A fé reformada,
aquela que desde o Sec. 16 proclama a exclusividade da Bíblia como regra de fé
e prática, que busca conduzir todos os aspectos da vida para a glória de Deus,
tem sido redescoberta nesses tempos pós-modernos. Em grupos de compartilhamento
em redes sociais se multiplicam todos os dias os admiradores (e também os
críticos) dessa visão teológica. Mas será que há um genuíno reflorescimento da
fé reformada nos dias atuais? Apesar do meu desejo pessoal de acenar
positivamente, algumas coisas têm me feito ficar menos empolgado. Identifico
inicialmente dois problemas com o único objetivo de promover reflexão e
amadurecimento.
Resumo o primeiro
problema como "muita discussão, pouca santidade". Espanta-me ver o
modo como muitos crentes ditos reformados se comportam em redes sociais. O
baixo nível do linguajar, a ira e animosidade diante do pensamento contrário, a
absoluta falta de respeito. Ou seja, o problema é a falta de um verdadeiro
testemunho de humildade e piedade que foi o estilo de vida dos grandes
reformadores do passado. Outro dia, num fórum as pessoas estavam perguntando a
opinião dos demais sobre um pregador brasileiro. Espantou-me ver o modo
desrespeitoso como a maioria se referiu, mesmo o homem sendo reconhecido como
um fiel expositor da Bíblia. “Ele é cópia do fulano” disse alguém. “Ele é
exagerado naquilo” disse outro. Até críticas ao modo de se vestir e outras que
eu teria vergonha de relatar aqui. Que é feito do respeito? Onde foi parar a
polidez? Se não respeitam mais os próprios pastores, a quem respeitarão? De
fato, a internet, às vezes, parece mesmo um grande “rebanho sem pastor”. Também
se podem ver na internet fotos de pessoas fumando e bebendo ao lado de imagens
de Spurgeon ou de Calvino. E a preocupação com o testemunho? Sei de “defensores”
de doutrinas calvinistas que, infelizmente, dividem a mesma tela do computador
com o grupo de discussão e sites pornográficos.
Em segundo lugar,
identifico também “muita discussão, pouco conteúdo”. Ou seja, há um
conhecimento superficial das doutrinas, levando muitos a tomar o todo pelas
partes. Pessoas jovens demais, com conhecimento bem relativo, que fazem
leituras apressadas dos textos dos reformadores (como lêem posts do facebook),
sem a devida maturação, acabam tendo impressões muito equivocadas da teologia
reformada. Nesse sentido, muitos escolhem suas "doutrinas favoritas” das
quais fazem o "cavalo de batalha”, e tentam se promover defendendo pontos
de vista polêmicos e complexos, deixando de tratar desses temas com o cuidado e
a reverência que os reformadores trataram no passado. Predestinação e a origem
do mal estão entre as doutrinas mais abusadas dos dias atuais.
Meu conselho é o
seguinte: se queremos ser reformados, precisamos entender que a teologia
reformada não é meramente a defesa dessa ou daquela particularidade
doutrinária, antes é um modo de vida consistente, que engloba o conhecimento
profundo das Escrituras, o exercício intenso da piedade individual, a
proclamação inteligente do Evangelho, e a consagração de todos os aspectos da
vida diária para a glória de Deus. Do contrário, ela será deformada e não
reformada.
** Texto Publicado pelo Rev. Leandro Lima em sua página no Facebook.
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