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Deus Odeia o Pecado e se Entristece com o Homem que Peca?




Pergunta recebida pelo Rev. Heber Carlos:

"Fico confuso com as afirmações de Paul Washer, pois o mesmo assevera que a ira de Deus é real agora e sem misericórdia contra o pecador". 

Muitos têm dúvidas quanto a seguinte questão: "A ira de Deus não será derramada somente no final na consumação contra aqueles que não creram?"

São perguntas que pontuam tais dúvidas e que não há como um pastor ou ministro fugir delas!

Partimos do seguinte princípio:

Deus odeia o pecado e isto é fato! Só que o pecado nunca está separado do pecador. Assim, não existe forma de Deus punir o pecado sem punir pessoas. Se existisse alguma outra maneira de punir pecado sem dar a justa punição às pessoas pecadoras, Jesus Cristo não teria sido morto na cruz. Então neste  cenário Jesus se fez homem (Jo 1.14), para morrer na cruz. Porque? Por que não é possível punir o pecado sem punir o pecador.

É importante ainda que saibamos que quando a bíblia diz que devemos amar as pessoas, é pelo fato de que devemos ansiar pela salvação delas. E até que Cristo venha (parousia) é possível que pessoas sejam transformadas e não sofram da ira. No entanto é bom esclarecer para que entendamos isso, uma vez que a bíblia usa a linguagem de ira como sendo já no tempo presente, um exemplo: "quem não está em Cristo é por natureza filho da ira" (Ef. 2.3)

Outrossim, é a própria Escritura que nos informa que somos filhos da ira, até que Deus nos resgate via sacrifício de Cristo na Cruz. A nossa natureza é pecaminosa, pois já nascemos em pecado. Davi  relata que "nasci em iniquidade e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl. 51.5).

Diante disto, não há como negar que somos filhos da ira e sujeitos à ela, até que Deus nos preserve por amor de Cristo que se entregou "fazendo-se homem de dores" (Is. 53.3) por nós os outrora filhos da ira.


O que é idolatria?*




Antes de iniciar nosso estudo, preciso definir “idolatria”. A exposição do pri­meiro mandamento (“Não terás outros deuses além de mim” [Êx 20.3]) feita por Martinho Lutero no catecismo maior continha o seguinte texto: “Tudo aquilo a que o seu coração se apega e se entrega com fé, isso é seu Deus; bastam apenas a confiança e a fé do coração para constituir tanto a Deus quanto ao ídolo”[1]. A esse pequeno trecho, eu acrescentaria: “Tudo aquilo a que seu coração se apega e em que confia como segurança definitiva”. “Ídolo é tudo o que exige a lealdade devida exclusivamente a Deus”[2]. Essas definições de idolatria são básicas e úteis. A pala­vra “idolatria” pode referir-se à adoração de outros deuses que não são o Deus verdadeiro ou à veneração de imagens. Conforme o conceito do Antigo Oriente Próximo e do Antigo Testamento, o ídolo ou a imagem contêm a presença da divindade, mas essa presença não se limita à imagem[3]. Christopher Wright resume bem a avaliação bíblica definitiva da suposta realidade divina por trás dos ídolos:

Embora deuses e ídolos sejam alguma coisa no mundo, eles não são nada compa­rados ao Deus vivo […]

Ainda que os deuses e os ídolos sejam ferramentas dos portais do mundo demoníaco ou a porta de entrada para esse mundo, o veredicto irrevogável da Escri­tura é que eles são obra de mãos humanas, produtos da nossa imaginação caída e rebelde […]

O principal problema da idolatria é que ela obscurece a distinção entre Deus, o Criador, e a criação. Isso danifica a criação (em que nós mesmos nos incluímos) e diminui a glória do Criador.

O que dizer dos salmos imprecatórios?**




O Livro dos Salmos foi apropriadamente descrito por Garry Brantley como um infalível e inerrante “conjunto de canções e orações que cobre uma variedade de temas”[1]. Alguns dos salmos são de adoração: individual (30, 34) e coletiva (66,75); alguns são de peregrinação (120-134); alguns são messiânicos (2, 45, 110); alguns celebram o reinado universal de Deus (47, 93, 99); alguns são orações: de indivíduos (3, 4, 38) e da comunidade (44, 79); alguns são penitenciais (32, 51) e alguns são de imprecação (69, 109). O assunto deste estudo são os salmos imprecatórios.

Salmos imprecatórios, citando Gleason Archer, são aqueles que “contêm apelos a Deus para que derrame sua ira sobre os inimigos do salmista”[2]. Ou, nas palavras de J. A. Motyer, eles são “salmos que contêm passagens que buscam o prejuízo de outrem”[3]. À primeira vista, essas “orações de destruição” podem parecer estar em desacordo com a responsabilidade cristã de amar os inimigos (Mt 5.44). Reflexão adicional, todavia, revelará que esse não é o caso.
Quanto ao número de salmos imprecatórios, há diferentes opiniões. Alguns estudiosos vêm somente três, outros, até vinte. A razão para essa diferença é que há um número de salmos que contém elementos de maledicência. Para este escritor, parece que há, pelo menos, dez desses salmos: 7, 35, 55, 58, 69, 79, 83, 109, 137 e 139.