteros na igreja (1 Timóteo 3:3), pois “ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conheci- mento da verdade” (2 Timóteo 2:24,25).

Todos esses princípios devem, de fato, dominar nosso modo de proceder com os outros e nosso modo de lidar com diferenças. E se esses fossem os únicos versículos nas Escrituras que nos dis- sessem como lidar com o erro, talvez tivéssemos justificativa para pensar que esses princípios são absolutos, invioláveis e aplicáveis a todo tipo de oposição ou descrença que encontramos.

Mas não é o que acontece. Somos instruídos a lutar seriamente pela fé (Judas 3). Logo após recomendar a Timóteo que “busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão” (1 Timóteo 6:11), o apóstolo Paulo exorta-o para que “combata o bom combate da fé” (v. 12) e guarde o que lhe foi confiado (v. 20).




** Extraído do livro "A outra Face" - John Macarthur




Em que direção os evangélicos de Hoje Estão Seguindo?




O movimento evangélico era conhecido por duas convicções teológicas inegociáveis. Uma era o compromisso com a exatidão absoluta e a autoridade das Escrituras — como a Palavra revelada de Deus, e não como fruto da imaginação, experiência, intuição ou ingenuidade humana (2 Pedro 1:21). A outra era uma forte crença de que o evangelho apresenta o único meio possível de salvação do pecado e do juízo — pela graça por meio da fé no Senhor Jesus Cristo.

Nos últimos anos, no entanto, os evangélicos vêm assimilando espontaneamente o espirito dos tempos. Multidões — incluindo muitos que atuam como líderes espirituais — discretamente abandonaram essas duas convicções (ou simplesmente deixaram de falar e pensar nelas). O evangelicalismo agora deixou de ser algo semelhante a um movimento coerente. Em vez disso, tornou-se uma monstruosidade amorfa em que praticamente toda ideia e toda opinião exigem ser levadas à mesa para discussão, aceitas educada- mente por todos e consideradas com igual respeito e estima.

Consequentemente, parece que os evangélicos atuais são inca- pazes de apontar a causa de algo que os torna realmente diferentes. Quando tentam definir sua própria posição ou explicar para os não evangélicos quem são, eles às vezes confessam, sem perceber, que a conformidade com este mundo e seu modo de pensar tornou-se aquilo que os define.

Isso não significa sugerir que os evangélicos contemporâneos conseguiram enviar algo como uma mensagem clara, coerente ou uniforme. As declarações formais da posição evangélica tornaram- se tão vagas e desprovidas de verdadeira convicção que ninguém parece saber ao certo se elas realmente significam mais alguma coisa. Parece que valores sofisticados como diversidade, tolerância, coleguismo, amabilidade e liberdade acadêmica ofuscaram a verdade bíblica na hierarquia evangélica das virtudes. Os evangélicos mundanos de hoje são claramente arrastados pela forte maré da opinião pós-moderna popular.

Em maio de 2008, foi publicado com grande alarde um novo “Manifesto Evangélico” para a imprensa secular e religiosa. Ele foi redigido e assinado por um grupo díspar de estudiosos evangélicos e pós-evangélicos, os quais se distinguiram por vários meios. Alguns são conhecidos principalmente como defensores de praticamente toda causa política de esquerda; outros são mais conhecidos por seus textos de apologia filosófica em defesa de uma visão de mundo mais conservadora. Alguns eram “evangélicos” somente no sentido de terem tentado casar a doutrina neo-ortodoxa com o novo estilo evangélico.

O Manifesto de 2008 caiu como uma bomba e foi muito censurado por críticos na mídia (e merecidamente) por causa de sua falta de clareza do começo ao fim — especialmente por não expressar seu próprio objetivo em uma linguagem clara. Contudo, a única palavra que parecia ser a chave do documento era civilidade. Esse termo foi usado diversas vezes na coletiva à imprensa em que o Manifesto foi apresentado. Considerando o modo como aqueles que redigiram e assinaram o documento usavam o termo, a suposição implícita era, simplesmente, de que a “civilidade” nos obriga a discordar “de forma agradável” e evitar a todo custo qualquer alusão à hostilidade ou discussão séria. Na verdade, parece justo sugerir que um dos principais objetivos do documento — se não a ideia geral — era distanciar o movimento evangélico de hoje de qualquer sinal de militância ou “fundamentalismo” no modo como interagimos com ideias não evangélicas ou anticristãs.

Parece que o zelo pelas doutrinas essenciais do Cristianismo bíblico tornou-se praticamente tão inaceitável entre evangélicos e pós-evangélicos como sempre foi no mundo de um modo geral. As novas regras exigem um diálogo permanentemente amigável, benesse ideológica, transparência imparcial e paz ecumênica. Em particular, quando a discussão se volta para a doutrina, o típico evangélico de hoje invariavelmente age como se um dócil diálogo fosse moralmente preferível a qualquer tipo de conflito. Afinal, nunca devemos ser tão veementes com relação ao que cremos a ponto de expressar algum desdém sério por ideias alternativas.

