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Não somos Todos Nazarenos!


Inicialmente quero fazer duas afirmações:

Primeira: "não sou um cristão iraquiano";
Segunda: Não sou "contra" as orações de intercessão aos cristãos que sofrem perseguições no Iraque.

Isto posto, como brasileiro não sei o que é perseguição religiosa, para simplesmente postar em "repúdio" ou "apoio" ou mais fraternamente ainda me "solidarizar" com o sofrimento alheio uma imagem descrita com um semicírculo pontuado em redes sociais. Simplesmente não vejo isso como genuíno. Essa mesma imagem que lá pelas bandas do oriente médio simboliza descaso, totalitarismo religioso onde os que não professam as doutrinas do Islã são perseguidos mortos, e têm seus bens expropriados para fomentar ainda mais a intolerância religiosa.

A tal imagem inscrita nas casas dos cristãos iraquianos é uma letra do alfabeto árabe, que corresponde à letra “N” do alfabeto latino. As casas dos iraquianos convertidos ao cristianismo são marcados com a letra “N” de “Nazarat” ou nazareno. Este é o termo pejorativo com o qual são chamados os cristãos no Alcorão[1]Tal imagem se tornou um viral nas redes sociais conclamando o “mundo cristão” a orar pelos cristãos árabes, em especial os do Iraque. O problema é que no Brasil tudo se generaliza demais, logo, a imagem postada em perfis de infinda redes sociais se tornou o mote para “Somos todos Nazarenos”. Mesmo?!

Como cristão não preciso de uma peça publicitária ou um viral que me incite a orar por alguém - meu próximo, até mesmo porque isso é um mandamento de nosso Senhor "Orai uns pelos outros"...

Como brasileiro não sei o que é ter meus bens expropriados por causa da minha crença em Deus. É muito cômodo eu postar uma imagem de apoio aos cristãos do mundo árabe, enquanto aqui por essas bandas construímos templos de Herodes, onde muitos devoram uma teologia de mercado. Vivemos em um adorável conforto e comodismo consumindo todo tipo de idolatria gospel: imagens, estilo de vida gospel, cantores gospel que ficaram ricos (com muito trabalho e talento, diga-se de passagem!), mas que explora em demasia a alma católica dos cristãos brasileiros que são místicos culturalmente.

Fica a sensação de que sempre queremos produzir algo, porque de certa forma Deus não se mostra suficiente. Ledo engano! Deus é soberano e em essência suficiente. É fácil orar por uma causa quando essa tem os olhos do mundo voltado para as suas mazelas. Difícil é um clamor genuíno como o descrito no livro de II Cr. 7.14-16:

"E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração deste lugar. Porque agora escolhi e santifiquei esta casa, para que o meu nome esteja nela perpetuamente; e nela estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias". 

Vivemos tempos onde tudo é extravagante e sobrenatural é muito misticismo em seu pior estado! Creio que nós como cristãos devemos ter uma relação mística com Deus, mas não permeá-la com o sincretismo da era apostólica moderna.

Não sou nazareno e não tenho a pretensão de sê-lo. Não nasci em Nazaré! Sou brasileiro sem a pecha de muito orgulho e muito amor, mas que sonha em ver um país melhor, e acima de tudo que anela por ver uma igreja brasileira séria, ética com valores verdadeiramente cristãos, para que experimentemos juntos como um só corpo qual a boa perfeita e agradável vontade de Deus em Cristo Jesus. No mais oremos uns pelos outros.

Amém!




[1] http://www.aleteia.org/pt/mundo/noticias/iraque-somos-todos-nazarenos-5805477346672640

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