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Podemos Julgar?





Bom, hoje eu quero falar sobre um assunto bastante corriqueiro em nosso meio, chamado “julgamento”. Tenho navegado pela blogosfera cristã e lido bons textos, mas com poucos comentários, o que me levou a pensar, o porque deles não terem comentários. São textos ótimos, esclarecedores e que deveriam ser lidos por muitos, são textos bons, alguns até polêmicos, mas, sem comentários.

Não faz sentido. Diante do que temos visto hoje em dia em nosso meio, como a palavra de Deus sendo trocada por métodos feitos por homens corruptos, amantes de si mesmo, irreconciliáveis tudo isso acontecendo dentro dos Templos... Que não tem como não questionar e colocar pra fora tudo o que pensamos e denunciar todo engano e mentira, pois o julgamento deve começar por nossa casa.

Na busca por uma resposta, acabei conversando com uma amiga, ela me disse que existia muita gente com medo de expor o seu pensamento, por achar que se assim o fizesse estaria julgando ao próximo. 

Aí, eu pensei, julgando?  Muitos usam de Mateus 7.1 e dizem que não podemos julgar. Mas vamos ver o que quer dizer o versículo de Mateus 7.1:

Realmente Jesus proíbe o julgamento aqui, mas que tipo de julgamento ele se refere?

Vamos analisar o contexto, pois texto sem contexto é pretexto para heresia. Bom vamos lá, da maneira com que julgas serás julgado e com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! “Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” Mt 7:2-5 Gente nesta passagem Jesus proíbe o julgamento hipócrita, Jesus diz que eles não devem julgar, já no versículo 2 ele da a razão pela qual não se deve julgar. Ou seja, o que ele quis dizer é que do mesmo jeito que se julgam os outros, será o mesmo jeito que os outros usarão para julgá-los. Eles não devem ignorar seus próprios erros enquanto condenam os mesmos erros dos outros. Ou seja, quem age assim julga hipocritamente. Foi isso que Jesus quis dizer. Então só não devemos julgar hipocritamente e de maneira caluniosamente. Então, não devemos pensar desta forma, até porque, tudo o que é postado em nosso meio é analisado mediante a palavra de Deus, pois se contrariar as escrituras seu comentário será desprezado por falta de respaldo Bíblico. Isso não é julgamento, e sim, analisar segundo os nossos parâmetros cristãos, sem fazer juízo de valor de quem quer que seja. Foi isso que o Nosso Senhor nos mandou fazer: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça" (Jo 7; 24).

A luz da Palavra de Deus, aprendemos que não devemos julgar caluniosamente (Mt 7.1,2),mas devemos julgar no sentido de discernir, provar, examinar e emitir opinião embasada na Palavra (Mt 7.15; Jo 7.24; etc.). Por isso, julgo, examino, provo, pois o espiritual discerne bem tudo (1 Co 2.15).

Quando a pessoa não emite a sua opinião ou afirma não entrar no mérito da questão para não julgar ao próximo, ela demonstra estar se omitindo com relação ao assunto por covardia ou timidez, para não se dispor com o outro. Só que ao fazer isso, alegando ser fruto do seu amor fraternal, muitas das vezes, ela acaba ficando mal com Deus por contrariar as escrituras em favor de uma questão sem respaldo bíblicos. Como disse: (Edmund Burke) "Para que o mal prevaleça, basta que o bem não faça nada".

Portanto, nem todo juízo é errado. Pode-se julgar mal ou julgar bem. Toda mãe recomenda: "aos seus filhos para terem juízo". Ou sua mãe nunca lhe recomendou isso? Devemos julgar retamente, para poder ajudar os outros.

Infelizmente no mundo atual qualquer repudio ao erro é considerado preconceito e no meio cristão é considerado juízo, só que essa linha de pensamento demonstra que a pessoa não quer mudar e não aceita ser criticada pela sua má conduta. Elas esquecem que opinião preconcebida ocorre quando não há erro, basta não gostar da pessoa para julgá-la e se no meio evangélico isso também ocorrer de igual modo é preconceito. Quem julga com base na lei é duro na sua avaliação, mas quem julga pela verdade da palavra, julga com amor e equidade.

Como eu posso amar me omitindo das verdades da escritura? O amor anda junto com a verdade. E a verdade é a palavra de Deus.

