A primeira coisa que Paulo diz é: “pois todos pecaram”. A palavra “pecado” significa, literalmente, “errar o alvo”. No caso do ser humano, nós não apenas erramos o centro do alvo, mas falhamos em acertar qualquer parte dele. Nós erramos o alvo por completo, quer seja em obedecer à lei de Deus, em permanecer na vontade de Deus ou em glorificar o nome de Deus. Ora, uma vez que somos nascidos de novo, ao ouvirmos “Todos pecaram!”, nós deveríamos cair de nossas cadeiras em adoração a Deus, agradecendo por tão grande salvação, pois Ele nos livrou de algo terrível! Porém, aqueles que tratam o evangelho como algo comum ou que criaram para si outro evangelho, deveriam prostrar suas faces em temor, sabendo que, se Deus não se mover em favor deles, eles estarão em pecado diante Daquele que é triplamente santo – e essa é a situação mais terrível que se pode imaginar.
Quando você ouve uma coisa repetidas vezes,
geralmente ela se torna tão comum que perde seu poder. Eu me recordo da
primeira vez em que eu cruzei a cordilheira dos Andes, junto com um grupo de
missionários. Eu não conseguia entender porque o missionário veterano estava
dormindo no meio de toda aquela beleza majestosa. Então, anos mais tarde,
quando eu levei um grupo de jovens para atravessar a mesma montanha, eu me
encontrei roncando. Com efeito, quanto mais você ouve algo e quanto mais você
vê ou lê algo, esse algo perde um pouco de sua majestade.
“Todos pecaram”. Por que não trememos diante
disso? É porque não sabemos como essa é uma realidade terrível. Nós não temos
consciência do quanto temos pecado, do mesmo modo como um peixe não sabe o
quanto está molhado. Nós nascemos no pecado, nós fomos concebidos no pecado,
nós nascemos num mundo caído em pecado e a única coisa que nós conhecemos é o
pecado.
As Escrituras dizem que a nossa sociedade
bebe iniquidade como se fosse água. Além disso, nós também vivemos num mundo
repleto de ignorância. Nós não temos conhecimento de Deus, não sabemos quem Deus é e O tratamos
como se Ele fosse um tipo de Papai Noel ou como um vovô bobinho. Nós não
entendemos que Ele é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis. Ao considerarmos o
livro de Romanos, nós vemos o apóstolo Paulo nos apresentando a coisa mais
próxima que temos de uma teologia sistemática. Ainda assim, ele toma os seus
três primeiros capítulos e trabalha com toda a sua força tendo um único
objetivo: fazer os homens desistirem de qualquer esperança carnal, fechá-los dentro
de uma cova, trancar as portas, remover de suas mentes qualquer alívio na
carne, a fim de que eles clamem a Deus por misericórdia. Quando nós vamos
pregar o evangelho em um campo missionário, precisamos perceber que todo o
nosso trabalho é uma absoluta catástrofe – e que experimentaremos fracasso
atrás de fracasso, à parte do poder de Deus para ressuscitar homens mortos e
odiadores de Deus. Nós precisamos, em nossa pregação, convencer os homens,
através das Escrituras, com toda a nossa força, de que todos pecaram.
Muitos dos pregadores famosos atualmente
estão ganhando tanta popularidade porque fazem de seu propósito não falar sobre o pecado. Porém, ao agirem dessa forma, eles vão
contra a obra do nosso Senhor, que constantemente pregava sobre o pecado. Eles
vão contra a obra dos apóstolos, que
trabalharam com toda a sua força intelectual, movidos pelo Espírito Santo, para
revelar o pecado do homem. E, principalmente, eu posso lhe assegurar que um
pregador ou missionário que não fala sobre o pecado não tem a obra do Espírito
Santo em sua vida – porque uma das grandes tarefas do Espírito Santo é convencer
os homens do pecado, da justiça e do juízo (Jo
16.8). Quando você não crê nisso, você está trabalhando contra o Espírito
Santo.
