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A Unção com Óleo - Quem deve ser ungido segundo Tg 5.14?






"Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor” (Tg 5.14)



A partir do estudo desta passagem, o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil acabou de aprovar a “unção com óleo”. A decisão diz o seguinte: 

1) Reafirmar que Deus é soberano para atender ou não, aos pedidos nas orações, segundo sua suprema vontade, independente da fé do crente. 

2) Determinar aos pastores e presbíteros que não unjam pessoas ou objetos com óleo durante cultos de qualquer natureza, públicos ou em casas, quer sejam reuniões ou encontros em quaisquer lugares. 

3) Permitir excepcionalmente que a unção com óleo seja realizada, exclusivamente em pessoas, nunca em objetos, pelos pastores e presbíteros somente quando forem convidados por membros enfermos de suas igrejas, em suas casas, orando por eles e suplicando de Deus o seu pronto restabelecimento.

4) Que a exceção mencionada no item anterior fica à discrição dos pastores e presbíteros das igrejas locais uma vez certificados de que o enfermo crente, não atribui poderes miraculosos ao óleo e também que seu emprego não irá gerar superstições e misticismo.

Sem dúvida, a questão da unção com óleo é complexa e não é nosso objetivo repudiar a decisão do Supremo Concílio, a qual tentou fazer justiça ao texto bíblico, e, provavelmente fez, na medida do possível. Nosso objetivo aqui é ponderar algumas observações que, talvez, lancem mais luz sobre o assunto e nos ajudem ver a questão sob outro ângulo.

Reformado Sim! Deformado Não!







A fé reformada, aquela que desde o Sec. 16 proclama a exclusividade da Bíblia como regra de fé e prática, que busca conduzir todos os aspectos da vida para a glória de Deus, tem sido redescoberta nesses tempos pós-modernos. Em grupos de compartilhamento em redes sociais se multiplicam todos os dias os admiradores (e também os críticos) dessa visão teológica. Mas será que há um genuíno reflorescimento da fé reformada nos dias atuais? Apesar do meu desejo pessoal de acenar positivamente, algumas coisas têm me feito ficar menos empolgado. Identifico inicialmente dois problemas com o único objetivo de promover reflexão e amadurecimento.

Resumo o primeiro problema como "muita discussão, pouca santidade". Espanta-me ver o modo como muitos crentes ditos reformados se comportam em redes sociais. O baixo nível do linguajar, a ira e animosidade diante do pensamento contrário, a absoluta falta de respeito. Ou seja, o problema é a falta de um verdadeiro testemunho de humildade e piedade que foi o estilo de vida dos grandes reformadores do passado. Outro dia, num fórum as pessoas estavam perguntando a opinião dos demais sobre um pregador brasileiro. Espantou-me ver o modo desrespeitoso como a maioria se referiu, mesmo o homem sendo reconhecido como um fiel expositor da Bíblia. “Ele é cópia do fulano” disse alguém. “Ele é exagerado naquilo” disse outro. Até críticas ao modo de se vestir e outras que eu teria vergonha de relatar aqui. Que é feito do respeito? Onde foi parar a polidez? Se não respeitam mais os próprios pastores, a quem respeitarão? De fato, a internet, às vezes, parece mesmo um grande “rebanho sem pastor”. Também se podem ver na internet fotos de pessoas fumando e bebendo ao lado de imagens de Spurgeon ou de Calvino. E a preocupação com o testemunho? Sei de “defensores” de doutrinas calvinistas que, infelizmente, dividem a mesma tela do computador com o grupo de discussão e sites pornográficos.

Em segundo lugar, identifico também “muita discussão, pouco conteúdo”. Ou seja, há um conhecimento superficial das doutrinas, levando muitos a tomar o todo pelas partes. Pessoas jovens demais, com conhecimento bem relativo, que fazem leituras apressadas dos textos dos reformadores (como lêem posts do facebook), sem a devida maturação, acabam tendo impressões muito equivocadas da teologia reformada. Nesse sentido, muitos escolhem suas "doutrinas favoritas” das quais fazem o "cavalo de batalha”, e tentam se promover defendendo pontos de vista polêmicos e complexos, deixando de tratar desses temas com o cuidado e a reverência que os reformadores trataram no passado. Predestinação e a origem do mal estão entre as doutrinas mais abusadas dos dias atuais. 

