Um dos mais excitantes sinais do
nosso tempo é o crescente interesse pelo estudo da Palavra de Deus e da
Teologia Bíblica da Reforma. Ao invés de preferirem a literatura mundana de
seus pais, muitos jovens estão lendo
hoje livros tais como "A Escravidão da Vontade", de Martinho Lutero, e as
"Institutas", de João Calvino. Na medida em que lêem e comparam a Teologia
dos Reformadores Protestantes com suas Bíblias, começam a perceber que muito da
teologia do evangelismo contemporâneo tem negligenciado a graça, e tem dado
ênfase às obras da carne. Se eles forem além e estudarem a história da
Teologia, aprenderão também que a doutrina da maioria das igrejas
"evangélicas", hoje, é a teologia humanista de Erasmo, de Roma. É
neste ponto que eles começarão a perceber, exatamente, por que Fundamentalistas
e Liberais, Protestantes e Católicos, Episcopais e Pentecostais podem trabalhar
lado a lado, nas maiores cruzadas de reavivamento do século vinte. Aquilo que estas
igrejas sustentam, em comum, é a exaltada doutrina a respeito do homem esposada
por Erasmo, e sagacissimamente definida por Arminius, tornada popular por
Wesley e, finalmente, polida por muitos psicólogos cristãos do nosso tempo.
Estranho como possa parecer, há
muitos hoje que insistem, dizendo que crêem na salvação pela graça, contudo
insistem também em que o homem tem o poder de "tomar a decisão por
Cristo". Argumentam, dizendo que "Deus ama a todos igualmente e do
mesmo modo", porém estão certos de que Ele está mandando algumas pessoas
para o inferno. Afirmam que a Bíblia ensina que o Criador de todas as coisas,
certamente, é onipotente, mas estão igualmente convencidos de que o homem
finito é plenamente capaz de obstruir a vontade de Deus. Em quase todos os
casos, o problema está no fato de estas estimadas pessoas não conhecerem a
doutrina bíblica. Elas não têm ouvido nos púlpitos de suas igrejas coisa alguma
senão algo a respeito do plano da salvação e sumários sermões doutrinários que informam esse plano! Se lhes pedíssemos que explicassem
o significado de doutrinas tais como redenção, propiciação, reconciliação,
remissão e expiação, essas pessoas se limitariam a murmurar trivialidades ou
ficariam simplesmente sem ter o que dizer. Por quê? Simplesmente porque nunca
foram ensinadas, nem tiveram o vigor espiritual necessário para, por si mesmas,
descobrirem o que é que as Escrituras ensinam a respeito da obra de Cristo. Há,
porém, uma coisa que elas sustentam em comum: A convicção de que o homem pode usar sua própria vontade positiva para
aceitar a Cristo e garantir, por si mesmo, "sua salvação".
Muitos batistas, que pensam ser
anti-calvinistas, não estão cientes do fato de que um dos seus maiores pregadores
- Charles Haddon Spurgeon - foi um sólido defensor dos cinco pontos do
Calvinismo. Este pregador de língua de ouro disse:
"As velhas verdades que Calvino pregou, que Agostinho pregou, que
Paulo pregou são as verdades que eu devo pregar hoje, ou, de outro modo, serei
falso à minha consciência e ao meu Deus. Eu não posso fabricar a verdade. Eu
nada sei a respeito de como abrandar as ásperas arestas de uma doutrina. O
Evangelho de João Knox é o meu Evangelho. Aquele Evangelho que ribombou através
da Escócia deve ribombar através da Inglaterra outra vez."
Através da História, muitos dos
grandes evangelistas, missionários e vigorosos teólogos sustentaram as
preciosas doutrinas da graça, conhecidas como Calvinismo. Por exemplo, William
Carey enfatizou solidamente a predestinação, mas não hesitou em chamar o homem
ao arrependimento de seus pecados e a confiar em Cristo. A soberania de Deus e
a responsabilidade do homem em crer na Palavra de Deus não são doutrinas
absolutamente incompatíveis. Uma vez que os ensinos básicos do Calvinismo sejam
corretamente compreendidos, o coração se aquece e a urgência de partilhar o
Evangelho com outros torna-se quase irresistível. Burns, da China, M'Cheyne, Whitfield,
Brainerd, Bonar, Lutero, Knox, Latimer, Tyndale, Rutherford, Bunyan, Goodwin,
Owen, Watson, Watts, Newton, Hodge, Warfield e Pink são apenas uns poucos
gigantes do púlpito, cujas pregações brilharam com a doutrina da graça
soberana. Todos eles proclamaram um fervente amém às seguintes palavras de
Spurgeon:
"Deleito-me em proclamar estas velhas e fortes doutrinas
apelidadas de Calvinismo, porque são certa e seguramente a verdade revelada por
Deus, como ela está em Jesus Cristo."