Como diz um querido amigo meu: O amor sem a verdade é fraco e sem influência. Já a verdade sem o amor é rígida demais, sem misericórdia. O amoroso Deus é santo e justo. (Pr. Ciro)

Aí eu pergunto: Como priorizar o amor, em detrimento da verdade contrariando o que diz a Palavra de Deus?

Paz meus queridos!


Publicado originalmente no Blog da Rô


As profecias e a particular interpretação



Já vimos o texto de  2 Pedro 1.20 sendo usado para "combater" aqueles que discordam da igreja, principalmente os reformadores em relação à Igreja Católica. Ainda é possível encontrar, mesmo no meio protestante, clérigos que usam este trecho da Escritura para desestimular qualquer oposição. Mas afinal, o que Pedro realmente queria dizer?


"Assim, temos ainda mais firme a palavra dos profetas, e vocês farão bem se a ela prestarem atenção, como a uma candeia que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em seus corações. Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo." 2 Pedro 1.19-20

Ele se refere à "palavra dos profetas" e a "Escritura". Naquela época se costumava apelidar o Antigo Testamento, a Bíblia daqueles tempos, de a "Lei e os Profetas". Lei era a referência à Torah, os cinco primeiros livros da Bíblia cristã, e Profetas seriam os livros escritos por profetas ou que continham a mensagem destes. Portanto, parece claro que o autor se refere aos escritos proféticos do Antigo Testamento. Essa característica é especialmente relevante levando-se em consideração que o tema principal da carta é o retorno de Jesus e as profecias a respeito deste evento.

No verso 21 ele pontua que a profecia (atenção para o uso do artigo definido: não é qualquer profecia, é "a" profecia) nunca foi produzida por vontade de homens. O autor então coloca o Espírito Santo como o agente inspirador daqueles que falaram e escreveram da parte de Deus. A evidência aponta, portanto, para o Espírito do Senhor como Aquele por trás das profecias que se encontram no AT e, consequentemente, como o agente que ajuda o homem a interpretá-las.

E a "interpretação pessoal"?

As traduções mais comuns trazem "de particular interpretação". O fato é que o verso 20 ganha ares de advertência para aqueles que pretendem chegar a "novas verdades" ou a "novas revelações" sozinhos. Ainda que a palavra de Deus nos inste a ser um pouco céticos e buscar sempre uma posição mais esclarecida em relação àquilo que nos é ensinado (veja o exemplo Bereano em
 Atos 17.11)
, também nos pede atenção para que o nosso filtro não seja meramente o julgamento individual, a "particular interpretação".

Assim sendo, pedindo sempre a orientação do Espírito de Deus, devemos usar como filtros tanto a
 Bíblia (João 17.17
quanto os irmãos da igreja (1 Pedro 2.9). A Palavra de Deus por meio de uma rotina sistemática de estudo e leitura, e os irmãos na fé através da interação, do diálogo e de livros que possam esclarecer eventuais pontos nebulosos.

A ressalva de Pedro torna-se bastante relevante para nós hoje que, muitas vezes arrogantemente, achamos que nosso julgamento individual é critério suficiente para interpretar a Bíblia, e sobretudo as profecias.



Texto publicado originalmente em: Questão de Perspectiva







A Arca da Ganância



Após a conclusão do Templo de Salomão (que deveria ser chamado Templo de Mamon), surge mais um objeto espantoso: uma réplica revestida de ouro da Arca da Aliança. O objeto era o mais sagrado do antigo templo de Israel, representava a presença de Deus na Velha Aliança. Com a primeira destruição do templo no século 6 a.C., a arca se perdeu, talvez tenha sido levada para Babilônia e derretida. Só o Indiana Jones no cinema conseguiu encontrá-la.

