[2Sm 15.19], [Is 20.4], [Is
51.14], exílio, cativeiro; [2Rs 24.16; ls 20.4], deportação, cativeiro,
exílio).
O exílio (do latim exilium
banimento, degredo) é o estado de estar longe da própria casa (seja cidade ou
nação) e pode ser definido como a expatriação, voluntária ou forçada de um
indivíduo. Também pode-se utilizar as palavras, banimento, desterro ou degredo.
Alguns autores utilizam o termo exilado no sentido de refugiado.
1. O significado do termo
2. O Exílio Assírio
3. O Exílio Babilónico
4. Os efeitos do Exílio
1. O significado do termo. Os termos “exílio" e “cativeiro”
são usados permutavelmente na Bíblia. Quando o exílio é imposto sobre um
indivíduo, a escolha do lugar do banimento é geralmente deixado para a pessoa
exilada. Entretanto, quando o exílio é para muitos grupos de pessoas, o local
do banimento é imposto. A deportação de comunidades era geralmente praticada no
mundo antigo por razões políticas, freqüentemente para destruir o poder de uma
nação considerada inimiga ou para colonizar uma área na qual era desejável, por
várias razões, criar uma fusão cultural. Algumas vezes, razões particulares
faziam com que a imposição do exílio se efetuasse imediatamente sobre um povo
governado. Há duas ocasiões, às quais a Bíblia se refere, em que israelitas
foram levados ao exílio. O primeiro foi o exílio assírio no 8 séc. a.C.; e o
segundo o exílio babilónico no 69 séc. a.C.
2. O exílio assírio. A primeira deportação de israelitas registrada
no AT (2Rs 15.29) ocorreu em 734 a.C. sob a monarquia assíria de Tiglate-
Pileser III (745-727 a.C.). Ele marchou contra Peca de Israel e Rezim da Síria
porque eles guerrearam contra seu súdito, o rei Acaz de Judá, e ele puniu
Israel levando alguns deles ao exílio (2Rs 16.7- 9). Os cativos desta
deportação para a Assíria foram das tribos de Naftali, de Rúben, de Gade e da
meia tribo de Manassés (lCr 5.26). A segunda deportação para o exílio assírio
aconteceu depois da destruição do reino do norte e de sua capital, Samaria, em
722 a.C., depois de 3 anos de cerco (2Rs 17.1-6). Foi Salmaneser que começou o
cerco, mas seu sucessor finalmente tomou a cidade. Inscrição assíria registra
este evento indicando que 27.290 pessoas foram levadas cativas e deportadas,
algumas para a província assíria de Gozã na Mesopotâmia e outras para a Média.
Ao mesmo tempo, colonos de outras províncias assírias foram fixados em Samaria
e áreas vizinhas para tomar o lugar dos israelitas deportados. O casamento
desses provincianos e os israelitas que permaneceram na terra resultou nos
híbridos samaritanos, da posterior história bíblica.
Os exilados foram levados
principalmente para áreas despovoadas nas províncias de Haia, Gozã e Média, bem
como em Nínive e aparentemente foi permitido viver vidas completamente normais.
O único registro deles está no livro de Tobias que indica que alguns dos
cativos foram leais a Yahweh. Outros foram imersos ou amalgamados na população
assíria. O problema das supostas Dez Tribos Perdidas tem sido grandemente
exagerado. A estimativa assíria de 27.290 cativos mostra que somente uma fração
da população israelita foi deportada e que as tribos não estavam “perdidas” no
sentido implicado na frase As Dez Tribos Perdidas de Israel. A destruição do
reino do norte de Israel estava de acordo com Oséias e Amós, devido a
degeneração moral e espiritual do país e não ao grande poder militar assírio.
3. O exílio babilónico. O povo do reino do sul esteve sujeito a
várias deportações pelos babilónicos no reinado de Nabucodonosor, que adotou a
política assíria de conquistar povos. O primeiro incidente deste tipo ocorreu
em 608 a.C. quando, após a batalha de Carquemis. Nabucodonosor avançou para
Jerusalém. Ele poupou o rei Jeoaquim que havia se rebelado contra ele, mas
carregou vários príncipes de Judá, dentre eles Daniel, Sadra- que, Mesaque e
Abede-Nego (Dn 1.1-7).