Muitos questionam a Deus o porquê de o inferno
ter duração infinita, se nós temos uma vida limitada de pecados. A principal
razão disso é esta: cada pecado que você comete é cometido contra um Deus
infinitamente digno e bom, logo, o seu pecado é de gravidade infinita. O
problema é que nós nos esquecemos de que o pecado ainda é pecado! Veja a
maneira como falamos sobre ofender ao Senhor: nós falamos de pecados contra os
homens, de pecados contra nós mesmos, de pecado até mesmo contra a natureza, os
animais e as árvores; entretanto, ninguém se dá conta de que todo pecado, no
final das contas, é cometido contra Deus. Davi pecou contra seu povo ao não
representá-lo bem como rei; Davi pecou contra Bate-Seba ao adulterar com ela; e
Davi pecou contra Urias ao mandar matá-lo. Porém, no final, ele disse a
Deus: “Pequei contra ti, contra ti
somente” (Sl 51.4).
Por que o pecado é algo tão terrível? É
porque ele é cometido contra Deus! Como podemos não tremer diante disso? É
porque não compreendemos o que isso significa! E por que não compreendemos o
que isso significa? É porque não sabemos quão glorioso e bendito Deus é! É uma
coisa terrível quando percebemos contra Quem nós pecamos. Como os puritanos
costumavam dizer, nós não pecamos contra um pequeno líder de uma simples
cidade, mas contra o Rei da Glória, Aquele que está assentado no mais alto e
sublime trono.
Imagine isto por um momento: Deus está no dia
da criação, dizendo aos planetas que se coloquem em determinada órbita no
espaço, e todos eles se curvam, dizem “Amém!” e Lhe obedecem. Ele diz às
estrelas que ocupem seus lugares no céu e sigam à risca o Seu decreto, e elas todas
se curvam e Lhe obedecem. Ele diz às montanhas que se ergam e aos vales que se
afundem, e eles se curvam e O adoram. Ele diz ao bravo mar: “Você virá até este
ponto e daqui não passará”, e o mar O adora. Porém, quando Deus lhe diz “Venha!”,
você diz “Não!”.
Você percebe o quão perverso é o nosso
pecado? Ora, se fossem apenas atos, nossa condição já seria terrível o
suficiente. Todavia, o pecado vai mais fundo no coração do homem. O ser humano
não simplesmente comete pecados; ele é nascido no pecado. Nós somos
podres e corrompidos desde o início.
Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra
e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração (Gn 6.5)
“Era continuamente mau”. Eu simplesmente li
esse texto ao pregar em uma universidade e um jovem repórter veio a mim,
dizendo: “Eu não concordo com a sua interpretação”. Eu lhe respondi: “Jovem, eu
não interpretei o texto, eu apenas o li”. Ainda assim, ele disse: “Bom, eu não concordo” e eu respondi: “Jovem,
deixe-me dizer-lhe algo: se eu pudesse expor, agora mesmo, o seu coração e cada
pensamento que você já teve, desde o seu primeiro levantar até este exato
momento – não os seus feitos, mas somente os seus pensamentos – e pudesse colocá-los
num vídeo e os exibir aqui neste auditório, você fugiria deste campus e nunca
mais mostraria sua face aqui de novo, porque você tem pensado coisas tão
doentias e tão pervertidas que não poderia compartilhá-las sequer com seu amigo
mais próximo. Na verdade, se seu amigo mais próximo conhecesse alguns dos pensamentos que você teve a respeito dele, ele
não seria mais seu amigo. E o motivo pelo qual eu tenho certeza disto não é
porque sou um profeta, mas porque isso é o que a Escritura diz – e porque eu
também sou um homem como você”.
Eu posso dizer a mesma coisa sobre cada ser
humano do planeta. Todos nós gastaríamos toda a nossa energia para esconder o
que se passou pela nossa mente apenas na última hora. Não me diga que a Palavra
não está certa quando ela fala sobre todos os homens terem pecado, porque todos
os homens são, de fato, pecadores.
E o SENHOR aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: Não
tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio
íntimo do homem desde a sua mocidade (Gn 8.21)
Isso pode significar maldade desde a
infância, maldade desde bebê. Deixe-me compartilhar algo que um funcionário de
penitenciária disse muito tempo atrás, a respeito da natureza humana. Imagine
por um momento um bebê de dezoito meses que você está segurando em seus braços.
Então, esse bebê vê um relógio brilhante em seu pulso e tenta pegar o seu
relógio. Você afasta a mão dele e diz “Não!”. Ele começa a chorar e a se mexer
em seus braços, e então se estica até o relógio novamente. Você afasta a mão
dele e diz “Não!”. Ele começa a gritar e chorar, e então se estica de novo, e
você diz “Não!”. Ele começa a jogar os braços, até mesmo na direção do seu rosto.