Nesse cenário, parece que o diálogo evangélico sobre doutrina tornou-se uma razão principalmente despropositada para conversar só por conversar. O objetivo não é chegar a algum entendimento comum ou firme convicção sobre o que é verdadeiro e o que é falso.

Pelo contrário, parece que a ideia geral é juntar à discussão o maior número possível de opiniões e, então, prolongar a cordialidade generosa e despreocupada da discussão por tempo indefinido.


** Extraído do Livro "A Outra Face" - John Macarthur

É Hora de Não Aceitar





Essa era a visão coerente de Jesus também. Em resumo, ele nunca usou a abordagem pacifista com heréticos nem com hipócritas ignorantes. Nunca fez o tipo de apelo particular gentil que os evangélicos contemporâneos normalmente insistem ser necessário antes de advertir os outros sobre os perigos do engano de um falso mestre. Mesmo quando lidava com as figuras religiosas mais respeitadas da região, ele enfrentava os enganos delas de um modo ousado e direto, às vezes até expondo-as ao ridículo. Ele não era “simpático” com elas de acordo com nenhum padrão pós-moderno. Não lhes estendia a falsa cortesia acadêmica. Não as convidava para uma conversa particular sobre seus diferentes pontos de vista. Não exprimia com cuidado suas críticas em termos vagos e totalmente impessoais para evitar que os sentimentos dos outros fossem feridos. Não fazia nada para amenizar o caráter repreensivo de suas críticas nem minimizar o constrangimento público dos fariseus. Deixava o mais claro e notório possível que desaprovava a religião deles toda vez que os mencionava. Parecia totalmente insensível à frustração deles diante de sua sinceridade. Sabendo que estavam procurando razões para serem insultados, Jesus muitas vezes fazia e dizia as mesmas coisas que sabia que os deixariam mais ofendidos.

Sem dúvida, é significativo que a abordagem que Jesus usava para lidar com o engano religioso é nitidamente diferente dos métodos preferidos pela maioria na igreja, hoje. É muito difícil imaginar o tratamento dado por Jesus aos fariseus recebendo um comentário positivo nas páginas da revista Christianity Today. E será que alguém realmente acredita que seu estilo polêmico ganharia a admiração do acadêmico evangélico comum?

O modo como Jesus tratava seus adversários é, na verdade, uma repreensão séria à igreja de nossa geração. Precisamos dar uma atenção mais cuidadosa ao modo como ele lidava com os falsos mestres, ao que pensava sobre o engano religioso, ao modo como defendia a verdade, a quem elogiava e a quem condenava — e a como ele, na verdade, encaixava-se pouco no estereótipo meigo que, hoje, tão frequentemente lhe impomos.

Além disso, também deveríamos ter a atitude de Jesus para com a falsa doutrina. Não podemos agradar aos homens e ser servos de Cristo ao mesmo tempo.

É essa a tese deste livro. Vamos passar cronologicamente pelas histórias do evangelho que contam como Jesus lidou com a elite religiosa de Israel. Observaremos como ele falou com indivíduos, como respondeu à oposição organizada, como pregou às multidões e o que ensinou aos seus próprios discípulos. A lição prática sobre como devemos nos comportar diante da falsa religião é consistente do começo ao fim: as deturpações da verdade bíblica vital não devem ser subestimadas, e quem apresenta evangelhos diferentes não deve ser tratado com generosidade pelo povo de Deus. Pelo contrário, devemos usar a mesma abordagem para a falsa doutrina usada por Jesus, refutando o erro, opondo-nos àqueles que o propagam e lutando com afinco em defesa da fé.



** Extraído do Livro "A Outra Face" escrito por John Macarthur

Combata o Bom Combate


Nem sempre pode ser fácil saber se uma divergência é meramente insignificante ou realmente importante, mas uma aplicação cuidadosa e atenciosa da sabedoria bíblica normalmente esclarecerá quaisquer dúvidas que possamos ter sobre a importância relativa de qualquer verdade admitida. As Escrituras deixam claro, por exemplo, que devemos adotar a postura de tolerância zero com alguém que adultera ou altera a mensagem do evangelho (Gálatas 1:8,9). E aquele que nega a deidade de Cristo ou se afasta essencialmente de seu ensino não deve ser aceito em nossa comunhão nem receber algum tipo de bênção (2 João 7-11).

O princípio é claro: quanto mais qualquer doutrina admitida se aproxima da essência do evangelho, do âmago da sã cristologia ou dos ensinamentos fundamentais de Cristo, com mais diligência devemos evitar as distorções da verdade — e com mais agressividade precisamos combater o erro e defender a sã doutrina.