Jeremias menciona três
deportações (Jr 52.28- 30). A primeira ocorreu em 597 a.C., após outra
conquista de Jerusalém por Nabucodonosor (2Rs 24.1-16). O monarca babilónico
foi a Jerusalém para punir o rei Jeoaquim pela renúncia ao compromisso de
fidelidade à Babilônia, mas antes do fim do cerco da cidade, o filho do rei
Jeoaquim sucedeu o trono de seu pai. Nabucodonosor ordenou o exílio de Jeoaquim
e sua mãe junto com os homens mais distintos do país e com os tesoureiros do
Templo e do palácio real. Entre os cativos estava o profeta Ezequiel que data a
cronologia de seu livro conforme a data deste cativeiro. Arqueólogos alemães
têm encontrado evidências desta fase do exílio na forma de tabuletas
cuneiformes que registram entre as pessoas o recebimento de rações de grão,
“Yakin (Jeoaquim), rei de Judá”, e cinco filhos de Jeoaquim, junto com outros
hebreus.
A segunda deportação
registrada por Jeremias ocorreu 11 anos após a primeira. Em 586 a.C.,
Zedequias, que foi colocado no trono por Nabucodonosor para suceder Jeoaquim,
prestou juramento de fidelidade ao monarca babilónico (Ez 17.13). E começou a
dar evidências de deslealdade a Nabucodonosor que novamente tomou medidas
contra os hebreus. O monarca babilónico levantou quartéis a Ribla no Orontes
dos quais direcionou a campanha contra Jerusalém. O cerco da cidade permaneceu
de 10 de janeiro de 587 a.C. à 9 de julho de 586 a.C. quando os babilônios
foram capazes de quebrar o muro da cidade construído nos dias de Ezequias (2Cr
32.5). A fuga da cidade por Zedequias e sua comitiva foi interceptada e ele foi
trazido a Nabucodonosor em Ribla. Foi forçado a testemunhar a execução de seus
filhos e, após, seus olhos foram arrancados; foi levado preso para a Babilônia.
Aproximadamente oitenta líderes de destaque da comunidade de Jerusalém, entre
eles o sumo sacerdote Seraias foram tomados em Ribla e executados sob as ordens
de Nabucodonosor. Em 1 de Agosto de 586 a.C., Nebuzaradã, o capitão da guarda
de Nabucodonosor mandou que o Templo fosse destruído e suas riquezas
confiscadas. O palácio real e a cidade foram atacados pelo fogo e os
sobreviventes (exceto os mais humildes da terra) foram levados em cativeiro
(2Rs 24.20; 25; Jr 39.1-10).
Nabucodonosor apontou Gedalias
“que está sobre casa de (Zedequias)”, para ser o governador de Judá. Ele
exerceu seu ofício em Mispa até que foi traiçoeiramente assassinado por Ismael
que tinha sido um fugitivo de Amom e que fez objeção à cooperação aparente de
Gedalias com os babilónicos. Esta nova rebelião dos israelitas levou à terceira
deportação registrada por Jeremias, e ocorreu em 581 a.C. Alguns dos hebreus
remanescentes de forte sentimento anti-babilônico fugiram para o Egito,
forçando Jeremias, a quem tinha sido dada consideração especial por
Nabucodonosor, a acompanhá-los (2Rs 25.22-26; Jr 40-44).
As declarações relativas ao
número de cativos levados à Babilônia são confusas. Jeremias dá o total de
4.600 pessoas levadas nas três deportações (Jr 52.28-30). Como estes números
não estão bem definidos, isso poderia ser somente uma referência a homens de
uma classe específica. O número daqueles exilados em 597 a.C., citado nessa
passagem, é de 3.023 em vez de 8.000 como em 2 Reis 24.15,16. Na segunda
referência está relatado que em 597 a.C., 8.000 homens incluindo '"homens
de valor, sete mil, artesãos e ferreiros, mil, todos eles fortes e preparados
para a guerra” foram exilados. William F. Albright sugere que a diferença
desses números “pode ser, particularmente, devido ao fato de que a primeira foi
somente uma estimativa hipotética, mas também pode ser devido à extensa
mortalidade de cativos famintos e doentes durante a longa jornada no deserto
para à Babilônia”. George Adam Smith conclui com base em suas considerações que
o número dos cativos não excedeu o total de 70.000, incluindo homens, mulheres
e crianças.
Os cativos foram fixados no
sul da Mesopotâ- mia. Ezequiel menciona Tel-Abibe, “junto ao rio Quebar” (Ez
3.15), que ficava próxima a Nipur, sudeste da Babilônia. Outros povoamentos são
mencionados em Esdras 2.59 eNeemias 7.61, bem como em Baruque 1.4 (cp. Ez 1.3;
Ed 8.15,17). Os nomes próprios semitas ocidentais que têm sido encontrados em
inscrições de Nipur confirmam que alguns dos exilados estavam fixados lá.