Ora, eu lhe digo que a natureza humana é de tal forma que, se esse bebê de
dezoito meses tivesse a força de um homem de dezoito anos, ele o espancaria ali
onde estava você, papai, arrancaria o relógio do seu braço e passaria pelo seu
corpo ensanguentado em direção à porta, sem sentir nenhum remorso.
Eis algo aqui que precisamos entender: Hitler
não foi uma anomalia. Hitler não foi um fenômeno extraordinário; Hitler foi o
que cada frequentador dos cultos dominicais tem o potencial de ser. E não
somente isso! Mesmo em toda a sua maldade, Hitler ainda era restringido pela
graça comum de Deus. E precisamos reconhecer isto: quando
não éramos convertidos, se não fosse pela graça comum de Deus nos restringindo,
nós faríamos com que Hitler parecesse um coroinha.
Nós não entendemos o que a Palavra ensina
sobre a extrema maldade dos homens. E se você disser: “Eu não concordo!”, isso
é porque você aprendeu o suficiente para estar no Cristianismo, mas não para
crer na Bíblia. O testemunho das Escrituras contra você e todos os homens é
este: nós nascemos com a maldade, nós somos maus.
Acaso você precisa ensinar uma criança a
mentir? Você precisa ensinar uma criança a ser egocêntrica? Você precisa ensinar
uma criança a ser egoísta? Você precisa ensinar uma criança a ser bruta com
outras crianças? Elas aprendem isso por si mesmas. Deixe-as livres, deixe de discipliná-las
e veja o que terá em dez anos: um verdadeiro monstro! Por quê? Porque o que a
Palavra diz é verdade: “Eu nasci na
iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). E quantos de nós
não tapamos os ouvidos, dizendo: “Eu não quero escutar isso! Não quero escutar
isso!”, da mesma maneira que uma pessoa morrendo de câncer permanece em
negação, recusando qualquer tratamento?
A primeira coisa que devemos abraçar é que
todos os homens nascem em pecado e entregues ao pecado, e esse é o motivo de
todos os homens nascerem odiando a Deus. Alguém pode retrucar que nunca odiou a
Deus, mas ele não percebe que, se isso fosse verdade, a Bíblia estaria mentindo
para nós. Absolutamente todo homem odiou a Deus em seu estado não convertido,
porque a Escritura declara que “outrora,
éreis... inimigos” (Cl 1.21) e que “éramos,
por natureza, filhos da ira” (Ef 2.3). Outro pode contestar, alegando que
ama a Deus desde pequeno. No entanto, o que amávamos era uma imagem de Deus criada por nossa própria mente; e era isso
que amávamos, de tal modo que, se alguém nos apontasse o Deus da Palavra, nós
rapidamente ficaríamos irados, dizendo: “Eu
nunca poderia amar um Deus como esse!”.
Já perdi as contas de quantas vezes alguns
bons membros de igreja me disseram que amaram a Deus por toda a vida e, depois
de eu sentar com eles apenas por trinta minutos para expor na Palavra algumas
crenças cristãs históricas sobre Deus, eles diziam, assustados: “Esse não é o meu Deus!”, e eu tinha que
responder: “Claro que não, mas é o Deus da Palavra”. O profeta Isaías usa palavras aterradoras ao
falar da condição do homem: “Mas todos
nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos
nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos
arrebatam” (Is 64.6).
Anos atrás, eu ajudei a edificar uma igreja
em San Pablo, perto da fronteira na Amazônia Colombiana, e era uma colônia de
leprosos. Você já viu alguma vez um leproso? Já sentiu o cheiro de um leproso?
Se um leproso do pior tipo tentasse ir à sua igreja, você sentiria seu cheiro antes mesmo de ele sair do
estacionamento. Ele seria uma massa de carne podre, fluido corporal pôs e sangue.
Quando Isaías diz que “todos nós somos como o imundo”, é possivelmente a isso
que ele se refere.
Vamos supor que existem irmãs muito finas em
sua igreja, e elas pensem que precisam fazer algo a respeito daquele leproso.
