Todo cristão pode aspirar ser um pastor. Qualquer crente
pode evangelizar pessoas, plantar uma igreja e tentar pastorear o rebanho de
Deus. Se existe uma área de trabalho que sempre existirá
carência de trabalhadores é a “seara do Senhor”. Mas, três informações bíblicas
precisam ser passadas para aqueles que desejam ser pastores.
Primeiro, o pré-requisito básico para o pastorado é a vocação
divina.
Ninguém pode ingressar de forma legítima na carreira pastoral sem que
Deus o chame. Todo ministro do evangelho é alguém que foi separado,
chamado e enviado por Deus para cumprir uma missão (Jr 1.4-5; Gl 1.1). Na
perspectiva bíblica, um pastor não se faz por vontade própria, ou por um curso
de treinamento ministerial. O pastorado é um chamado de Deus. Esta
exigência vocacional impede que o pastorado seja transformado em uma profissão.
Qualquer profissão origina-se na cultura e é orientada pela sociedade. Há,
porém, um abismo entre aquilo que a sociedade exige de um profissional e aquilo
que Deus exige dos seus vocacionados. John Piper desabafa: “Nós, pastores,
estamos sendo massacrados pela profissionalização do ministério pastoral. A
mentalidade do profissional não é a mentalidade do profeta. Não é a mentalidade
do escravo de Cristo. O profissionalismo não tem nada que ver com a essência e
o cerne do ministério cristão. Quanto mais profissionais desejamos ser, mais
morte espiritual deixaremos em nosso rastro”.
Segundo, o pastorado exige uma vida de integridade.
A vida moral do pastor é a alma do seu ministério. A credibilidade do
pastorado depende da integridade do pastor. Por isso ele precisa ser integro de
caráter e conduta (O que eu devo ser e o que devo fazer). A palavra
“integridade” significa “inteiro” e “completo” (Jó 2.9; Tt 2.7). Jesus é o
nosso modelo de “integridade”: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te
importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens;
antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus” (Mc 12.14). Todo pastor
deve seguir o exemplo de Jesus.
Sendo assim, o ministério exige do pastor escolhas e decisões morais. “A
integridade na vida pessoal do pastor é algo intencional. Não acontece de modo
automático, pelo simples fato de ele ter assumido o compromisso de exercer
o ministério. O pastor precisa se esforçar para ser uma pessoa íntegra em sua
vida pessoal” (James E. Carter e Joe E. Trull). E quais são as áreas mais
difíceis para o pastor? Para Charles Swindoll : dinheiro,
fama, poder e sexo. Para Richard Foster: dinheiro, sexo e poder. Para Billy
Graham: sexo, dinheiro e orgulho. Observem que essas áreas são ídolos que a
sociedade sem Deus adora, e áreas onde os pastores são incessantemente
tentados. São áreas de sucesso oferecidas pelo falso evangelho e pelos
comerciantes religiosos. São áreas que o Diabo tem usado para destruir muitos
ministros e suas respectivas famílias.
Terceiro, o pastorado requer o preço da obediência e da fidelidade a
Deus.
O pastorado não é uma profissão, mas uma missão. E para que a missão
seja cumprida é necessário obediência e fidelidade. O preço é o sofrimento em
prol da igreja e da obra missionária. É o ministério da cruz e a cruz do
ministério. Paulo declara: “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e
preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu
corpo, que é a igreja”(Cl 1.24). Ele nos ensina que o pastor é alguém disposto
a sofrer e entregar a sua vida por amor a Cristo. O pastor não se serve da
igreja, mas serve ao Senhor da Igreja, em amor e sacrifício.
O conceito de pastor que temos hoje na sociedade brasileira é contrário
ao modelo bíblico. A imprensa somente denuncia aquilo que ela está vendo. Hoje,
no Brasil, “ladrão” é sinônimo para “pastor”. Pastores são pessoas sem
escrúpulos que mentem e roubam, em nome de Deus. E a culpa desta deturpação não
é apenas da sociedade sem Deus, mas da própria práxis daqueles que se dizem
igreja de Deus. O mundo seria impactado se tivéssemos menos profissionais e
mais pastores segundo o referencial bíblico. Paulo resume: “Porém em nada
considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha
carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho
da graça de Deus” (Atos 20.24). Você quer ser pastor? Bem, você pode até
querer, mas a vocação pastoral não depende do homem. A vocação do pastor não é
deste mundo. Para Deus não existe a profissão de pastor.
* O texto foi publicado originalmente no site da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, pelo Rev. Arrival Dias Casimiro. Clicando na imagem você será redirecionado ao site da IPP.
* O texto foi publicado originalmente no site da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, pelo Rev. Arrival Dias Casimiro. Clicando na imagem você será redirecionado ao site da IPP.
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