Várias razões têm sido dadas
para a localização do exílio na Babilônia. Uma opinião é que Israel, tendo se
originado na Babilônia, foi enviado de volta para casa por Deus como um marido
envia sua esposa inadequada de volta para casa. Uma opinião na Haggadah é que a
Babilônia, sendo um país humilde, toma-se um símbolo do mundo inferior do qual
Israel foi resgatado conforme Oséias 13.14, “Os resgatarei do poder do mundo
inferior?” (tradução da Sociedade de Publicação Judaica da América). A KJV tem
“Eu os resgatarei do poder do túmulo”, enquanto a ARA tem, “Eu os remirei do
poder do inferno?”. Alguns acreditam que os reinos do norte e do sul foram
exilados para diferentes lugares, de modo que cada um dos dois grupos de
cativos puderam tirar algum conforto do infortúnio do outro.
Os exilados estavam sob
proteção real e, geralmente, podem ser descritos como estando sob confinamento
aberto, em vez de em um campo de concentração. Alguns dos cativos foram usados
para fornecer mão-de-obra para muitos projetos de construção de Nabucodonosor,
ao menos no início do exílio. Alguns deles gozaram de privilégios especiais.
Eles próprios edificaram suas casas e plantaram pomares em suas terras (Jr
29.4-7; Ez 8.1; 12.1-7). Isso os permitiria suprir algumas de suas necessidades
físicas. Alguns cativos, aparentemente, ganharam uma vida adequada de outro jeito
(Zc 6.9-11) e até iniciaram negócios na “cidade dos comerciantes”, como a
Babilônia era conhecida (Ez 17.4-12). A casa bancária hebraica de Murashu
aparece nas inscrições. As listas de cativos recebendo rações inclui, junto com
os nomes hebraicos, as habilidades profissionais que alguns deles exerceram.
Jeremias 29.5-7 mostra que os israelitas foram capazes de acumular riqueza.
Muitos foram tão bem-sucedidos financeiramente que enviaram dinheiro a
Jerusalém (Baruque 1.6,7,10) e quando Ciro deu permissão aos exilados para
retomarem ao lar, eles se recusaram porque conforme Josefo, “não estavam
dispostos a deixar suas posses” (Jos. Ant. XI, i. 3). Esse materialismo da
parte de alguns dos exilados levou à conformidade com os costumes dos
babilônios e à assimilação cultural. A tendência para assimilar incluía a
adoção da linguagem aramaica, a aceitação da idolatria e da participação em
cerimônias pagãs, assim como o sacrifício de seus filhos sobre altares pagãos
(Ez 14.3-5; 20.31).
Socialmente, aos israelitas
foi aparentemente permitida a liberdade completa. Eles se casaram,
estabeleceram famílias e mantiveram contato com Jerusalém (Jr 29.6). Eles se
reuniam em assembléias e essas, ocasionalmente, eram reuniões religiosas.
Provavelmente foi em tais ocasiões que aqueles fiéis a Yahweh encontraram a
oportunidade para o culto, a confraternização e a renovação da fé que servia
para manter viva a visão da restauração de sua terra natal. Foi nestas reuniões
que Ezequiel enfatizou as promessas do retomo e reviveu a confiança deles na
Lei e nos Profetas (SI 137). Os grandes festivais dos israelitas não podiam ser
observados em cativeiro, mas existiam práticas de oração solene, jejum e
penitência (Zc 7.3-5). As práticas não dependiam dos grandes festivais
relacionados ao Templo para serem praticados. Isso incluía a observância do
Sábado, a prática da circuncisão e a oração com a face voltada para Jerusalém
(lRs 8.48-50). É neste contexto que a ênfase de Ezequiel sobre a
responsabilidade pessoal, a moralidade individual e a espiritualidade aparecem
(Ez 18.20-32; 36.26,27).
Este núcleo leal de israelitas
cercando Ezequiel formou o núcleo daqueles que retomaram à sua terra natal e
sustentaram o entusiasmo e a liderança para a restauração. Um anúncio da
liberdade que viria para os israelitas foi a libertação do rei Jeoiaquim da
prisão. Conforme 2 Reis 25.27-30 ele foi solto por Evil-Merodaque, rei da
Babilônia em 560 a.C. Jeremias tinha profetizado que o cativeiro permaneceria
por 70 anos (Jr 25.12; 29.10; cp. 2Cr 36.21). Uma forma, entre outras, em que
este período pode ser calculado, é a do tempo da destruição do templo em 586
a.C. ao tempo da sua reconstrução e dedicação em 516 a.C.
