Calculadora PREVIDENCIÁRIA

Verdadeiro Evangelho: Breves Palavras










Temos diante de nós o que, ao longo da história da igreja, muitos eruditos e pregadores (como Martyn Lloyd-Jones e Charles Spurgeon) disseram ser “a acrópole da fé cristã”, “a cidade fortificada do Cristianismo” e “a grande estrela brilhante das Escrituras”. Eu já ouvi homens muito piedosos dizerem que, se eles perdessem a Bíblia inteira e pudessem guardar somente uma passagem, essa seria a que eles guardariam, pois, nesses versos, encontra-se a verdadeira salvação dos homens, o verdadeiro evangelho de Jesus. Há palavras aqui que, possivelmente, são as palavras mais importantes em toda a Escritura, e nós não podemos entender o evangelho de Jesus Cristo sem entendermos algumas dessas palavras que são ditas neste pequeno texto:

Alguém descreveu este texto (Rm 3.25-26) como a “acrópole da fé cristã”. Nós podemos estar certos de que não há nada que a mente humana possa jamais considerar que seja, em qualquer sentido, tão importante quanto estes dois versículos. A história da Igreja demonstra muito claramente que eles têm sido o meio usado por Deus Espírito Santo para trazer muitas almas das trevas para a luz, e para dar a muitos pobres pecadores o seu primeiro conhecimento da salvação e a sua primeira segurança quanto à salvação.[1]

A questão é: se você não entender a glória de Deus que é manifesta no evangelho, como então você viverá? Em nossos dias, existem tantos indivíduos que nós chamamos de “endurecidos ao evangelho”, os quais, na verdade, são ignorantes – e não duros – em relação ao evangelho.

Existem tantos outros que são realmente nascidos de novo e que estão em busca de motivação, razão, zelo e força na vida cristã, mas não entendem que toda a força da qual eles precisam se encontra somente na verdade do evangelho. Não existe nada mais profundo e mais valioso do que as boas novas consumadas por Jesus Cristo naquela cruz. Se entendermos bem essa verdade, teremos todo o fogo de que precisamos ardendo em nosso coração, e não precisaremos mais de falsa empolgação, emocionalismo vazio ou entretenimento barato.

Precisamos entender algumas coisas sobre nossa missão nesta terra. Fazer missões não significa enviar missionários, tampouco criar organizações; fazer missões significa comunicar a verdade de Deus aos homens. Você pode enviar todos os crentes de seu país como missionários, todavia, se eles não estão comunicando a verdade do evangelho, isso não passa de tolice carnal. Além disso, precisamos entender que vivemos em dias nos quais o evangelho não está muito claro em nossas mentes. Um grande pecado de nossa era é o que chamaríamos de “reducionismo do evangelho”. Muitos pensam conhecer o conteúdo das boas-novas de Cristo, mas não percebem que o evangelho na América de hoje foi reduzido a “quatro leis espirituais” e a “cinco coisas que Deus quer que você saiba”. O evangelho é tratado como uma pequena verdade, um assunto útil apenas para a classe dos novos convertidos; algo que você aprende em cinco minutos, faz uma oração e, logo em seguida, avança para coisas maiores.

Nós tomamos o glorioso evangelho do nosso bendito Deus e o transformamos em pequenas perguntinhas vagas, como “Você sabe que é pecador?” ou “Você quer aceitar Jesus como seu único Salvador?”. E, se alguém responde afirmativamente a essas questões, nós papalmente as declaramos salvas após repetirem uma oração conosco. Nós ouvimos incontáveis histórias de evangelistas indo para o exterior e pregando para dezenas de milhares de pessoas, gerando milhares de convertidos.

No entanto, assim que o missionário as procura, ele não encontra uma sequer frequentando a igreja. Nós vivemos em uma era de superficialidade, em uma era na qual se faz muito barulho; no entanto, o que tem sido realmente conquistado? Espero que ninguém fique ofendido com isto, mas há muitos anos eu comecei a compreender como nós somos um povo estúpido. Há alguns anos, um amigo da Colúmbia Britânica[2] me enviou um livro sobre lógica. Eu precisei ler o primeiro capítulo cerca de três vezes para compreender bem o que estava sendo dito, e concluí que aquilo se tratava da mais alta expressão da lógica que eu já havia lido. Era muito complicado, mais complicado do que qualquer coisa que eu havia lido na universidade. Porém, ao fechar o livro, notei que na frente dele havia um desenho rabiscado de tinta, e, ao olhá-lo melhor, observei – para minha surpresa – que no desenho havia algo semelhante a crianças de oito ou nove anos de idade, em pé diante de um professor, sendo questionadas. Então eu percebi que aquele livro de lógica, escrito por um antigo puritano, era na verdade o básico para crianças da escola primária. Sendo assim, uma das coisas que eu quero encorajá-lo a fazer é isto: na sua leitura das Escrituras e em sua busca por conhecer mais a respeito de Cristo, não se dê tanto à literatura contemporânea, mas retroceda na história e descubra algumas das maiores coisas já escritas.

