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Quem quer Ser Pastor?




Rev. Arrival Dias Casimiro

Todo cristão pode aspirar ser um pastor. Qualquer crente pode evangelizar pessoas, plantar uma igreja e tentar pastorear o rebanho de Deus. Se existe uma área de trabalho que sempre existirá carência de trabalhadores é a “seara do Senhor”. Mas, três informações bíblicas precisam ser passadas para aqueles que desejam ser pastores.

Primeiro, o pré-requisito básico para o pastorado é a vocação divina. 

Ninguém pode ingressar de forma legítima na carreira pastoral sem que Deus o chame. Todo ministro do evangelho é alguém que foi separado, chamado e enviado por Deus para cumprir uma missão (Jr 1.4-5; Gl 1.1). Na perspectiva bíblica, um pastor não se faz por vontade própria, ou por um curso de treinamento ministerial. O pastorado é um chamado de Deus. Esta exigência vocacional impede que o pastorado seja transformado em uma profissão. Qualquer profissão origina-se na cultura e é orientada pela sociedade. Há, porém, um abismo entre aquilo que a sociedade exige de um profissional e aquilo que Deus exige dos seus vocacionados. John Piper desabafa: “Nós, pastores, estamos sendo massacrados pela profissionalização do ministério pastoral. A mentalidade do profissional não é a mentalidade do profeta. Não é a mentalidade do escravo de Cristo. O profissionalismo não tem nada que ver com a essência e o cerne do ministério cristão. Quanto mais profissionais desejamos ser, mais morte espiritual deixaremos em nosso rastro”.

Segundo, o pastorado exige uma vida de integridade.

A vida moral do pastor é a alma do seu ministério. A credibilidade do pastorado depende da integridade do pastor. Por isso ele precisa ser integro de caráter e conduta (O que eu devo ser e o que devo fazer). A palavra “integridade” significa “inteiro” e “completo” (Jó 2.9; Tt 2.7). Jesus é o nosso modelo de “integridade”: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus” (Mc 12.14). Todo pastor deve seguir o exemplo de Jesus.
Sendo assim, o ministério exige do pastor escolhas e decisões morais. “A integridade na vida pessoal do pastor é algo intencional. Não acontece de modo automático, pelo simples fato de ele ter assumido o compromisso de exercer o ministério. O pastor precisa se esforçar para ser uma pessoa íntegra em sua vida pessoal” (James E. Carter e Joe E. Trull). E quais são as áreas mais difíceis para o pastor? Para Charles Swindoll : dinheiro, fama, poder e sexo. Para Richard Foster: dinheiro, sexo e poder. Para Billy Graham: sexo, dinheiro e orgulho. Observem que essas áreas são ídolos que a sociedade sem Deus adora, e áreas onde os pastores são incessantemente tentados. São áreas de sucesso oferecidas pelo falso evangelho e pelos comerciantes religiosos. São áreas que o Diabo tem usado para destruir muitos ministros e suas respectivas famílias.

Terceiro, o pastorado requer o preço da obediência e da fidelidade a Deus.

O pastorado não é uma profissão, mas uma missão. E para que a missão seja cumprida é necessário obediência e fidelidade. O preço é o sofrimento em prol da igreja e da obra missionária. É o ministério da cruz e a cruz do ministério. Paulo declara: “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja”(Cl 1.24). Ele nos ensina que o pastor é alguém disposto a sofrer e entregar a sua vida por amor a Cristo. O pastor não se serve da igreja, mas serve ao Senhor da Igreja, em amor e sacrifício.
O conceito de pastor que temos hoje na sociedade brasileira é contrário ao modelo bíblico. A imprensa somente denuncia aquilo que ela está vendo. Hoje, no Brasil, “ladrão” é sinônimo para “pastor”. Pastores são pessoas sem escrúpulos que mentem e roubam, em nome de Deus. E a culpa desta deturpação não é apenas da sociedade sem Deus, mas da própria práxis daqueles que se dizem igreja de Deus. O mundo seria impactado se tivéssemos menos profissionais e mais pastores segundo o referencial bíblico. Paulo resume: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (Atos 20.24). Você quer ser pastor? Bem, você pode até querer, mas a vocação pastoral não depende do homem. A vocação do pastor não é deste mundo. Para Deus não existe a profissão de pastor.

* O texto foi publicado originalmente no site da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, pelo Rev. Arrival Dias Casimiro. Clicando na imagem você será redirecionado ao site da IPP.



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