Em 538 a.C., Ciro, o rei
persa, destruiu o império babilónico e no mesmo ano publicou um decreto
permitindo aos judeus retomarem à sua terra natal (Ed 1.1-4; 6.3-5). Esses
relatos do edito de Ciro têm sido confirmados pela arqueologia. A resposta dos
exilados para a possibilidade de retomo não foi muito difundida. Alguns eram
prósperos e estavam satisfeitos no exílio, ao passo que as condições na terra
natal eram inconstantes, a jomada longa, perigosa e cara. O primeiro grupo a
retomar, sob o comando de Zorobabel, governador de Judá e filho do filho mais
velho de Jeoaquim, Salatiel, assentou as fundações do novo Templo. O segundo
grupo, sob o comando de Esdras, escriba e reformador, fixou-se em Jemsalém no
7- ano de Artaxerxes, 457 a.C. Ele reuniu o povo no Rio Aava, um grupo com
cerca de 1.800 homens, ou 5.500 a 6.000 homens e mulheres ao lado de 38 levitas
e 220 servos do Templo de Casifia (Ed 8). Então, em 444 a.C. veio Neemias,
copeiro de Artaxerxes e posteriormente governador de Judá, para reconstruir o
muro de Jerusalém (Ne 1-13).
Esdras e Neemias investidos
com poder real, apesar de grandes dificuldades, foram capazes de estabelecer a
comunidade judaica pós-exílio. Foi neste período que um "israelita” veio a
se chamar um “judeu", uma contração de “Judá". Da lista dada em
Neemias 7.5-73, parece que a totalidade da comunidade judaica é numerada de
42.360 homens ou 125.000 pessoas.
O ceticismo com o qual os
relatos bíblicos concernentes ao exílio foram observados por alguns eruditos,
tem sido dispersado pela reconstrução arqueológica do Oriente Próximo. A
posição de C. C. Torrey, S. A. Cook, G. Hölscher, W. A. Irwin e outros de que
nunca ocorreu um exílio babilónico e, consequentemente, nenhum retomo a Judá,
não negou somente a validade das narrativas das histórias bíblicas, mas também
o messianismo profético que estava baseado em grande parte sobre esses eventos.
Tais livros bíblicos como Ezequiel, Jeremias, Esdras e Neemias eram, segundo
esta visão, em grande medida, uma fabricação de escritores posteriores. Tudo
isso tem mudado. Descobertas arqueológicas, tais como o óstraco de Laquis e
explorações em áreas ocupadas, têm revelado evidências para a destruição das
cidades de Judá pelos babilónicos no tempo determinado pela cronologia bíblica.
Recentemente, a descoberta de arquivos reais de Nabucodonosor suplementa a evidência
de Judá dando suporte à credibilidade da história bíblica.
4. Os efeitos do Exílio. A causa do exílio foi a apostasia do povo
em relação a Deus e a seu pacto. Os israelitas tinham rejeitado de forma
consistente a mensagem dos profetas e persistentemente continuaram em seu
pecado e idolatria. Constantemente os profetas avisavam os israelitas contra a
confiança em sua própria sabedoria e poder. O exílio foi interpretado pelos
profetas como o julgamento divino que resultaria em restauração e revelação do
eterno amor de Deus para com Israel (Is 54.9,10; Jr 31.3-6). Ele é o incidente
histórico primário sobre o qual o messianismo bíblico está baseado. Entre os
resultados do exílio para Israel estava uma compreensão mais profunda da lei de
Moisés e dos Profetas, tão importante para os judeus como um povo. De lá veio
também uma compreensão mais clara da universalidade e soberania de Deus; que
Yahweh é único Deus e não existe deus além dele. Esta fé permaneceu tão
inabalável que suportou a influência e fascinação da cultura grega apesar dos
efeitos do Helenismo sobre outras áreas do Judaísmo e sobre o restante do mundo
Mediterrâneo.
BIBLIOGRAFIA. G. A. Barton, Archaeology and the
Bible (1937), págs. 463-485; G. E. Wright, Biblical Archaeologv (1960), págs.
108-127; J. Gray, Archaeolog)' and the OT World (1962), págs. 180-198; W. F.
Albright, The Biblical Period from Abraham to Eira
(1963), págs. 81-89.

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