Eu diria a você que a nossa maior necessidade é redescobrir o evangelho de Jesus Cristo e proclamá-lo. Eu sempre digo isto, especialmente a jovens missionários com os quais tenho lidado: tudo de que eu preciso é um homem simples o suficiente para andar no meio de uma praça com uma Bíblia aberta, pregando o evangelho de Jesus Cristo, até que alguém saia convertido ou ele saia deitado numa maca. Nós precisamos de pregadores! Precisamos de homens e mulheres que creiam que essa tarefa é tão grandiosa que nem todas as estratégias do mundo, à parte do evangelho, podem fazer uma única alma ser convertida. Há um poder de Deus para a salvação, e esse poder é o evangelho de Jesus Cristo (Rm 1.16). É por isso que eu gostaria de tomar um tempo para meditarmos sobre esse assunto.

Sei que alguém logo reivindicará, dizendo: “Mas, irmão Paul, nós entendemos o evangelho!”. Ó meu caro, preste bastante atenção ao que tenho para lhe dizer. Há muito para se estudar hoje a respeito da segunda vinda de Jesus Cristo e da correta interpretação do livro de Apocalipse. Porém, eu posso lhe assegurar que você entenderá tudo a respeito do livro de Apocalipse e tudo a respeito da segunda vinda de Cristo no dia em que tudo aquilo acontecer. Mas eu também posso lhe assegurar que você gastará uma eternidade de eternidades nos  céus e ainda não compreenderá o evangelho de Jesus Cristo totalmente. Isso não é uma matéria básica do Cristianismo, da qual nos livramos em cinco minutos de aconselhamento e depois partimos para coisas mais grandiosas.

Não há nada mais grandioso na vida cristã do que o evangelho. Nunca haverá nada mais grandioso do que o evangelho. E não há poder para salvar à parte da clara proclamação do evangelho. Muitos acham que o evangelho é algo apenas para o homem perdido, para aquele que não ouviu sobre Jesus, mas não pense que para por aí. A maior motivação, a única verdadeira motivação na vida cristã, é o que Deus fez por nós na pessoa e obra de Jesus Cristo. Sempre que estou em conferências sobre missões, eu fico extremamente exultante ao ouvir os testemunhos e os cânticos, de tal modo que meu desejo imediato sempre é comprar uma passagem de avião e ir a algum lugar a fim de pregar o evangelho onde ele ainda não tenha sido pregado. Todavia, eu descobri que até mesmo o fogo que é levantado através de conferências de missões rapidamente morre. Eu sempre me perguntava se haveria um medicamento mais forte, algo que manteria um homem no campo, algo que faria uma mulher permanecer quando tudo dentro deles está gritando. E eu percebi que para tanto é necessário mais do que uma conferência, um livro ou alguns cânticos; nós precisamos da revelação da glória de Deus na face de Jesus Cristo. Tudo aquilo que somos e tudo aquilo que fazemos deve ser motivado por esta única coisa:  o evangelho Daquele que derramou o Seu próprio sangue por nossa alma. O cristão vive entre dois dias: o dia em que Cristo foi pendurando diante dos homens e o dia em que todos os homens irão se ajoelhar perante Cristo.  Isso é que é motivação!

Agora, olhemos para esse nosso pequeno, reduzido e falso evangelho e comparemo-lo ao evangelho que é revelado na Palavra – é isso o que iremos fazer ao estudar este glorioso texto de Romanos 3. Vamos observar esta passagem, linha por linha, e buscar descobrir, pela graça de Deus, o que está sendo pregado nela, a fim de crescermos na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, para o bem do destino eterno de nossa alma.








[1] LLOYD-JONES, David Martyn. Romans: An exposition of chapters 3.20-4.25 - Atonement and  justification. Edinbug: Banner of Truth Trust, 1998, p. 95.
[2] Uma das províncias do Canadá (Colúmbia Britânica)




** Extraído do livro "O Verdadeiro Evangelho" - Paul Washer - Publicado pela Editora Fiel




Nenhum comentário:

Postar um comentário