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Experiência espiritual, verdadeira ou falsa?**



A questão mais crucial para a raça humana e para todo o indivíduo é: quais as características que distinguem as pessoas que gozam o favor de Deus - aquelas que estão de caminho para o céu ? Ou, de outra forma: qual a natureza da religião verdadeira ? Que tipo de religião pessoal é aprovado por Deus?
É difícil dar uma resposta objetiva para esse tipo de questão controversa; mais difícil ainda escrever objetivamente a respeito. O mais difícil é ler objetivamente sobre o assunto! Possivelmente muitos de meus leitores ficarão magoados ao descobrirem que critiquei muitas emoções e experiências religiosas neste livro. Por outro lado, talvez, outros fiquem irados quanto ao que defendi e aprovei. Tentei ser equilibrado. Não é fácil sustentar o que é bom em avivamentos religiosos, examinando e rejeitando ao mesmo tempo o que é ruim neles. Contudo, seguramente temos que fazer as duas coisas se quisermos que o reino de Cristo prospere.
Admito que há algo muito misterioso no assunto; existe tanta coisa boa misturada com tanta coisa má na Igreja! É tão misterioso quanto a mescla de bem e mal no cristão como indivíduo; mas nenhum desses mistérios é novo. Não é novidade o florescimento de religião falsa em tempo de avivamento, ou o aparecimento de hipócritas entre os verdadeiros fiéis. Isso ocorreu no grande avivamento no tempo de Josias, como vemos em Jer. 3:10 e 4:3-4. O mesmo se deu nos dias de João Batista. João despertou toda a Israel por suas pregações, mas a maioria apostatou pouco depois. João 5:35 - "por um tempo, estão dispostos a se alegrar em sua luz". O mesmo ocorreu quando o próprio Cristo pregou; muitos O admiraram por um tempo, mas poucos foram fiéis até o fim. De novo, a mesma coisa ocorreu quando os apóstolos pregaram, como sabemos pelas heresias e divisões que perturbaram as igrejas durante o tempo dos apóstolos.
Essa mistura da religião falsa com a verdadeira tem sido a maior arma de satanás contra a causa de Cristo. É por isso que devemos aprender a distinguir entre a religião verdadeira e a falsa - entre emoções e experiências que realmente advêm da salvação e as imitações que são exteriormente atraentes e plausíveis, porém falsas.
Deixar de distinguir entre religião verdadeira e falsa, tem conseqüências terríveis. Por exemplo:

(i) Muitos oferecem adoração falsa a Deus, pensando ser aceitável a Ele, mas que Ele rejeita.

(ii) Satanás engana a muitos sobre o estado de suas almas; desse modo arruína-os eternamente. Em alguns casos, satanás leva as pessoas a pensar que são extraordinariamente santas, quando na realidade são o pior tipo de hipócritas.

(iii) Satanás estraga a fé dos verdadeiros crentes; mistura deformações e corrupções à religião, causando os verdadeiros crentes a se tornarem frios em suas emoções espirituais. Ele confunde também a outros com grandes dificuldades e tentações.

(iv) Os inimigos explícitos do cristianismo se animam quando vêem a Igreja tão corrompida e desviada.

(v) Os homens pecam na ilusão de estarem servindo a Deus; portanto, pecam sem restrições.

(vi) Falso ensinamento ilude até os amigos do cristianismo a fazerem, sem perceber, o trabalho de seus inimigos. Destroem o cristianismo com muito mais eficiência que os inimigos declarados podem fazer, na ilusão de o estarem fazendo progredir.

(vii) Satanás divide o povo de Cristo e coloca-os uns contra os outros; os cristãos disputam acaloradamente, como que com zelo espiritual. O cristianismo degenera em disputas vazias; as partes em disputa correm para lados opostos, até que o caminho correto, ao meio, fica totalmente negligenciado.

Quando os cristãos vêem as terríveis conseqüências da falsa religião passar por religião verdadeira, suas mentes ficam perturbadas. Não sabem para onde se voltar nem o que pensar. Muitos duvidam da existência de qualquer realidade no cristianismo. Heresia, incredulidade e ateísmo começam a se propagar.

Por essas razões, é vital que façamos todo o possível para compreender a natureza da verdadeira religião. Até que o façamos, não podemos esperar que os avivamentos tenham longa duração, nem podemos esperar muito proveito de nossas discussões e debates religiosos, uma vez que sequer sabemos sobre o que estamos discutindo.

Meu plano é contribuir o máximo possível para a compreensão da verdadeira religião, com este livro. Tenciono mostrar a natureza e os sinais da verdadeira obra do Espírito na conversão de pecadores, como também salientar aquilo que não é uma verdadeira experiência de salvação. Se tiver sucesso, espero que este livro ajude a promover o interesse no genuíno cristianismo.

Que Deus aceite a sinceridade de meus esforços, e que os verdadeiros seguidores do manso e amoroso Cordeiro de Deus aceitem minha oferta com mentes abertas e com orações!


** Extraído do livro: "A Genuína Experiência Espiritual" - Jonathan Edwards


Sondando Sua Consciência



“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos, vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmos 139.23,24).