Então elas vão à loja mais fina e compram algumas das mais finas sedas que
encontram. Depois de enrolarem o leproso da cabeça aos pés, elas dizem: “Bravo!
Olhe o que fizemos! Salvamos o dia! Nós o fizemos apresentável”. Mas aquela
seda somente repousa naquela carne por poucos segundos e a corrupção daquele homem
começa a sangrar através daquela seda fina, tornando-a tão corrupta quanto o
próprio homem. Eis o porquê de nossas melhores obras serem como trapos imundos
diante de Deus. O fato de sermos pecadores não significa apenas que pecamos
constantemente, mas que não fazemos nada além de pecar. Tudo o que fazemos é
pecaminoso diante de Deus. Nós corrompemos até as nossas boas obras, de modo
que, Segundo Salomão, até mesmo “a
lavoura dos ímpios [é] pecado” (Pv 21.4, ACR), porque tais obras não são feitas por fé (Rm 14.23) nem para a glória de
Deus (1Co 10.31).
Muito da psicologia moderna fala a respeito
de se sentir bem com quem você é. Entretanto, não é isso que eu quero; eu quero
que você seja salvo de quem você é e do que você tem feito. Todos
nós, antes da conversão, tínhamos um coração de pedra, um coração odiador de Deus, um coração maligno, nascido
no pecado e dado ao pecado. Esse é o testemunho da Palavra! Os homens antigos ouviam
isso ser pregado constantemente, mas parece que as novas gerações não podem
suportar a verdade; antes, preferem ser enganadas e pensar bem de si mesmas. Contudo,
um homem que não aceita a sua própria doença não pode ser curado. Um homem que
não tem todas as suas esperanças moídas a respeito de seus próprios méritos, valor
e justiça pessoal não pode voltar-se para Cristo.
Nós precisamos entender que estamos
destituídos de qualquer valor e que há somente um Salvador – e Seu nome é
Jesus. O problema é que, hoje em dia, é tudo sobre o ego. Os homens são cheios de ego! Precisamos
entender que os homens não necessitam de mais autoestima; de fato, eles
precisam perceber que esse é exatamente o seu maior problema. Eles precisam, na
verdade, estimar o Único que é digno de estima, Deus, e entregar-se a Ele. No
entanto, para viverem, crerem e pregarem dessa forma, os homens devem saber
quem Deus é. Paulo expressa nossa extrema pecaminosidade de modo eloquente na
carta aos Romanos: “Não há justo, nem um
sequer” (Rm 3.10). A palavra “justo” é sinônimo de “reto”, referindo-se a
um padrão. Para ser justo, você tem que estar perfeitamente linhado a certo modelo, e, se você não está
moldado àquele padrão de retidão, você está distorcido. Em outras palavras,
você está pervertido. O padrão é a natureza de Deus e a lei de Deus. O problema
é que a Bíblia diz que ninguém, absolutamente ninguém, pôde jamais se conformar
ao padrão da santa natureza de Deus e ao padrão da santa lei de Deus. Todos nós
nos tornamos distorcidos e deslocados. Paulo continua, dizendo que “não há quem entenda, não há quem busque
a Deus” (3.11). Se você alguma vez realmente buscou a Deus, é apenas porque
Ele o buscou primeiro. O texto prossegue deixando clara a nossa maldade: “todos se extraviaram, à uma se fizeram
inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.12).
Quantas pessoas, mesmo aquelas que se colocam
na esfera do Cristianismo, dizem que irão para o céu porque não são tão más?
Elas dizem que irão para céu porque são boas, mas qual é o testemunho das
Escrituras? Não existe alguém bom, nem um sequer, absolutamente nenhum. Todos
pecaram!
Você me diz: “Irmão Paul, mas eu não pequei
tanto!” Todavia, quanto você tem que pecar? Adão precisou pecar somente uma
vez, e o universo inteiro foi lançado num caos moral e posto sob julgamento.
Você já pecou mais vezes do que se pode contar em uma calculadora. Se Adão e
Eva, e até mesmo a criação, não conseguiram escapar da condenação por um único
pecado, como você irá escapar de todos os pecados que estão sobre a sua cabeça? Mas talvez você me diga: “Ah! Mas eu
estou muito bem, se comparado com as outras pessoas!”. Todavia, você não será
julgado por padrões humanos; você será julgado por um Deus justo e santo.
Algumas pessoas dizem: “Não me julgue!