Meu conselho é o seguinte: se queremos ser reformados, precisamos entender que a teologia reformada não é meramente a defesa dessa ou daquela particularidade doutrinária, antes é um modo de vida consistente, que engloba o conhecimento profundo das Escrituras, o exercício intenso da piedade individual, a proclamação inteligente do Evangelho, e a consagração de todos os aspectos da vida diária para a glória de Deus. Do contrário, ela será deformada e não reformada.



** Texto Publicado pelo Rev. Leandro Lima em sua página no Facebook.

Calvino Ensinou a Expiação Limitada?




RESUMO


A doutrina reformada da expiação limitada vem de João Calvino? Dúvidas quanto a essa questão têm sido levantadas nos últimos tempos. Uma série de teólogos seguindo R. T. Kendall, o sucessor de D.M. Lloyd-Jones na Capela de Westminster, têm defendido que Calvino foi um universalista, pois acreditava que Cristo morreu por todos os homens indiscriminadamente, ainda que nem todos sejam salvos. Entretanto, a análise dos escritos de Calvino demonstra que o reformador de Genebra possuía um conceito de expiação que dificilmente poderia se encaixar no universalismo. Seu conceito eficaz da expiação que Cristo realizou na cruz, não apenas providenciando salvação, mas efetivando-a, bem como sua subordinação da expiação à eleição, impossibilitam a idéia de um escopo universal. E mesmo quando são analisados aqueles textos nos quais Calvino supostamente defenderia um escopo ilimitado para a expiação, percebe-se que ele faz isso apenas no que se refere à pregação do evangelho, mas quando tem que definir claramente a extensão da expiação, não tem dúvidas em apontar que foi feita pelos eleitos exclusivamente. Dessa forma, ainda que Calvino não tenha defendido expressamente uma doutrina da expiação limitada, o que foi feito posteriormente pelos teólogos que seguiram seu sistema, ainda assim as bases dessa doutrina são extraídas da teologia de Calvino. Portanto, os calvinistas apenas desenvolveram o tema a partir de Calvino, mas não romperam com ele. A extensão da expiação em Calvino não é universal, mas definida.

PALAVRAS-CHAVE

Expiação definida; universalismo; pregação universal; desenvolvimento do dogma.

INTRODUÇÃO

A partir do desenvolvimento da doutrina da expiação na tradição reformada, que tem a ver com a obra da redenção realizada por Cristo através de sua morte na cruz, a pergunta “por quem Cristo morreu?” passou a ter cada vez mais importância[1]. Devido ao entendimento de que o sacrifício de Cristo não apenas possibilita, mas realmente expia, ou seja, perdoa os pecados, a teologia reformada sustentou que Cristo morreu exclusivamente pelos pecados de seu povo. O fato é que os teólogos reformados começaram a pensar que a morte de Cristo não poderia realmente se estender a todos os homens sem exceção, pois isso implicaria na salvação de todos. O que a morte de Cristo poderia fazer por um Judas Iscariotes? Qual teria sido o benefício de Cristo derramar seu sangue por alguém que já estava no inferno quando Jesus morreu? Como diz Louis Berkhof, “a posição reformada é que Cristo morreu com o propósito de real e seguramente salvar os eleitos, e somente os eleitos. Isto equivale a dizer que Ele morreu com o propósito de salvar somente aqueles a quem Ele de fato aplica os benefícios da Sua obra redentora”.[2]

A doutrina reformada da expiação limitada é construída sobre a doutrina da predestinação. A doutrina da predestinação diz que Deus, desde toda a eternidade, tem escolhido para si um número certo e limitado de pessoas, as quais serão salvas, enquanto que tem preterido o restante, que deverá pagar por seus próprios pecados. Essa idéia reflete consistentemente o ensino da Confissão de Fé de Westminster, a clássica confissão reformada, que delimita a eficácia da morte de Cristo aos eleitos de Deus:

O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que, pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça de seu Pai, e, para todos aqueles que o Pai lhe deu, adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável no Reino dos Céus.[3]