O Salmo 139 é uma meditação sobre a onisciência de Deus. Deus vê e sabe perfeitamente todas as coisas. O salmista apresenta esse perfeito conhecimento afirmando que Deus conhece todas as nossas ações (“Sabes quando me assento e quando me levanto” v. 2a); todos os nossos pensamentos (“de longe penetras os meus pensamentos” v. 2b); todas as nossas palavras (“Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, Senhor, já a conhece toda” v. 4).

Depois ele ilustra a impossibilidade de fugir da presença divina:

“Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa” (vs. 7-12).

Em seguida, fala do conhecimento que Deus tinha dele até mesmo antes do seu nascimento:

“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe" Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (vs. 13,15,16).

Depois disso, o salmista observa o que deve ser inferido como uma consequência necessária da onisciência de Deus: “Tomará, ó Deus, desses cabo do perverso” (v.19).

Finalmente, o salmista faz uma aplicação prática da sua meditação sobre a onisciência de Deus: ele implora para que Deus o sonde e o examine e veja se há nele algum caminho mau, e que o guie pelo caminho eterno. Obviamente, o salmista não está implorando que Deus o sonde para que Deus possa obter qualquer informação. O objetivo de todo o Salmo é a declaração de que Deus sabe todas as coisas. Por essa razão, o salmista está orando para que Deus o sonde a fim de que o próprio salmista possa ver e ser informado do pecado do seu próprio coração.

Davi obviamente examinou seu próprio coração e seus caminhos, mas não confiou nisso. Ele ainda temia que pudesse ter algum pecado desconhecido que tivesse escapado de sua própria sondagem; então pediu para que Deus o examinasse. Em outro lugar, Davi escreveu: “Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas” (Sl 19.12). Quando disse “faltas ocultas” ele quis dizer que elas lhe eram “secretas”, mas não era consciente deles. Todos nós deveríamos nos preocupar em saber se vivemos com algum tipo de pecado que até nós mesmos desconhecemos. Se alimentamos algum desejo secreto ou negligenciamos algum dever espiritual, nossos pecados escondidos são tão ofensivos a Deus e o desonram tanto quanto os conhecidos, evidentes e os notórios. Desde que somos tendentes ao pecado, e o nosso coração está cheio deles, devemos tomar um cuidado especial para evitar aqueles que são insolentes, involuntários e cometidos na ignorância.

Por que as pessoas vivem no pecado sem saber Nosso problema em reconhecer se há em nós algum caminho mau não é por falta da luz externa. Certamente Deus não falhou em nos dizer clara e abundantemente quais são os maus caminhos. Ele nos deu mandamentos mais do que suficientes que mostram o que deveríamos e o que não deveríamos fazer; e eles estão claramente colocados diante de nós na sua Palavra. Então, nossa dificuldade em conhecer nosso próprio coração não é pelo fato de nos faltarem normas adequadas.

Como é possível as pessoas viverem de maneira que desagradam a Deus e no entanto parecerem completamente insensíveis a isso e seguirem em frente totalmente esquecidas de seus pecados? Diversos fatores contribuem para essa tendência maligna da humanidade:

A natureza cega e enganosa do pecado

O coração humano é cheio de pecado e corrupção; e a corrupção tem um efeito espiritual de cegueira. O pecado sempre carrega um grau de obscuridade. Quanto mais ele prevalece, mais ele obscurece e ilude a mente. Ele nos cega para a realidade que está no nosso próprio coração. Assim, o problema não é, em absoluto, a falta da luz da verdade de Deus. A luz brilha suficientemente ao nosso redor, mas a falha está nos nossos olhos; estão obscurecidos e cegos pela incapacidade mortal que resulta do pecado.


Trecho do sermão "Sondando Sua Consciência" que você pode baixar em formato Ebook clicando na imagem:


Perdão Para os Maiores Pecadores


“Por amor do Teu nome, Senhor, perdoa minha iniquidade, pois é grande.”
(Salmos 25:11)


É evidente por algumas passagens deste salmo, que quando foi escrito, era um momento de aflição e perigo para Davi. Isto transparece particularmente até o 15º e seguintes versos: “Meus olhos estão sempre voltados para o Senhor; pois ele tirará os meus pés da rede”, e etc. Seu sofrimento o faz pensar de seus pecados, e leva-o a confessá-los e clamar a Deus por perdão, como é apropriado em um momento de aflição. Veja o verso 7: “Não te lembres dos pecados da minha mocidade, nem das minhas transgressões”; e verso 18: “Olha para a minha aflição, e minha dor, e perdoa todos os meus pecados”.

É observável no texto que argumentos o salmista usa ao implorar por perdão.

1. Ele implora perdão por causa do nome de Deus. Ele não tem nenhuma expectativa de perdão por causa de qualquer justiça ou merecimento dele por quaisquer boas ações que ele tenha feito, ou por qualquer compensação que havia feito por seus pecados; mesmo que se a justiça de um homem pudesse ser usada como argumento, Davi teria tido tantos argumentos quanto a maioria. Mas ele implora que Deus o perdoe por causa de Seu próprio nome, por Sua própria glória, pela glória da Sua própria Livre Graça, e pela honra da Sua própria fidelidade.