No meu post anterior sobre o templo que teve milhares de compartilhamentos (muito mais do que eu esperava) também recebi algumas críticas. As principais foram: inveja e escândalo para os incrédulos. O velho argumento do “pare de criticar e vá trabalhar” também foi evocado. Sobre “inveja" não vou perder tempo respondendo. Sobre “escândalo”, creio que a acusação está invertida. Não sou eu quem está escandalizando os incrédulos. Segundo a Escritura, os desvios do verdadeiro Evangelho é que são “escândalos”. Além do mais, o mundo precisa saber que há muitos cristãos que não concordam com essas loucuras e megalomanias do Macedo e similares. Sobre “pare de criticar e vá trabalhar”, penso que uma coisa não elimina a outra. Devemos trabalhar, pregar o Evangelho, mas, ao mesmo tempo, temos a responsabilidade bíblica de apontar os desvios que deturpam e envergonham o verdadeiro Evangelho (Gal 1.6-9, Col 3.8, 16-19, 1Tm 4.1-2, 2Tm 4.-5, 2Ped 2.1-3).

Fica cada vez mais explícita a intenção mercadológica de todos esses empreendimentos. Num video que circula na internet, o Macedo chamou os empresários que haviam dado dinheiro para a obra à frente e lhes disse: "agora, Deus fica na obrigação de abençoar você, é uma troca".

Se chamei o templo do Macedo de “aberração”, preciso chamar essa arca de “abominação” (Is 44.19). Sim, pois trata-se de um objeto da mais pura e terrível idolatria. As pessoas simples, sem discernimento, olharão para esse objeto pensando que encontrarão ali o seu milagre. Mais uma vez, o grande problema é justamente abandonar o verdadeiro Cristo por objetos feitos por mãos humanas. Deixar de lado a pura e límpida mensagem da Cruz, poderosa para salvar todos os arrependidos, por uma mensagem poluída, gananciosa, que torna os seguidores nada mais do que avarentos em busca de bens materiais.

E nesse caso, há um curioso fator adicional: Em Jeremias 3.16, a Escritura diz: "Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra”. O Edir Macedo fez.

Texto publicado originalmente pelo Rev. Leandro Lima via Facebook.

Não somos Todos Nazarenos!


Inicialmente quero fazer duas afirmações:

Primeira: "não sou um cristão iraquiano";
Segunda: Não sou "contra" as orações de intercessão aos cristãos que sofrem perseguições no Iraque.

Isto posto, como brasileiro não sei o que é perseguição religiosa, para simplesmente postar em "repúdio" ou "apoio" ou mais fraternamente ainda me "solidarizar" com o sofrimento alheio uma imagem descrita com um semicírculo pontuado em redes sociais. Simplesmente não vejo isso como genuíno. Essa mesma imagem que lá pelas bandas do oriente médio simboliza descaso, totalitarismo religioso onde os que não professam as doutrinas do Islã são perseguidos mortos, e têm seus bens expropriados para fomentar ainda mais a intolerância religiosa.

A tal imagem inscrita nas casas dos cristãos iraquianos é uma letra do alfabeto árabe, que corresponde à letra “N” do alfabeto latino. As casas dos iraquianos convertidos ao cristianismo são marcados com a letra “N” de “Nazarat” ou nazareno. Este é o termo pejorativo com o qual são chamados os cristãos no Alcorão[1]Tal imagem se tornou um viral nas redes sociais conclamando o “mundo cristão” a orar pelos cristãos árabes, em especial os do Iraque. O problema é que no Brasil tudo se generaliza demais, logo, a imagem postada em perfis de infinda redes sociais se tornou o mote para “Somos todos Nazarenos”. Mesmo?!

Como cristão não preciso de uma peça publicitária ou um viral que me incite a orar por alguém - meu próximo, até mesmo porque isso é um mandamento de nosso Senhor "Orai uns pelos outros"...

Como brasileiro não sei o que é ter meus bens expropriados por causa da minha crença em Deus. É muito cômodo eu postar uma imagem de apoio aos cristãos do mundo árabe, enquanto aqui por essas bandas construímos templos de Herodes, onde muitos devoram uma teologia de mercado. Vivemos em um adorável conforto e comodismo consumindo todo tipo de idolatria gospel: imagens, estilo de vida gospel, cantores gospel que ficaram ricos (com muito trabalho e talento, diga-se de passagem!), mas que explora em demasia a alma católica dos cristãos brasileiros que são místicos culturalmente.