O acróstico TULIP se forma com os Cinco Pontos soletrados em inglês:
Estes Cinco Pontos ou posições
doutrinárias foram formulados pelo grande Sínodo de Dort, como resposta a um
documento chamado "Representação" ou "Protesto",
apresentado ao Estado da Holanda pelos discípulos do Professor de um Seminário
Holandês – Professor Jacob Hermann, cujo sobrenome latino era Arminius.
Arminius (1560-1600) tinha apenas
quatro anos de idade, quando o grande Reformador João Calvino (1509-1564)
morreu. Ainda que inserido na tradição reformada, Arminius tinha sérias dúvidas
quanto à graça soberana de Deus, visto que era simpático aos ensinos de Pelágio
e Erasmo, no que se refere à livre vontade do homem. No correr de um ano, após
a morte de Arminius, seus discípulos formularam os seus ensinos em Cinco Pontos
principais, que decidiram apresentar ao Estado com o desejo de que a Confíssâo Belga
e O Catecismo de Heidelberg fossem substituídos pelos ensinos do seu Professor.
O grande Sínodo de Dort foi
convocado pelos Estados Gerais (da Holanda), em 1618, com O propósito
específico de examinar os Cinco Pontos do Arminianismo, à luz das Escrituras. 84 Teólogos e 18 delegados seculares estiveram
reunidos em 154 Sessões, desde 13 de novembro de 1618 até maio de 1619. Depois
de um completo exame das doutrinas de Arrninius, compararam, cuidadosamente, seus
ensinos com os ensinos das Escrituras Sagradas, e o Sínodo concluiu que os pontos de vista de
Arminius eram heréticos. Os membros do Grande Sínodo não pararam aí, porquanto
formularam, cuidadosamente, como refutação, outros Cinco Pontos baseados nas Escrituras,
refutação que se tomou conhecida como os Cinco Pontos do Calvinismo.
A História revela que nem o
Arminianismo nem o Calvinismo são novos. Um herege do Século V, chamado Pelágio
– que negava que a natureza humana estivesse corrompida pelo pecado já ensinara
que o homem é dotado de "livre vontade" absoluta, por meio da qual
podia escolher aceitar ou rejeitar a Deus. O grande teólogo Santo Agostinho
fez-lhe cerrada oposição, insistindo em
que as Escrituras ensinam que o homem (natural) "está morto em delitos e
pecados" e é escravo de Satanás. A vontade do homem, disse Agostinho, não
tem a menor liberdade.
Durante a Reforma Protestante, o
debate sobre esse assunto foi aguçado. Erasmo, o brilhante humanista e teólogo
da Igreja Romana, publicou uma "Diatribe" na qual defendia a graça soberana,
mas argumentava que o homem é dotado de "livre vontade" para fazer
(ou não) uma decisão por Cristo. Esta posição foi contraditada pela explosiva
pena do grande Reformador Protestante, Martinho Lutero, em sua tese sobre
"A Escravidão da Vontade Humana".
Assim, o Arminianismo não é senão
um refinamento do Pelagianismo e uma sofisticada elaboração racional de Erasmo.
Popularizado posteriormente pelos irmãos Wesley, na Inglaterra, com grande
aparato, o Arminianismo, no Século XX, veio a tomar-se a base do moderno
evangelismo de massas.
O propósito deste roteiro é o de ajudar o estudante a definir a real questão em jogo. Aqui simplesmente se afirmam as idéias básicas dos Cinco Pontos do Arminianismo e a dos Cinco Pontos do Calvinismo; mostram-se também os textos bíblicos usados por, cada um desses sistemas, com um breve comentário sobre a fraqueza do Arminianismo.
O propósito deste roteiro é o de ajudar o estudante a definir a real questão em jogo. Aqui simplesmente se afirmam as idéias básicas dos Cinco Pontos do Arminianismo e a dos Cinco Pontos do Calvinismo; mostram-se também os textos bíblicos usados por, cada um desses sistemas, com um breve comentário sobre a fraqueza do Arminianismo.
** Extraído do livro "TULIP - Os Cinco Pontos do Calvinismo" - Duane Edward Spencer


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