2. O salmista usa a grandeza de seus pecados como argumento para misericórdia. Ele não apenas não usa sua justiça própria como argumento, ou a insignificância de seu pecado; ele não apenas não diz: ‘Perdoa minha iniquidade, pois eu tenho feito tanto para compensá-las’; ou ‘Perdoe minha iniquidade, pois é pequena, e Tu não tens tanta razão para estar zangado comigo; minha iniquidade não é tão grande que tu tenhas qualquer justa causa para usá-la contra mim; minha ofensa não é tal que não possas negligenciá-la”, mas ao contrário, ele diz: ‘Perdoe minha iniquidade, pois ela e grande”; ele argumenta a grandeza de seu pecado, não a pequinês dele; ele reforça sua oração com essa consideração, que seus pecados são muito hediondos.

Mas como ele podia fazer disso um pleito para perdão? Eu respondo: Porque quanto maior sua iniquidade, maior a necessidade tinha de perdão. É como se ele tivesse dito ‘Perdoe minha iniquidade, pois ela é tão grande que eu não posso suportar a punição; meu caso será excessivamente miserável, a não ser que se agrades em me perdoar”. Ele faz uso da grandeza do seu pecado, para reforçar seu apelo por perdão, como um ho-mem usaria uma grande calamidade para implorar por alívio. Quando um mendigo implora por pão, ele argumentará sua grande pobreza e necessidade.

Quando um homem em perigo implora por piedade, que argumento mais adequado pode ser usado além da extremidade do seu caso? E Deus permite tal argumento como este, pois ele não é movido à misericórdia para conosco por nada em nós, além da grande miséria do nosso caso. Ele não se apieda de pecadores porque são dignos, mas por eles precisam de Sua compaixão.

DOUTRINA

Se nós realmente formos a Deus por misericórdia, a grandeza do nosso pecado não será impedimento para perdão. Se fosse um impedimento, Davi jamais teria usado isso como argumento, como vemos que ele faz neste texto.

Trecho do sermão "Perdão Para os Maiores Pecadores" que você pode baixar em formato E-book clicando na imagem:









O Terrível Estado Dos Não-Convertidos



“Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo?” (Atos 16:29,30)



Temos aqui e no contexto um relato da conversão do carcereiro, que é uma das mais notáveis nas Escrituras. Ele, anteriormente, parece não apenas ter estado completamente insensível às coisas da religião, mas ter sido um perseguidor, tendo perseguido estes mesmos homens, Paulo e Silas, embora agora venha a eles de forma tão urgente, per-guntando-lhes o que devia fazer para ser salvo. Lemos no contexto que todos os magistrados e multidões da cidade juntaram-se a uma em um tumulto contra Paulo e Silas, arrebatando-os, e lançando-os na prisão, encarregando o carcereiro da sua guarda. Imediatamente ele os lançou na prisão interior, e prendeu seus pés ao tronco. E é provável que não tenha agido assim meramente como um servo ou instrumento dos magistrados, mas que tenha se juntado com o resto do povo na sua fúria contra os apóstolos, e que assim o fez induzido por sua própria vontade, bem como pelas ordens dos magistrados, o que o fez executar suas ordens com tal rigor.

Mas quando, à meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores, repentinamente houve um grande terremoto, e Deus abriu de forma tão maravilhosa as portas da prisão, e todas as cadeias foram afrouxadas, o carcereiro ficou extremamente aterrorizado, e, em uma espécie de desespero, estava prestes a se matar. Mas Paulo e Silas gritaram para ele: “Não te faças mal algum, pois estamos todos aqui”. Então, pediu uma luz, e saltou dentro [ARC], como temos o relato no texto. Podemos observar:

1. O objeto de sua preocupação. Ele está ansioso acerca de sua salvação: está aterrori-zado por sua culpa, especialmente por sua culpa no maltrato destes ministros de Cristo. Está preocupado em escapar desse estado de culpa, o estado miserável que se encontrava devido ao pecado.

2. O senso que tem do horror do seu estado atual. Isto ele manifesta de diversas ma-neiras:

1. Por sua grande pressa em escapar desse estado. Por seu afã em inquirir o que deve fazer. Ele parece estar tolhido pela mais premente preocupação, sensível à sua presente necessidade de libertação, sem qualquer adiamento. Antes, estava quieto e seguro em seu estado natural; mas agora seus olhos foram abertos, está na mais urgente pressa. Se a casa estivesse em chamas sobre sua cabeça, não poderia ter sido mais diligente, ou estar mais apressado. Se apenas tivesse andado, poderia logo ter chegado a Paulo e Silas, para perguntar-lhes o que devia fazer. Mas estava em grande pressa para andar apenas, ou correr, pois saltou; pulou para o lugar em que estavam. Ele fugia da ira. Fugia do fogo da justiça divina, e por isso apressava-se, como alguém que foge pela sua vida.

2. Pelo seu comportamento e gesto diante de Paulo e Silas. Ele se prostrou. Que tenha se prostrado diante daqueles a quem havia perseguido, e atirado à prisão interior, e prendido os pés ao tronco, mostra qual era o estado de sua mente. Mostra alguma grande perturbação, que o alterou de tal maneira que o levou a isto. Estava, por assim dizer, despedaçado pela perturbação de sua mente, em um senso do horror de sua condição.

3. Sua maneira urgente de inquiri-los acerca do que devia fazer para escapar desta condição miserável: “Senhores, que devo fazer para ser salvo?” Estava tão perturbado, que foi levado a se dispor a qualquer coisa; ter a salvação em qualquer termo, e por qualquer meio, mesmo que difícil; foi levado, por assim dizer, a escrever uma fórmula, e entregá-la a Deus, para que Ele prescrevesse seus próprios termos.

