“Mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça. Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego”. (Romanos 2:8, 9 – ARA)
É a intenção do apóstolo Paulo, nos três primeiros capítulos desta Epístola, mostrar que tanto Judeus quanto Gentios estão debaixo do pecado e que, portanto, não podem ser justificados por obras da lei, mas apenas pela fé em Cristo. No primeiro capítulo, ele mostrou que os Gentios estavam debaixo do pecado. Neste, mostra que os judeus também estão, e que, conquanto fossem severos nas suas censuras aos Gentios, faziam as mesmas coisas que condenavam, pelo que o apóstolo os acusa: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas”. E os adverte que não sigam por este caminho, prevenindo-os da miséria a que ficariam expostos, e dando-lhes a entender que, ao invés de sua miséria ser menor que a dos Gentios, seria maior, pelo fato de Deus ter sido mais benevolente para com eles do que para com os Gentios. Os Judeus achavam que estavam livres da ira vindoura, porque Deus os escolhera para ser Seu povo peculiar. Mas o apóstolo os informa que haveria indignação e ira, tribulação e angústia, para a alma de todo homem, não apenas dos Gentios, mas para toda alma, e para o do Judeu primeiramente e em especial, quando faziam o mal, pois seus pecados tinham mais agravantes.
Na passagem lida, encontramos:
1. Uma descrição dos ímpios, na qual podem ser observadas aquelas suas características que têm a natureza de uma causa, e as que têm a natureza de um efeito.
Aquelas características dos ímpios aqui mencionadas que têm a natureza de uma causa são o fato de serem facciosos, e não obedecerem à verdade, mas obedecerem à injustiça. Ser faccioso significa ser avesso à verdade, disputar com o Evangelho, achar defeitos nas suas declarações e ofertas. Os incrédulos encontram muitas coisas nos caminhos de Deus em que tropeçam, e pelas quais se ofendem. Sempre estão disputando e achando defeitos em uma coisa ou outra. Com isso são impedidos de crer na verdade e render-se a ela. Cristo é para eles uma pedra de tropeço, uma rocha de ofensa. Não obedecem à verdade, ou seja, não se rendem a ela, não a recebem com fé. Esse render-se à verdade e abraçá-la, que se encontra na fé salvífica, é chamado de obedecer, na Escritura. Romanos 6:17: “Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues”. Hebreus 5:9: “E, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem”.
Mas os ímpios obedecem à injustiça, ao invés de se render ao Evangelho. Estão sob o poder e domínio do pecado, e são escravos de suas luxúrias e corrupções.
São nestas características dos ímpios que está a essência de sua impiedade. Sua descrença e oposição à verdade e sua submissão servil aos desejos pecaminosos são o fundamento de toda impiedade.
Aquelas características dos ímpios que têm a natureza de um efeito são o fazer o mal. Esta é a sua menor oposição contra o Evangelho, e é por serem servilmente submissos a seus desejos carnais que fazem o mal. Aqueles princípios ímpios são o fundamento, e a prática ímpia é a estrutura. Aqueles são a raiz, esta, o fruto.
Trecho do
sermão "A Porção dos Ímpios" que
você pode baixar em formato E-book clicando na imagem:

Nenhum comentário:
Postar um comentário