Calculadora PREVIDENCIÁRIA

Combata o Bom Combate


Nem sempre pode ser fácil saber se uma divergência é meramente insignificante ou realmente importante, mas uma aplicação cuidadosa e atenciosa da sabedoria bíblica normalmente esclarecerá quaisquer dúvidas que possamos ter sobre a importância relativa de qualquer verdade admitida. As Escrituras deixam claro, por exemplo, que devemos adotar a postura de tolerância zero com alguém que adultera ou altera a mensagem do evangelho (Gálatas 1:8,9). E aquele que nega a deidade de Cristo ou se afasta essencialmente de seu ensino não deve ser aceito em nossa comunhão nem receber algum tipo de bênção (2 João 7-11).

O princípio é claro: quanto mais qualquer doutrina admitida se aproxima da essência do evangelho, do âmago da sã cristologia ou dos ensinamentos fundamentais de Cristo, com mais diligência devemos evitar as distorções da verdade — e com mais agressividade precisamos combater o erro e defender a sã doutrina.

Para fazer a distinção entre verdades espirituais realmente essenciais e meramente periféricas, é preciso muito cuidado e discernimento. A distinção nem sempre é imediatamente óbvia. Mas não é tão difícil traçar essa linha como algumas pessoas, hoje, alegam. Mesmo que a linha pareça um pouco vaga aqui e ali, não há motivo para eliminar completamente a distinção, como alguns pós-evangélicos parecem estar decididos a fazer.

Muitos, atualmente, defendem uma abordagem ultraminimalista, reduzindo a lista de doutrinas essenciais àquilo que é tratado pelo credo apostólico (ou, em alguns casos, uma lista ainda menor de princípios gerais mais amplos). Isso realmente não promove harmonia; simplesmente turva toda a doutrina. Afinal, muitos hereges extremos, de unitaristas, passando por socinianos, a testemunhas de Jeová, formalmente aceitarão o credo apostólico. O problema é que eles não concordam com o significado do credo. Até os segmentos maiores da fé cristã — católicos, cristãos ortodoxos e protestantes — não concordam entre si sobre o significado de expressões funda- mentais no credo. Ele é inútil como parâmetro para se avaliar quais verdades são primárias e quais são secundárias.

Mas as Escrituras sugerem que o evangelho, não um credo do século III, é a melhor forma de determinar os verdadeiros princípios essenciais do Cristianismo. Se você, de fato, entender e aceitar o evangelho, automaticamente terá visões sadias sobre a justificação pela fé, a expiação substitutiva, a deidade de Cristo, a historicidade da ressurreição, a veracidade e a autoridade das Escrituras, e todas as outras doutrinas que são “primeiramente” importantes (1 Coríntios 15:3). Por outro lado, se você se desviar — ainda que de modo sutil — quanto a qualquer princípio vital da verdade do evangelho, toda a sua visão de mundo será adversamente influenciada. Interprete-o mal ou adapte-o para que seja conveniente a determinadas preferências da subcultura e, inevitavelmente, terá uma religião que consiste em obras e um sistema que gera uma falsa superioridade.

Era exatamente nisso que consistia o conflito de Jesus com os fariseus. Eles representavam um estilo de religião e um sistema de crenças que contradiziam diretamente a essência do evangelho que ele proclamava. Jesus oferecia perdão e justificação imediata aos pecadores que cressem. Os líderes religiosos de Israel criavam fortes sistemas de obras e cerimônias que, na realidade, transformavam a própria justificação em uma obra humana. Nas palavras do apóstolo Paulo, “ignorando a justiça que vem de Deus e procurando estabelecer a sua própria, [eles] não se submeteram à justiça de Deus” (Romanos 10:3).

Simplesmente não havia como Cristo evitar o conflito. Assim, ele aproveitou a situação ao máximo. Usou a falsa religião deles como um contraste para a verdade que ensinava. Deixou que a hipocrisia deles servisse como pano de fundo contra o qual a joia de sua santidade brilhava mais ainda. E pôs sua graça contra o falso moralismo deles de um modo que foi impossível não ver a distinção entre justificação pela fé e religião baseada em obras.


** Extraído do livro "A Outra Face" escrito por John Macarthur

Nenhum comentário:

Postar um comentário