DOUTRINA: Os que estão em um estado natural, estão em uma condição terrível.

Isto me esforçarei para provar por uma consideração particular do estado e condição das pessoas não regeneradas.


Trecho do sermão "O Terrível Estado dos Não-Convertidos" que você pode baixar em formato E-book clicando na imagem:




O Peregrino Cristão



A Vida do Verdadeiro Cristão: uma viagem para o Céu



“E confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. As pessoas que dizem tais coisas mostram que eles estão procurando um país próprio”. (Hebreus 11:13, 14)




O apóstolo está aqui estabelecendo as excelências da graça na fé, pelos efeitos gloriosos e resultado feliz disto nos santos do Antigo Testamento. Ele havia falado na parte anterior do capítulo particularmente, de Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara, Isaque e Jacó. Tendo enumerado essas instâncias, ele toma conhecimento de que “todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo -as de longe, crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros...” [Hebreus 11:13]. Nestas palavras, o apóstolo parece ter um respeito mais particular a Abraão e Sara, e a seus parentes, que vieram com eles de Harã, e de Ur dos caldeus, como aparece no versículo 15, onde o apóstolo diz, “E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportuni-dade de tornar”. Duas coisas podem ser observadas aqui:

1. Que estes santos confessaram de si mesmos: que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Assim, temos um relato particular a respeito de Abraão: “Estrangeiro e peregrino sou entre vós” [Gênesis 23:4]. E isso parece ter sido o sentimento geral dos patriarcas, pelo que Jacó diz a Faraó. “E Jacó disse a Faraó: Os dias dos anos das minhas pere-grinações são cento e trinta anos, poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida, e não chegaram aos dias dos anos da vida de meus pais nos dias das suas peregri-nações” [Gênesis 47:9]. “Porque sou um estrangeiro contigo e peregrino, como todos os meus pais” [Salmos 39:12].

2. A inferência que o apóstolo tira daqui: que eles procuravam outro país como sua casa. “Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria” [Hebreus 11:14]. Confessando que eram estrangeiros, eles claramente declararam que este não é o seu país, que este não é o lugar onde eles estão em casa. E ao confessarem ser peregri-nos, declararam claramente que esta não é a sua morada definitiva, mas que eles perten-cem a algum outro país, que eles procuravam, e para o qual eles estavam viajando”.


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Diretrizes de como conduzir-se a si mesmo na Caminhada Cristã




Carta de Jonathan Edwards a uma jovem
Escrita no ano de 1741




Minha querida jovem amiga,

Como era do seu desejo que eu a mandasse, por escrito, algumas diretrizes em como conduzir-se a si mesma em sua Caminhada Cristã, agora o faço. As doces lembranças das coisas maravilhosas que vi em sua igreja inspiram-me a fazer qualquer coisa que estiver a meu alcance, contribuindo para a alegria e prosperidade espirituais do povo de Deus que aí está.

1. Aconselho-te a manter o esforço e o fervor na religião, como se estivesse em seu estado natural, procurando converter-se. Aconselhamos pessoas com convicção a serem fervorosas e violentas para o Reino dos Céus; mas elas não devem ser menos vigilantes, trabalhadoras e fervorosas na seara quando já convertidas, porém, ainda mais, pois há infinitas coisas a mais a se fazer. Por ser esta uma característica que nos falta, muitas pessoas, em poucos meses de conversão, começam a perder seu doce e vivo senso das coisas espirituais, crescendo geladas e em trevas, “desviando-se da fé e a si mesmos se atormentando com muitas dores” (1 Tm 6; 10), enquanto se tivessem atentado às palavras do apóstolo em Filipenses 3; 12-14, seus caminhos seriam como “a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4; 18)

2. Não deixe de procurar a Deus, de jejuar e orar pelas mesmas coisas que exortamos a pessoas não-convertidas a orar e jejuar, tendo você já passado por este processo. Ore para que seus olhos estejam abertos, para que receba a visão correta, conhecendo-te a ti mesma, e para seus pés descansem em Deus. Que você veja a glória de Deus e Cristo, e tenha o amor de Cristo derramado em todo o teu coração. Aqueles quem tem a muitas destas coisas, ainda assim precisam orar por elas, pois ainda há tanta cegueira, dificuldade, orgulho e corrupção, que necessitam ter o trabalho de Deus sobre eles a fim de receber luz e vida, sendo trazidos da escuridão para a maravilhosa luz de Deus, recebendo como que uma nova conversão e ressurreição dos mortos. Há poucos deveres convenientes a um não-convertido que também não o são, de certa maneira, para o povo de Deus.


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Deus, A Melhor Porção do Cristão



“Quem tenho eu no céu senão a ti? E na terra não há quem eu deseje além de ti.” 
(Salmos 73. 25)



Neste salmo, o salmista Asafe relata a grande dificuldade que havia em sua mente ao observar os ímpios. Ele diz nos vv. 2 e 3: “Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos”. No v. 4, nos informa o que, nos ímpios, era o motivo de sua tentação. Em primeiro lugar, observa que eram prósperos e tudo lhes ia bem. Observa também o comportamento deles na prosperidade e o uso que faziam dela; e que Deus, apesar dos abusos, aumentava-lhes a prosperidade. Então, nos mostra de que maneira foi auxiliado nessa dificuldade, isto é, indo ao santuário, (vv. 16, 17), e procede para nos informar quais foram as considerações que o auxiliaram lá:

1. A consideração do fim miserável dos ímpios. Ainda que prosperem no presente, chegarão, contudo, a um lamentável fim (vv. 18-20).

