Calculadora PREVIDENCIÁRIA

Breves Reflexões: Falando de Louvor


Volta e meia posto comentários sobre algumas músicas que são produzidas para os consumidores vorazes do mercado gospel. Desta feita eu citei a canção Restitui[1] como segue:

“Pense bem... Restituição é um substantivo derivado do verbo restituir, que por sua vez denota direito a: indenização, pagamento de dívida; reaver o que era seu por direito. Que dívida o Senhor tinha para conosco?

Obtive a seguinte resposta:

“não cobramos de Deus. Mas acho que é no sentido do que o 'inimigo' tenha tirado”.

Quando penso na teologia imediatista do toma lá da cá, que é ministrado e espalhado pelo país principalmente por estas músicas de qualidade duvidosa, me volto para as escrituras inerrante, infalível e imutável, onde está disposto que o inimigo não nos tira nada se Deus assim não o permitir. Veja o exemplo de Jó, e até mesmo o Apóstolo Pedro que teve sua vida inquirida por Satanás, mas o SENHOR SOBERANO não permitiu, pois somente n’Ele habita a onipotência!

E se Ele permitir por sua vontade soberana, Ele não tem obrigação nenhuma de nos restituir, porque ao contrário de Deus e de Seu Filho Unigênito, todos nós fomos concebidos em pecados, a única coisa que merecíamos era a destituição total da glória de Deus, porque todos nós pecamos e como conseqüência não há nenhum justo sequer. Estávamos destinados ao inferno e à ira eterna de Deus, mas aprouve a Ele reconciliar o mundo por meio do sacrifício da cruz. Desta forma, todo o nosso louvor não deve apelar para o “emocionalismo”, temos que entoar um novo cântico que bendiga ao Nome Santo do Senhor, e não canções que enfatiza a nossa vaidade trivial.

O que dizer do hino entoado pelo Apóstolo Paulo e seu companheiro Silas quando estavam encarcerados? Louvavam o Nome do Senhor pelo que Ele É, porque ele é o Grande EU SOU, e as cadeias foram quebradas, mas em momento algum vemos narrados nas escrituras pedidos eloquente de liberdade, ou decreto que soam como ordens dadas a um ser soberano em sua essência. Eles cantavam enquanto sofriam por amor ao evangelho, não pediam restituição e muito menos vociferavam que sua vitória teria sabor de mel. O Apóstolo Paulo nos dá um caminho do que seria um louvor perfeitamente agradável ao Senhor, como descrito em Efésios 1.3-14, conhecido como o hino da trindade ou hino trinitariano, sendo a maior evocação da cristologia, "este brilhante escrito começa com um hino. Não um hino comum, mas um brilhante hino cristológico, repleto de afirmações teológicas de profundidade ímpar" [2] que segue nestes termos:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado. Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo as riquezas da graça de Deus, a qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos. Nele fomos também escolhidos , tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória. Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória”.

O fato é: o que concebemos como louvor em sua maioria não tem a centralidade em Cristo. São músicas feitas para o bem-estar emocional do homem e suas necessidades supérfluas, visando uma fatia considerável do mercado. Não glorificam a Deus, pois não estão em um plano de verticalidade com as escrituras. O louvor que é produzido pelo mercado gospel é sempre introspectivo, ou seja, volta-se para a interioridade humana onde as emoções são como areia movediça sem base e sem fundamento.

Soli Deo Glória!



[1] Curiosamente a música Restitui, também foi alvo de crítica (não no sentido pejorativo) precisa do Pr. Renato Vargens, quando visitava as famílias haitianas vítimas do terremoto que deixou milhares de desabrigados. Na ministração “Os Problemas do Movimento Gospel”, onde ele avistava uma irmã residindo em tendas cantando “Porque Ele Vive, posso crer no amanhã”.
[2] Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/cristologia/grande-hino-cristologico_isaltino.pdf



Nenhum comentário:

Postar um comentário