Talvez você já tenha algum dia se deparado com uma passagem na Bíblia difícil de entender. Quem sabe você já tenha procurado uma resposta para o significado do texto, mas a construção das frases parece não ajudar muito. Ou quem sabe você possua uma tradução cuja linguagem seja bastante idiomática e coloquial, e parece não ter quase ou nenhuma semelhança com aquela que você ouve ler na igreja. Você pode, então, se perguntar: “Por que essas diferenças? São confiáveis as traduções que usamos? Qual seria a versão mais fiel?”
Para respondermos a essas perguntas precisamos tecer algumas considerações sobre o que é envolvido no trabalho de tradução das Escrituras. Lembre-se, porém, de que a Bíblia é inerrante, é infalível, pois Deus é seu autor. Ao mesmo tempo foi escrita por seres humanos falíveis e pecadores como qualquer um de nós, estando sujeita à ação do tempo, de cópias manuscritas sucessivas, resultando em pequenos deslizes de ortografia, de alteração e/ou supressão de palavras ou até mesmo de passagens inteiras.
A Bíblia foi originalmente escrita em hebraico, aramaico e grego, num espaço de 1500 anos, aproximadamente. Esses idiomas diferem bastante das atuais línguas que levam o mesmo nome. Até a invenção da imprensa, no século XV, os textos bíblicos eram copiados à mão, somando milhares de manuscritos. O primeiro livro impresso graficamente foi uma edição da Bíblia na famosa versão Vulgata Latina, de Jerônimo. O trabalho de impressão levou cinco anos para ficar pronto (1450-1455)[1].
Mais tarde, com o florescimento da Reforma Protestante, houve um interesse, por parte de estudiosos, de se voltar aos textos originais. Foi assim que Erasmo, de Roterdã, preparou e imprimiu, em 1516, seu Novo Testamento Grego, que serviu de base para várias traduções feitas no período da Reforma[2]. Depois dele vários outros eruditos procuraram compilar suas próprias edições do Novo Testamento Grego[3]. Daí, um dos motivos porque temos diferenças entre as traduções da Bíblia usadas atualmente.
Sendo que existem poucas diferenças importantes entre os manuscritos hebraicos e aramaicos, passemos para algumas considerações sobre as edições do Novo Testamento Grego usadas nas traduções contemporâneas.
Texto Recebido ou Textus Receptus
É o texto baseado nos manuscritos disponíveis na Época da Reforma, cuja primeira compilação foi feita por Erasmo[4]. É usado, por exemplo, na versão de Almeida Corrigida e Revisada Fiel.