2. A consideração do fim bendito dos santos. Embora esses enquanto vivem possam ser afligidos, contudo terão um fim feliz, (vv. 21-24).

3. A consideração de que o justo possui uma porção muito superior à do ímpio, embora não possua outra porção senão Deus, como mostra o texto e os versículos seguintes.

Ainda que os ímpios vivam na prosperidade e não tenham problemas como os demais homens, contudo os piedosos, mesmo afligidos, estão em estado infinitamente melhor, porque têm Deus por sua porção. Não precisam desejar nada mais, pois quem tem Deus, tem tudo. Assim o salmista professa o senso e apreensão que teve das coisas: “Quem mais tenho eu no céu? E na terra não há quem eu deseje além de Ti” (Sl 73:25)

No versículo imediatamente anterior (Sl 73:24), o salmista observa como os santos são felizes em Deus, tanto quando estão neste mundo, como quando são levados ao outro. São benditos em Deus aqui, pois Ele os guia com os seus conselhos; e quando os toma, ainda são felizes, pois Ele os recebe na glória. Provavelmente isso o levou, no texto, a declarar que não desejava outra porção quer neste mundo ou no porvir, quer no céu, quer na terra.


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Deus Glorificado na Dependência Humana


“A fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça e santificação, e redenção, para que, como está escrito: ‘Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1 Coríntios 1:29-31).



Os Cristãos a quem o apóstolo direciona esta Epístola habitavam em uma parte do mundo onde a sabedoria humana era grandemente reputada. Como o apóstolo observa, no versículo 22 deste capítulo: “Os gregos buscam sabedoria”. Corinto não ficava distante de Atenas, que havia sido, por muitos séculos, o mais famoso centro de filosofia e erudição no mundo. E, por esse motivo, o Apóstolo lhes observa como Deus, pelo Evan-gelho, destruiu e reduziu a nada a sabedoria deles. Os gregos eruditos e seus grandes filósofos, com toda a sua sabedoria, não conheceram a Deus, nem foram capazes de descobrir a verdade nas coisas divinas. Mas, após se esforçarem ao máximo, em vão, aprouve a Deus, por fim, revelar-se pelo Evangelho, o qual reputavam como tolice. Ele “escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são”. E o Apóstolo os informa em nossa passagem por que Deus assim o faz: “A fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus”. Nessas palavras, pode ser observado:

1. O que Deus almeja na maneira como dispõe as coisas na matéria da Redenção, a saber, que o homem não deva se gloriar em ninguém, senão nEle (1 Coríntios 1:29,31): “A fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus, para que, como está escrito: ‘Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor’”.

2. Como este propósito é alcançado na obra da Redenção, a saber, por aquela absoluta e imediata dependência que os homens têm de Deus, nessa obra, em relação a todos os seus benefícios. Uma vez que:

Primeiro, todo o bem que possuem é em e através de Cristo; Ele se tornou para nós sabedoria, justiça, santificação e redenção (1 Coríntios 1:30). Todo o bem da criatura caída e redimida está contido nestas quatro coisas, e não pode ser mais bem distribuído a não ser nelas. Cristo, porém, nos é cada uma delas, e não as possuímos de outra maneira senão nEle. Ele se tornou para nós sabedoria de Deus: nEle está todo bem e a verda-deira excelência do entendimento. A sabedoria era algo admirado pelos gregos; mas Cristo é a verdadeira luz do mundo. É somente através dEle que a verdadeira sabedoria é comunicada à mente. É em e por Cristo que temos a justiça: é por estar nEle que somos justificados, temos os pecados perdoados, e somos recebidos como justos no favor de Deus. É por Cristo que temos a santificação: temos nEle verdadeira excelência de coração, bem como de entendimento; e Ele é feito em nós justiça inerente bem como imputada. É por Cristo que temos a redenção, ou a verdadeira libertação de toda miséria, e a concessão de toda felicidade e glória. Assim, temos todo nosso bem por Cristo, que é Deus.

Em segundo lugar, outro exemplo em que nossa dependência de Deus para todo nosso bem se evidencia é nisto: foi Ele que nos deu Cristo, para que, através dele, tivéssemos estes benefícios: “se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça”, etc.

Em terceiro lugar, é por Ele que estamos em Cristo Jesus, e viemos a ter interesse nEle, e assim recebemos aquelas bênçãos que se tornaram para nós. É Deus quem nos dá a fé pela qual nos firmamos em Cristo.

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Aquietai-vos e Sabei Que Eu Sou Deus


“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” 
(Salmo 46:10)




Este Salmo soa como um hino da igreja em tempos de grande turbulência e desolações no mundo. É por isso que a Igreja se gloria em Deus como seu amparo, sua força e socorro bem presente, mesmo em tempos de grandes tribulações e dificuldades. “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza.” (Versículos 1, 2, 3).