Fica a sensação de que sempre queremos produzir algo, porque de certa forma Deus não se mostra suficiente. Ledo engano! Deus é soberano e em essência suficiente. É fácil orar por uma causa quando essa tem os olhos do mundo voltado para as suas mazelas. Difícil é um clamor genuíno como o descrito no livro de II Cr. 7.14-16:

"E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração deste lugar. Porque agora escolhi e santifiquei esta casa, para que o meu nome esteja nela perpetuamente; e nela estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias". 

Vivemos tempos onde tudo é extravagante e sobrenatural é muito misticismo em seu pior estado! Creio que nós como cristãos devemos ter uma relação mística com Deus, mas não permeá-la com o sincretismo da era apostólica moderna.

Não sou nazareno e não tenho a pretensão de sê-lo. Não nasci em Nazaré! Sou brasileiro sem a pecha de muito orgulho e muito amor, mas que sonha em ver um país melhor, e acima de tudo que anela por ver uma igreja brasileira séria, ética com valores verdadeiramente cristãos, para que experimentemos juntos como um só corpo qual a boa perfeita e agradável vontade de Deus em Cristo Jesus. No mais oremos uns pelos outros.

Amém!




[1] http://www.aleteia.org/pt/mundo/noticias/iraque-somos-todos-nazarenos-5805477346672640

De Tiririca a Astronauta Tupiniquim




Em abril de 2006 escrevi um texto no (Recanto das Letras), sobre a ida do primeiro “astronauta” brasileiro ao espaço. Para minha falsa surpresa após 7 anos da aventura sideral o homem do espaço tipo tupiniquim quer se aventurar na política (Folha de São Paulo), o mesmo tem grandes ambições políticas o que também não me causa espanto, uma vez que por essas bandas temos de tudo de Monique Evans em ala psiquiátrica prometendo sair candidata a lá Tiririca na Câmara dos Deputados a astronauta querendo ser deputado de olho em ministérios, nada de anormal – o anormal é a falta de senso crítico que nunca se reflete nas urnas. Alguns podem dizer: "O Gigante acordou!", não sou pessimista, só o tempo dirá se esse é um despertamento genuíno ou uma simples quimera de comportamento coletivo.
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Segue abaixo o texto na íntegra:
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Deus Não é Brasileiro, o Astronauta sim!
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Neil Armstrong ao assistir o lançamento da nave espacial russa Soyuz, sorri como a quem assiste a um episódio cômico, a ida do Homo Sapiens Brasilis, vulgo Marcos Pontes, que está prestes a ser canonizado por ser o primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço. Aqui nos trópicos é assim, os primeiros são canonizados ou beatificados, coisas de um “povin” místico maltratado pelas mazelas e desmandos de um sistema político corrupto e ineficiente em tudo, menos na arte dos Ali Babás...
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Santos Dumont inventou o avião?! E por um motivo inusitado a mídia criou o primeiro astronauta brasileiro, mais um marketing a um custo chinfrim de R$ 10.000.000,00 pagos pelo governo Lula de um Brasil Para Todos, que o colocou à bordo da nave Soyuz, para mais um golpe de propaganda, já que não há notícia de resultados científicos relevantes alcançados na viagem sideral. Talvez a resposta rápida e imediata fosse uma possível rota de desvio dos velhos novos problemas de escândalos e corrupções. Há os que se orgulham, pois, amanhã o nosso astronauta estampará livros didáticos e revistas que discutirão quais os benefícios que o nosso homem do espaço trouxe enquanto olhava admirado e assustado a beleza inigualável de nosso planeta. Não consigo conceber qual o benefício da ida do nosso astronauta ao espaço. Não temos tecnologia que acompanhe as grandes potências, a Base de Alcântara é uma fábula para gringos verem e se deliciarem, afinal o dólar deles paga o mingau de poucos esfomeados pelo poder e suas benesses.
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Enquanto assistia nos jornais a aterrissagem da sonda espacial, me veio a triste constatação de que nascia um ícone e morria um cidadão. Será badalado, fotografado, entrevistado, contará estórias de “astronauta-pescador-espacial”, terá idéias e teorias de como devemos proceder para entrar de vez na corrida espacial, pois, a China já está a anos luz de nós. Se isso chegar a acontecer devemos lembrar-lhe que no caso da China eles não trabalharam com teorias, foram mais de 10 anos de investimentos em massa começando pela educação.
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Enquanto isso aqui nos trópicos vivemos a realidade imaginando um espaço abstrato que só existe na ficção científica. Mas, de qualquer forma já visualizo o nosso Astronauta ou Cosmonauta de Mármore, que ao desfilar em carro de Corpo de Bombeiros ao invés de ouvir os gritos de felicitações do cortejo na sua cabeça estará ouvindo Nenhum de Nós, e sua eterna trilha sonora “a trajetória escapa o risco nu, as nuvens queimam o céu nariz azul, desculpe estranho eu voltei mais puro do céu”.

