A questão mais crucial para a raça humana e para todo o indivíduo é: quais as características que
distinguem as pessoas que gozam
o favor de Deus - aquelas que
estão de caminho para o céu ? Ou,
de outra forma: qual a natureza da religião verdadeira ? Que tipo de
religião pessoal é aprovado por Deus?
É difícil dar uma resposta objetiva para esse tipo de questão controversa; mais difícil ainda escrever objetivamente
a respeito. O mais difícil é ler objetivamente sobre o assunto!
Possivelmente muitos de meus leitores ficarão magoados ao descobrirem que
critiquei muitas emoções e experiências religiosas neste livro. Por outro lado,
talvez, outros fiquem irados quanto ao que defendi e aprovei. Tentei ser equilibrado. Não é fácil sustentar o que é bom em avivamentos religiosos, examinando e rejeitando ao
mesmo tempo o que é ruim neles. Contudo, seguramente temos que fazer as
duas coisas se quisermos que o reino de Cristo prospere.
Admito que há algo muito misterioso no assunto; existe tanta coisa boa
misturada com tanta coisa má na Igreja! É tão misterioso quanto a mescla de bem e mal no cristão como
indivíduo; mas nenhum desses
mistérios é novo. Não é novidade o florescimento de religião falsa em tempo de avivamento, ou o aparecimento
de hipócritas entre os verdadeiros
fiéis. Isso ocorreu no grande avivamento no tempo de Josias, como vemos
em Jer. 3:10 e 4:3-4. O mesmo se deu nos dias de
João Batista. João despertou toda a Israel por suas pregações, mas a maioria apostatou pouco depois. João 5:35 -
"por um tempo, estão dispostos
a se alegrar em sua luz". O mesmo ocorreu quando o próprio Cristo pregou; muitos O admiraram por um tempo,
mas poucos foram fiéis até o fim. De
novo, a mesma coisa ocorreu quando os apóstolos pregaram, como sabemos pelas heresias e divisões que perturbaram
as igrejas durante o tempo dos apóstolos.
Essa mistura da religião falsa com a
verdadeira tem sido a maior arma de satanás contra a causa
de Cristo. É por isso que devemos aprender a distinguir entre a religião
verdadeira e a falsa - entre emoções e experiências que realmente advêm da
salvação e as imitações que são
exteriormente atraentes e plausíveis, porém falsas.
Deixar de distinguir entre religião verdadeira e falsa, tem conseqüências
terríveis. Por exemplo:
(i) Muitos oferecem adoração falsa a Deus, pensando ser
aceitável a Ele, mas que Ele rejeita.
(ii) Satanás engana a muitos sobre o estado de suas almas;
desse modo arruína-os eternamente. Em alguns casos, satanás leva as
pessoas a pensar que são extraordinariamente santas, quando na realidade são o
pior tipo de hipócritas.
(iii) Satanás estraga a fé dos verdadeiros crentes; mistura deformações e corrupções à religião, causando os
verdadeiros crentes a se tornarem frios em suas emoções espirituais. Ele
confunde também a outros com grandes dificuldades e tentações.
(iv) Os inimigos explícitos do cristianismo se animam
quando vêem a Igreja tão corrompida e desviada.
(v) Os homens pecam na ilusão de estarem servindo a Deus; portanto, pecam sem
restrições.
(vi) Falso ensinamento ilude até os amigos do cristianismo a fazerem, sem
perceber, o trabalho de seus inimigos. Destroem o cristianismo com muito mais eficiência que os inimigos declarados podem
fazer, na ilusão de o estarem fazendo progredir.
(vii) Satanás divide o povo de Cristo e coloca-os uns contra
os outros; os cristãos disputam acaloradamente, como que com
zelo espiritual. O cristianismo degenera em
disputas vazias; as partes em disputa correm para lados opostos, até que
o caminho correto, ao meio, fica totalmente negligenciado.
Quando os cristãos vêem as terríveis conseqüências da falsa religião passar por religião verdadeira, suas
mentes ficam perturbadas. Não sabem para onde se voltar nem o que pensar.
Muitos duvidam da existência de qualquer realidade no cristianismo. Heresia,
incredulidade e ateísmo começam a se propagar.
Por essas razões, é vital que façamos todo o possível para
compreender a natureza da verdadeira religião. Até que o façamos, não podemos esperar que os avivamentos tenham
longa duração, nem podemos esperar muito proveito de nossas discussões e
debates religiosos, uma vez que sequer
sabemos sobre o que estamos discutindo.
Meu plano é contribuir o máximo possível para a
compreensão da verdadeira religião, com este livro. Tenciono mostrar a natureza
e os sinais da verdadeira obra do Espírito
na conversão de pecadores, como também
salientar aquilo que não é uma verdadeira experiência de salvação. Se tiver
sucesso, espero que este livro ajude a promover o interesse
no genuíno cristianismo.
Que Deus aceite a sinceridade de meus esforços, e que os verdadeiros
seguidores do manso e amoroso Cordeiro de Deus aceitem minha oferta com mentes
abertas e com orações!
** Extraído do livro: "A Genuína Experiência Espiritual" - Jonathan Edwards
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