A igreja se gloria em Deus, não apenas por Ele ser o seu ajudador, que a defende quando o resto do mundo se vê envolto em desgraças e calamidades, mas porque, como rio refrescante, lhe dá ânimo e alegria, mesmo em meio da calamidade pública. “Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã.” (vv. 4, 5). Nos versículos 6 e 8 se declara as profundas mudanças e calamidades que agitavam o mundo: “As nações estão em tumulto, os reinos caem, lança-lhe a sua voz, e a terra se derrete. Vinde, contemplai as obras do SENHOR, que trouxe desolação na terra.” No texto que se segue se expressa admiravelmente a maneira como Deus livra a igreja destas desgraças, especialmente dos desastres da guerra e da fúria de seus inimigos: “Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo”. Ou seja, Ele faz cessar as guerras quando são contra o Seu povo, Ele quebra o arco quando se verga contra Seus santos.

Segue então estas palavras: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”. A soberania de Deus se manifesta em suas grandes obras, as quais aparecem descritas nos versos anteriores. Aqueles mesmas terríveis desolações que Ele desencadeou em Seu desígnio de livrar Seu povo utilizando meios terríveis, mostram também a Sua grandeza e Seu Senhorio. Através de tudo isto, demonstração de poder e soberania, e assim ordena a todos estar quietos, e reconhecer que Ele é Deus. Porque disse: “sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra.”


Trecho do sermão "Aquietai-vos e Sabei que Eu Sou Deus" que você pode baixar em formato E-book clicando na imagem:



A Soberania de Deus na Salvação dos Homens




“Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer”
(Romanos 9:18)




O apóstolo, no início deste capítulo, expressa sua grande preocupação e tristeza de coração pela nação dos Judeus, que foram rejeitados por Deus. Isso o leva a observar a diferença que Deus fez por eleição entre alguns dos Judeus e outros, e entre a maior parte daquele povo e os Cristãos Gentios. Ao falar isso, ele entra em uma discussão no ponto mais específico da Soberania de Deus na eleição de alguns para a vida eterna, e rejeição dos outros, do que é encontrado em qualquer outra parte da Bíblia; no curso da qual ele cita várias passagens do Antigo Testamento, confirmando e ilustrando esta Doutrina. No versículo 9, ele nos remete ao que Deus disse a Abraão, mostrando a Eleição de Isaque ao invés de Ismael – “Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho”, então o que Deus disse a Rebeca, mostrando a sua eleição de Jacó ao invés de Esaú; “O maior servirá ao menor”. No verso 13, a uma passagem de Malaquias: “Amei a Jacó, e odiei a Esaú”. No verso 15, para o que Deus disse a Moisés: “Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia”. E o verso anterior do texto, para o que Deus diz a Faraó: “Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra”. Nisto que o apóstolo diz no texto, ele parece ter respeito especialmente aos dois últimos trechos citados: o que Deus disse a Moisés no versículo 15, e para o que ele disse a Faraó no versículo imediatamente anterior. Deus disse a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia”. A isso o apóstolo se refere na primeira parte do texto. E nós sabemos quão frequentemente é dito de Faraó, que Deus endureceu o seu coração. E assim o apóstolo parece ter se referido na última parte do texto: “e endurece a quem quer”. Podemos observar no texto:

1. O tratamento diferente de Deus para com os homens. Ele se compadece de alguns, e endurece a outros. Quando Deus é mencionado aqui como endurecendo alguns dos filhos dos homens, não é preciso entender que Deus por qualquer eficiência positiva endurece o coração de qualquer homem. Não há ato positivo em Deus, como se opor a qualquer poder para endurecer o coração. Supor tal coisa seria fazer de Deus o autor imediato do pecado. É dito de Deus a endurecer o coração dos homens em duas formas: através da retenção das poderosas influências do seu Espírito, sem o qual seu coração permanecerá endurecido, e crescendo cada vez mais em dureza; neste sentido, ele os endurece, devido a deixá-los endurecer. E, novamente, ao ordenar as coisas na Sua Providência, que, por meio do abuso de Sua corrupção, tornam-se ocasião de seu endurecimento. 

Assim, Deus envia Sua palavra e ordenanças aos homens que, pelo seu abuso, provoca uma ocasião de seu endurecimento. Assim, o apóstolo disse, que ele era para alguns “um cheiro de morte para morte” [2 Coríntios 2:16]. Assim, Deus é representado como enviando Isaías sobre esta incumbência, para engordar o coração deste povo, e fazer-lhe pesados os ouvidos, e fechar-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado (Isaías 6:10). A pregação de Isaías era, em si, de uma tendência contrária, para torná-los melhores. Mas o seu abuso desta a tornava uma ocasião de seu endurecimento. Como Deus é dito aqui endurecendo os homens, assim é dito que Ele pôs um espírito de mentira na boca dos falsos profetas (2 Crônicas 18:22). Ou seja, Ele tolerou um espírito de mentira entrar neles. E assim Ele se diz ter ordenado Simei amaldiçoar Davi (2 Samuel 16:10). Não que Ele diretamente lhe ordenara; pois é contrário aos mandamentos de Deus. Deus proíbe expressamente amaldiçoar o governante do povo (Êxodo 22:28). Mas Ele, naquele tempo, suportou a corrupção das obras de Simei, e ordenou aquela ocasião agitada como uma manifestação do seu descontentamento contra Davi.