Falta de Ética: O Pincel que matou Lula e FHC

Qual seria a sensação de olhar para um quadro em uma exposição da Bienal-SP e se deparar com Lula tendo sua garganta cortada, e FHC levando um tiro à queima-roupa? No mínimo curioso. Nada de abstrações, impressionismos ou pós-impressionismos. E o artista plástico Gil Vicente, autor das obras ainda adverte: “A lista é muito mais extensa”, em seu rol encontram-se “persona non grata” que vai de Bush ao Papa Bento XVI.


Lula ao ter sua garganta cortada me veio uma sensação de alivio imediato. Como o mandatário da República gosta de vociferar: “nunca antes na história deste país” – um presidente falou tanta besteira. O mesmo não se atém as funções precípuas do executivo. Há uma confusão generalizada quando olhamos pelo prisma das atribuições que são inerentes à cada um dos poderes. O executivo governa somente do ponto de vista de suas funções atípicas, seja legislando ou julgando. O interessante é que legisla e julga somente em causa própria. Faz vistas grossas às mazelas do governo popular, mas, é pontual em apontar o dedo às favas alheias. Caem ministros, secretários e altos funcionários sempre ligado ao PT, que agora insere mais um sofisma na sociedade: o de “partido mais amado do Brasil”, mas, a imagem do presidente permance intacta, o que aumenta a sensação de inamovibilidade do presidente, que outrora era um nordestino pobre de menino filho do sertão. Aquele menino, cresceu tornou-se o presidente mais popular da história do país. Tal popularidade acoberta as falhas do PAC, bem como, os escândalos que se tornaram uma constante do governo petista.

Tal popularidade permite ao presidente usar todo o aparato da máquina pública para fazer uma imagem caricata da candidata petista Dilma Roussef, que nem de longe inspira o mesmo carisma do presidente filósofo. A Presidência da República usa funcionários e equipamentos da NBR, TV oficial do governo, para filmar comícios de sua suscessora, dos quais o presidente participa, sempre alegando não saber de nada, seria cômico se não fosse trágico para o país.

FHC levando um tiro à queima-roupa foi emblemático, uma vez que o “crime artístico” não teve os mesmos “requintes de crueldade”. O tiro provavelmente o atravessará acertando o Serra, que está muito paz e amor, em momento algum assumiu a condição de opositor. Talvez ele tenha a consciência de que “quem não tem teto de vidro, que atire a primeira pedra”.

A série “Inimigos” do artista Gil Vicente, que será exposta na 29ª Bienal de São Paulo, que abre ao público no próximo dia 25, tem encontrado resistência por parte da OAB-SP, uma vez que a mesma rotula a obra de fazer apologia ao crime. Não se trata de apologia, e sim de uma forma de expressar o descontentamento com a realidade sóciopolítica. Realidade que transcende a verossimilhança quando se descumpre a eticidade e a moralidade – isso sim é apologia. Como o próprio artista diz “apologia ao crime é o que o nosso governo faz o tempo todo, é o que os políticos fazem, como roubar dinheiro público". 


Como dizia Dalmo de Abreu Dallari em uma palestra sobre ética na Fundação Abrinq,“creio que uma discussão a respeito da ética pode nos ajudar a viver, com mais consciência do que nós próprios somos, mais conscientes das nossas possibilidades e responsabilidades. A ética individual não é desligada da ética social exatamente porque ninguém vive sozinho, todos vivem necessariamente num grupo humano, todos vivem necessariamente em associação”. Lula e seus asseclas disfarçados de ministros, secretários, se esqueceram da realidade e pensam que estão vivendo no fantástico mundo de Tim Burton. Com a apologia à corrupção e a ignorância, querem nos levar para a caverna e nos submeter aos grilhões.

No mais, fique atento ao parousia!