Para fazer a distinção entre verdades espirituais realmente essenciais e meramente periféricas, é preciso muito cuidado e discernimento. A distinção nem sempre é imediatamente óbvia. Mas não é tão difícil traçar essa linha como algumas pessoas, hoje, alegam. Mesmo que a linha pareça um pouco vaga aqui e ali, não há motivo para eliminar completamente a distinção, como alguns pós-evangélicos parecem estar decididos a fazer.

Muitos, atualmente, defendem uma abordagem ultraminimalista, reduzindo a lista de doutrinas essenciais àquilo que é tratado pelo credo apostólico (ou, em alguns casos, uma lista ainda menor de princípios gerais mais amplos). Isso realmente não promove harmonia; simplesmente turva toda a doutrina. Afinal, muitos hereges extremos, de unitaristas, passando por socinianos, a testemunhas de Jeová, formalmente aceitarão o credo apostólico. O problema é que eles não concordam com o significado do credo. Até os segmentos maiores da fé cristã — católicos, cristãos ortodoxos e protestantes — não concordam entre si sobre o significado de expressões funda- mentais no credo. Ele é inútil como parâmetro para se avaliar quais verdades são primárias e quais são secundárias.

Mas as Escrituras sugerem que o evangelho, não um credo do século III, é a melhor forma de determinar os verdadeiros princípios essenciais do Cristianismo. Se você, de fato, entender e aceitar o evangelho, automaticamente terá visões sadias sobre a justificação pela fé, a expiação substitutiva, a deidade de Cristo, a historicidade da ressurreição, a veracidade e a autoridade das Escrituras, e todas as outras doutrinas que são “primeiramente” importantes (1 Coríntios 15:3). Por outro lado, se você se desviar — ainda que de modo sutil — quanto a qualquer princípio vital da verdade do evangelho, toda a sua visão de mundo será adversamente influenciada. Interprete-o mal ou adapte-o para que seja conveniente a determinadas preferências da subcultura e, inevitavelmente, terá uma religião que consiste em obras e um sistema que gera uma falsa superioridade.

Era exatamente nisso que consistia o conflito de Jesus com os fariseus. Eles representavam um estilo de religião e um sistema de crenças que contradiziam diretamente a essência do evangelho que ele proclamava. Jesus oferecia perdão e justificação imediata aos pecadores que cressem. Os líderes religiosos de Israel criavam fortes sistemas de obras e cerimônias que, na realidade, transformavam a própria justificação em uma obra humana. Nas palavras do apóstolo Paulo, “ignorando a justiça que vem de Deus e procurando estabelecer a sua própria, [eles] não se submeteram à justiça de Deus” (Romanos 10:3).

Simplesmente não havia como Cristo evitar o conflito. Assim, ele aproveitou a situação ao máximo. Usou a falsa religião deles como um contraste para a verdade que ensinava. Deixou que a hipocrisia deles servisse como pano de fundo contra o qual a joia de sua santidade brilhava mais ainda. E pôs sua graça contra o falso moralismo deles de um modo que foi impossível não ver a distinção entre justificação pela fé e religião baseada em obras.


** Extraído do livro "A Outra Face" escrito por John Macarthur

Eu Quero a Religião Show!


Com vergonha do evangelho: quando a Igreja se torna como o mundo[1] 




“O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice”.
 Charles Haddon Spurgeon
 


No “final do século XIX... a ‘Era da Exposição’ começou a passar, e os primeiros sinais de sua substituição começaram a ser percebidos. Em seu lugar surgiu a ‘Era do Show Business’”.

Enquanto Charles Spurgeon batalhava Na Controvérsia do Declínio, uma tendência mundial começava a emergir, a qual estabeleceria o curso dos afazeres humanos em todo o século XX. Era o surgimento do entretenimento como o centro da vida familiar e cultural. Essa mesma tendência viu o declínio do que Neil Postman chamou de “A Era da Exposição”, cuja característica era uma ponderada troca de idéias, de forma escrita e verbal (pregação, debates, preleções). Isso contribuiu para o surgimento da “Era do Show Business’” – na qual a diversão e o entretenimento se tornaram os aspectos mais importantes e que mais consumiriam o tempo de conversa das pessoas. Dramatização, filmes e, finalmente, a televisão colocaram o “Show Business” no centro de nossas vidas – em última análise, bem no centro de nossa sala de estar.

No “Show Business”, a verdade é irrelevante; o que realmente importa é se estamos sendo ou não entretidos. Atribui-se pouco valor ao conteúdo; o estilo é tudo. Nas palavras de Marshall McLuhan, o veículo é a mensagem. Infelizmente, hoje essa forma de pensar norteia tanto a igreja quanto o mundo.