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A Porção dos Ímpios



“Mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça. Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego”. (Romanos 2:8, 9 – ARA)



É a intenção do apóstolo Paulo, nos três primeiros capítulos desta Epístola, mostrar que tanto Judeus quanto Gentios estão debaixo do pecado e que, portanto, não podem ser justificados por obras da lei, mas apenas pela fé em Cristo. No primeiro capítulo, ele mostrou que os Gentios estavam debaixo do pecado. Neste, mostra que os judeus também estão, e que, conquanto fossem severos nas suas censuras aos Gentios, faziam as mesmas coisas que condenavam, pelo que o apóstolo os acusa: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas”. E os adverte que não sigam por este caminho, prevenindo-os da miséria a que ficariam expostos, e dando-lhes a entender que, ao invés de sua miséria ser menor que a dos Gentios, seria maior, pelo fato de Deus ter sido mais benevolente para com eles do que para com os Gentios. Os Judeus achavam que estavam livres da ira vindoura, porque Deus os escolhera para ser Seu povo peculiar. Mas o apóstolo os informa que haveria indignação e ira, tribulação e angústia, para a alma de todo homem, não apenas dos Gentios, mas para toda alma, e para o do Judeu primeiramente e em especial, quando faziam o mal, pois seus pecados tinham mais agravantes.

Na passagem lida, encontramos:

1. Uma descrição dos ímpios, na qual podem ser observadas aquelas suas características que têm a natureza de uma causa, e as que têm a natureza de um efeito.

Aquelas características dos ímpios aqui mencionadas que têm a natureza de uma causa são o fato de serem facciosos, e não obedecerem à verdade, mas obedecerem à injustiça. Ser faccioso significa ser avesso à verdade, disputar com o Evangelho, achar defeitos nas suas declarações e ofertas. Os incrédulos encontram muitas coisas nos caminhos de Deus em que tropeçam, e pelas quais se ofendem. Sempre estão disputando e achando defeitos em uma coisa ou outra. Com isso são impedidos de crer na verdade e render-se a ela. Cristo é para eles uma pedra de tropeço, uma rocha de ofensa. Não obedecem à verdade, ou seja, não se rendem a ela, não a recebem com fé. Esse render-se à verdade e abraçá-la, que se encontra na fé salvífica, é chamado de obedecer, na Escritura. Romanos 6:17: “Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues”. Hebreus 5:9: “E, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem”.

Mas os ímpios obedecem à injustiça, ao invés de se render ao Evangelho. Estão sob o poder e domínio do pecado, e são escravos de suas luxúrias e corrupções.

São nestas características dos ímpios que está a essência de sua impiedade. Sua descrença e oposição à verdade e sua submissão servil aos desejos pecaminosos são o fundamento de toda impiedade.

Aquelas características dos ímpios que têm a natureza de um efeito são o fazer o mal. Esta é a sua menor oposição contra o Evangelho, e é por serem servilmente submissos a seus desejos carnais que fazem o mal. Aqueles princípios ímpios são o fundamento, e a prática ímpia é a estrutura. Aqueles são a raiz, esta, o fruto.

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A Mudança e a Perpetuidade do Sabath




“Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for”.  
(1 Coríntios 16: 1, 2)



Encontra-se mencionada com frequência no Novo Testamento uma coleta, feita pelas igrejas Gregas para os irmãos da Judeia, que estavam reduzidos a uma aguda necessidade devido a uma fome que então prevalecia, e que era ainda mais crítica para eles devido a suas circunstâncias, tendo sido, desde o início, oprimidos e perseguidos pelos Judeus incrédulos. Esta coleta, ou contribuição, é mencionada duas vezes no livro de Atos (11:28-30 e 24:17). Também é notada em diversas Epístolas, como em Romanos 15:26 e em Gálatas 2:10. Todavia, é mais amplamente insistida nestas duas Epístolas aos Coríntios. Na primeira, no capítulo 16, e na segunda, nos capítulos 8 e 9. O apóstolo inicia suas instruções, que aqui ele entrega com relação a este assunto, com as palavras do nosso texto, no qual observamos:

1. Qual é o dever que o apóstolo os instrui a fazer: o exercício e a manifestação de caridade para com seus irmãos, repartindo com eles para o suprimento de suas necessidades. Isto foi com frequência insistido por Cristo e pelos apóstolos como um dever primordial da religião Cristã, e é assim expressamente declarado ser pelo Apóstolo Tiago, no capítulo 1:27: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações”.

2. Observamos o tempo em que o Apóstolo os orienta para que isto seja feito, isto é, “no primeiro dia da semana”. Pela inspiração do Espírito Santo, ele insiste nisso, que seja feito nesse dia específico da semana, como se nenhum outro fosse tão bom, ou tão apropriado e adequado para tal Obra. Assim, embora o Apóstolo inspirado não devesse fazer aquela distinção de dias, nos tempos do Evangelho, que os Judeus faziam, como aparece em Gálatas 4:10: “Guardais dias, e meses, e tempos, e anos”. etc., contudo, aqui, dá preferência a um dia da semana antes de qualquer outro, para a realização de determinado grandioso dever do Cristianismo.

