“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos, vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmos 139.23,24).
O Salmo 139 é uma meditação sobre a onisciência de Deus. Deus vê e sabe perfeitamente todas as coisas. O salmista apresenta esse perfeito conhecimento afirmando que Deus conhece todas as nossas ações (“Sabes quando me assento e quando me levanto” v. 2a); todos os nossos pensamentos (“de longe penetras os meus pensamentos” v. 2b); todas as nossas palavras (“Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, Senhor, já a conhece toda” v. 4).
Depois ele ilustra a impossibilidade de fugir da presença divina:
“Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa” (vs. 7-12).
Em seguida, fala do conhecimento que Deus tinha dele até mesmo antes do seu nascimento:
“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe" Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda” (vs. 13,15,16).
Depois disso, o salmista observa o que deve ser inferido como uma consequência necessária da onisciência de Deus: “Tomará, ó Deus, desses cabo do perverso” (v.19).
Finalmente, o salmista faz uma aplicação prática da sua meditação sobre a onisciência de Deus: ele implora para que Deus o sonde e o examine e veja se há nele algum caminho mau, e que o guie pelo caminho eterno. Obviamente, o salmista não está implorando que Deus o sonde para que Deus possa obter qualquer informação. O objetivo de todo o Salmo é a declaração de que Deus sabe todas as coisas. Por essa razão, o salmista está orando para que Deus o sonde a fim de que o próprio salmista possa ver e ser informado do pecado do seu próprio coração.
Davi obviamente examinou seu próprio coração e seus caminhos, mas não confiou nisso. Ele ainda temia que pudesse ter algum pecado desconhecido que tivesse escapado de sua própria sondagem; então pediu para que Deus o examinasse. Em outro lugar, Davi escreveu: “Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas” (Sl 19.12). Quando disse “faltas ocultas” ele quis dizer que elas lhe eram “secretas”, mas não era consciente deles. Todos nós deveríamos nos preocupar em saber se vivemos com algum tipo de pecado que até nós mesmos desconhecemos. Se alimentamos algum desejo secreto ou negligenciamos algum dever espiritual, nossos pecados escondidos são tão ofensivos a Deus e o desonram tanto quanto os conhecidos, evidentes e os notórios. Desde que somos tendentes ao pecado, e o nosso coração está cheio deles, devemos tomar um cuidado especial para evitar aqueles que são insolentes, involuntários e cometidos na ignorância.
Por que as pessoas vivem no pecado sem saber Nosso problema em reconhecer se há em nós algum caminho mau não é por falta da luz externa. Certamente Deus não falhou em nos dizer clara e abundantemente quais são os maus caminhos. Ele nos deu mandamentos mais do que suficientes que mostram o que deveríamos e o que não deveríamos fazer; e eles estão claramente colocados diante de nós na sua Palavra. Então, nossa dificuldade em conhecer nosso próprio coração não é pelo fato de nos faltarem normas adequadas.
Como é possível as pessoas viverem de maneira que desagradam a Deus e no entanto parecerem completamente insensíveis a isso e seguirem em frente totalmente esquecidas de seus pecados? Diversos fatores contribuem para essa tendência maligna da humanidade:
A natureza cega e enganosa do pecado
O coração humano é cheio de pecado e corrupção; e a corrupção tem um efeito espiritual de cegueira. O pecado sempre carrega um grau de obscuridade. Quanto mais ele prevalece, mais ele obscurece e ilude a mente. Ele nos cega para a realidade que está no nosso próprio coração. Assim, o problema não é, em absoluto, a falta da luz da verdade de Deus. A luz brilha suficientemente ao nosso redor, mas a falha está nos nossos olhos; estão obscurecidos e cegos pela incapacidade mortal que resulta do pecado.
Trecho do
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