Em 1955, A. W. Tozer escreveu as seguintes palavras: “Durante séculos a igreja manteve-se firme contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o como um dispositivo para se perder tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um plano para se desviar a atenção de contas quanto à moral. Por manter sua posição, ela sofreu abusos por parte dos filhos deste mundo. Ultimamente, entretanto, ela se cansou de ser abusada e simplesmente desistiu da luta. Parece Ter firmado a posição de que, se não pode vencer o deus do entretenimento, o melhor que pode fazer é unir suas forças às dele e aproveitar o máximo de seus poderes. Por isso, contemplamos hoje o assombroso espetáculo de milhões de dólares sendo vertidos no negócio nada santo de prover entretenimento mundano aos chamados filhos dos céus. O entretenimento religioso está, em muitos lugares, rapidamente desalojando as sérias coisas de Deus. Muitas igrejas, em nossos dias, se tornaram nada mais que pobres teatros onde “produtores” de quinta categoria mascateiam suas mercadorias de baixo valor com plena aprovação dos seus líderes evangélicos, que chegam a citar textos bíblicos para justificar tal delinqüência. E é difícil acharmos alguém que ouse levantar a sua voz contra isso”.

De acordo com os padrões da atualidade, as questões que tanto inflamaram as paixões de Tozer parecem insignificantes. Por exemplo, igrejas estavam atraindo pessoas para seus cultos de Domingo à noite através da apresentação de filmes cristãos. Encontros de jovens eram realizados tendo como atração a música contemporânea e palestrantes cuja especialidade era o humor. Jogos e atividades onde se gasta muita energia passaram a desempenhar um papel chave no trabalho com os jovens das igrejas. Olhando para trás, parece difícil entendermos a angústia de Tozer. Raramente alguém hoje fica chocado ou preocupado com quaisquer métodos que pareciam radicalmente inovadores nos anos cinqüenta. A maioria deles é hoje vista com naturalidade.

Análise de John MacArthur, sobre alguns textos usados como objeção a doutrina da segurança da Salvação


1- AQUELES VERSÍCULOS PROBLEMÁTICOS

Nenhum cristão pode negar que as promessas em Efésios, João e Hebreus sobre a segurança de nossa salvação nas mãos de nosso Deus triuno, são de fato inspiradoras. Talvez, no entanto, você esteja preocupado com outras partes das Escrituras que parecem comprometer essas promessas. O que dizer da afirmação de Paulo para a igreja gálata de que alguns caíram da graça? O que você me diz de uma passagem menos animadora em Hebreus que fala daqueles que, uma vez , iluminados, não podem ser reconduzidos ao arrependimento? E a afirmação assustadora de Jesus em Joao 15 de que aqueles que não permanecem nele são jogados fora como ramos mortos, apanhados e queimados? E o que dizer da talvez, mais assustadora de todas as afirmações de Jesus, em Mateus 12, em que ele diz que existe esse tal pecado imperdoável? Examinemos cada passagem em seu contexto , para reconhecermos o que ela está de fato dizendo, e como cada uma se relaciona com a segurança da nossa salvação. Gálatas 5 e a questão de cair da graça.

Nosso texto começa: Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. Ouçam bem o que eu, Paulo,lhes digo: Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá. De novo declaro a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a cumprir toda a lei. Voces, que procuram ser justificados pela Lei, separaram-se de Cristo; caíram da graça. Pois é mediante o Espirito que nós aguardamos pela fé a justiça, que é a nossa esperança.(1-5).

A quem se faz referencia e em que sentido eles caíram da graça? Todas as pessoas a quem Paulo estava escrevendo, haviam professado Jesus Cristo como Salvador e Senhor, do contrario, não teriam sido parte das igrejas da Galácia. Muitos vinham de uma formação judaica, enfatizando o esforço próprio , legalista , para agradar a Deus. Algumas não conseguiam desprezar essa formação, ainda que, a principio, tivessem respondido positivamente a mensagem de justificação do evangelho diante de Deus por meio da fé em Cristo e só nele.

A Realidade do Inferno


De acordo com pesquisas recentes, 81% dos americanos adultos acreditam no céu, e 80% esperam ir para lá quando morrerem. Em comparação, cerca de 61% acredita no inferno, mas menos de 1% pensa que é provável que ele irá para lá. Em outras palavras, uma pequena maioria de americanos ainda acredita que o inferno existe, mas o medo genuíno do inferno é quase inexistente.

Mesmo os evangélicos mais conservadores não parecem mais levar o inferno muito a sério. Durante décadas, muitos evangélicos têm minimizado verdades bíblicas inconvenientes, negligenciando qualquer tema que pareça exigir sombria reflexão. Doutrinas como a depravação humana, a ira divina, a excessiva pecaminosidade e a realidade do julgamento eterno desapareceram da mensagem evangélica.