3. Pode ser observado que o Apóstolo ordenou às outras igrejas que estavam concen-tradas no mesmo dever que o fizessem no primeiro dia da semana, 1 Coríntios 16:1: “fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia”. Logo, podemos aprender que não havia nada peculiar às circunstâncias dos Cristãos em Corinto, que fosse a razão pela qual o Espírito Santo insistiu que a coleta fosse realizada neste dia da semana. Paulo havia dado ordens semelhantes às igrejas da Galácia. Ora, a Galácia era muito distante de Corinto. O mar as separava, e havia muitos países entre elas. Portanto, não se pode pensar que o Espírito Santo os orientasse neste sentido por motivos seculares, obser-vando circunstâncias particulares do povo dessa cidade, mas sim por motivos religiosos. Ao dar a preferência a este dia da semana para tal obra, antes de qualquer outro, Ele tem em vista algo que alcança a todos os Cristãos, em todos os lugares.

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A Agonia de Cristo




“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão” (Lucas 22:44)




Nosso Senhor Jesus Cristo, em Sua natureza original, era infinitamente acima de todo o sofrimento, pois Ele era “Deus sobre todos, bendito eternamente”; mas, quando Ele se tornou homem, Ele não foi somente capaz de sofrer, mas participou dessa natureza que é extremamente débil e exposta ao sofrimento. A natureza humana, por causa de Sua fraqueza, é nas Escrituras comparada com a erva do campo, que facilmente murcha e se deteriora. Assim, é comparada com uma folha; e ao restolho seco; e uma rajada de vento, e da natureza do homem fraco é dito ser pó e cinza, por ter o Seu fundamento em pó, e por ser esmagada pela traça. Foi esta natureza, com toda a Sua fraqueza e exposição aos sofrimentos, que Cristo, que é o Senhor Deus onipotente, tomou sobre si. Ele não tomou a natureza humana para Ele em Seu primeiro, mais perfeito e vigoroso estado, mas nesse estado desesperadamente fraco em que Ele está desde a queda; e, assim, Cristo é chamado de “renovo”, e “a raiz de uma terra seca”, Isaías 53:2: “Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desse-jássemos”. 

Desta forma, como a principal missão de Cristo no mundo foi sofrer, assim, agradavelmente a essa incumbência, Ele veio com tal natureza e, em tais circunstâncias, como mais feitas para abrir caminho para o Seu sofrimento; por isso toda a Sua vida foi repleta de sofrimento, Ele começou a sofrer em Sua infância, mas Seu sofrimento aumentou à medida que Ele se aproximava do fim de Sua vida. Seu sofrimento após o início de Seu ministério público era provavelmente muito maior do que antes; e a última parte do tempo de Seu ministério público parece ter sido distinguido pelo sofrimento. Quanto mais Cristo viveu no mundo, quanto mais os homens viram e ouviram dEle, mais eles O odiavam. Seus inimigos estavam cada vez mais enfurecidos pela continuação da oposição que Ele fez às suas concupiscências; e o Diabo tendo sido muitas vezes confundido por ele, cresceu mais e mais em fúria, e cada vez mais reforçou a batalha contra Ele, de modo que a nuvem sobre a cabeça de Cristo crescia mais e mais escura, enquanto Ele vivia no mundo, até que estivesse em Sua maior escuridão, quando Ele foi pendurado na cruz e clamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste!” Antes disso, era extremamente escuro, no momento de Sua agonia no jardim; do que temos um relato nas palavras agora lidas; as quais proponho-me a fazer o tema do discurso presente. A palavra agonia significa propriamente um conflito sério, como é testificado em batalhar, correr ou lutar. E, portanto, em Lucas 13:24. “Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão”. A palavra no original, traduzida como porfiai é agwnizesqe. “Agonize, para entrar pela porta estreita”. 

A palavra é usada especialmente para esse tipo de luta, que na época era exibida nos jogos Olímpicos, em que os homens se esforçavam pela maestria na corrida, luta, e outros tipos tais de exercícios; e um prêmio era estabelecido, o qual era concedido ao vencedor. Aqueles que, assim, sustentaram, foram, na linguagem então usada, ditos agonizar. Assim, o apóstolo em Sua epístola aos Cristãos de Corinto, uma cidade da Grécia, onde tais jogos eram exibidos anualmente, diz em alusão aos esforços dos combatentes: “E todo aquele que luta”, no original, todo aquele que agoniza, “de tudo se abstém”. O local onde foram realizados os jogos foi chamado Agwn, ou o lugar da agonia; e a palavra é particularmente usada nas Escrituras para aquele esforço em fervo-rosa oração onde as pessoas lutam com Deus; elas dão ditas agonizarem, ou estarem em agonia, em oração. Assim, a palavra é usada em Romanos 15:30: “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus”; no original, sunagwnizesqai moi, que vos agonizeis comigo. Assim em Colossenses 4:12: “[...]combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus”. No original agwnizwn , agonizando por vós. De modo que quando é dito no texto que Cristo estava em agonia, o significado é, que a Sua alma estava em uma grande e séria luta e conflito. Isto foi assim em dois aspectos:

1. À medida que Sua alma estava em um grande e doloroso conflito com aquelas terríveis e incríveis visões e apreensões, as quais Ele tinha naquela ocasião.

2. À medida que Ele estava, ao mesmo tempo, em grande labor e séria luta com Deus em oração.

Proponho, portanto, ao discursar sobre o tema da agonia de Cristo, distintamente desdobrá-lo nestas duas proposições: 

I. Que a alma de Cristo em Sua agonia no jardim tinha com aquelas terríveis e incríveis visões e apreensões, das quais Ele era então sujeito.

II. Que a alma de Cristo em Sua agonia no jardim tinha um grande e sério labor e luta com Deus em oração.


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