Você não sabe o que está no meu coração”. Essa é uma frase tola, porque
elas ficariam envergonhadas se soubéssemos o que está no seu coração. Saiba que
Deus de fato tem visto o seu coração – e Ele conhece toda a podridão que está
lá. Se nós escondemos nossos corações de todo o mundo, por que o usaríamos como
desculpa diante de Deus? As pessoas dizem que nós não as conhecemos realmente,
mas nunca nos deixariam vê-las sozinhas, no secreto. Todos nós somos julgados
pela acusação de nossa consciência.
“Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). É muito comum tomarmos esse versículo e
torná-lo tão humanista! O que significa “carecem da glória de Deus”? Alguns
dirão que Deus tem um maravilhoso plano para todos nós e Ele investiu tanto
para nos ver cheios de glória, mas,
apesar desse grande plano, nenhum de nós o alcançou. Eu não acredito que esse
seja o sentido primário deste texto. Quando Paulo diz que “nós carecemos da glória
de Deus”, eu penso que essa frase deveria ser interpretada no contexto do
primeiro capítulo de Romanos, no qual está escrito: “porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem
lhe deram graças” (Rm 1.21).
Vamos pensar nisso por um instante. Por quem você
foi criado? Por Deus. Entretanto, não apenas você foi criado por Deus, mas
todas as suas faculdades, a sua própria existência é sustentada por Ele. Você
deve cada respirar e cada batida do seu coração a Deus. Aliás, sua respiração é dada apenas para retornar em
adoração; e seu coração bate somente para servi-Lo. Ainda assim, observe o
testemunho deste texto contra nós: nossa mente e nossas vidas são repletas de
busca por nossos propósitos, nossos sonhos, nossos objetivos e nossos desejos. Mesmo
aqueles que alegam algum tipo de piedade precisam assumir que, em suas vidas
diárias, são ateístas praticantes. Deus está longe dos seus pensamentos. Quando
estão trabalhando, quando estão nas fábricas, quando estão no campo, quando
estão em casa, Deus é o centro de seus pensamentos? Tudo o que eles estão
pensando e tudo que estão fazendo, estão fazendo para a glória de Deus? Então
você me diz: “Irmão Paul, ninguém é desse jeito!”. É justamente aí que quero
chegar! “Todos pecaram, todos carecem da glória de Deus”.
Por que os homens são tão vazios, tão
miseráveis e tão sem propósito? Não é incrível que os cristãos na América sejam
os mais saudáveis e mais protegidos cristãos que já existiram na história, e,
ainda assim, 85% do que se vende nas livrarias “cristãs” dizem respeito a quão vazios
nós somos?
Você quer saber por que somos vazios?
Primeiramente, a grande maioria daqueles que se chamam cristãos não é
convertida de verdade. Em segundo lugar, até mesmo aqueles que são cristãos
estão vazios porque não têm comido do melhor alimento. Jesus disse: “Uma comida tenho para comer, que vós não
conheceis... A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e
realizar a sua obra” (Jo 4.32,34). Nossa comida tem sido ganhar terras
neste planeta, sucesso, conforto, fama, lazer, juventude e beleza. Sempre nós,
nós, eu, eu. E, quanto mais temos de “nós”, mais vazios somos, porque fomos
feitos para outra coisa – melhor dizendo, fomos feitos para outra Pessoa. O
resumo de tudo é que nós nos tornamos distorcidos e deslocados. Não apenas pecamos,
não apenas estamos separados de um Deus santo e justo, mas todo o nosso
propósito foi retirado de nós. “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”.
Bem, agora temos um problema: a maior bênção
que você jamais poderia ouvir é também o maior terror que jamais poderia cair
sobre você. E o que é? Deus é justo. Você diz: “Isso é bom, eu quero um Deus
justo, eu não iria querer um Ser todo-poderoso que é mal. Eu quero um Deus
justo. Essas são boas notícias, irmão Paul”. Na verdade, não são, porque você não é justo. Eis o problema: Ele
é um Deus justo e, sendo um Deus justo e o Juiz de toda a terra, Ele agirá corretamente. E, ao agir corretamente, a
resposta Dele em relação a você é completamente apavorante.
** Extraído do livro "O Verdadeiro Evangelho" - Paul Washer - Publicado pela Editora Fiel

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