A Série: Lições Sobre o Mal Moral serão compostas de dois textos, sendo este o primeiro, e mais um intitulado "As Tentações Cooperam Para o Nosso Bem" que você pode ler clicando aqui.
Já afirmei anteriormente que todos os seres racionais são
funcionários de Deus. Não existe ninguém que não esteja ao dispor de Deus para
a realização da sua vontade soberana. Satanás não foge à regra. Todos os seus
atos estão debaixo do controle e governo soberanos de Deus. Ele é um
instrumento de Deus que coopera para o bem dos que amam a Deus.
O Tentador é um instrumento de Deus
Se Deus assim decretasse, ele poderia evitar que houvesse
tentação no seu mundo. Ele é poderoso para impedir qualquer obra maligna em
nosso meio. Todavia, ele é suficientemente soberano para servir-se de
instrumentos para que sejamos tentados.
As tentações vieram porque ele enviou o Tentador a este
mundo. Quando ele caiu em pecado, Deus o lançou neste mundo, para cumprir o seu
propósito instrumental.
Satanás é o grande molestador dos cristãos. Ele vive
passeando por nosso mundo (Jó 1.7; 2.2), porque ele é o lugar que lhe foi dado
por Deus para que ele pudesse trabalhar como seu instrumento. Se não crermos
dessa maneira, como a Escritura apresenta, teremos de admitir que Deus não pode
fazer nada para impedir que ele faça o que ele sabe fazer tão sagazmente. Isso
tornaria nosso Deus tão pequeno e impotente como alguns pensam que ele é!
Portanto, Satanás percorre a face da terra para causar mal-estar aos filhos de
Deus, incitando-os a desobedecer as leis estabelecidas do grande e santo
Legislador. Ele vive para causar desconforto a nós e a todos os filhos de Deus
espalhados pela face da terra.
Todavia, a despeito de todo o seu propósito mau no mundo
dos homens, ele é o servo de Deus para cumprir os seus santos propósitos em
nossa vida.
A Finalidade do Instrumento divino
A finalidade proposta por Satanás, que é um ser que
possui livre agência, é perturbar, azucrinar, humilhar, desassossegar e
derrubar os cristãos. Contudo, toda essa tentativa de Satanás é para cumprir o
propósito divino de fortalecer a vida dos crentes, criando neles uma
perseverança inamovível!
Ser tentado implica em algum tipo de sofrimento (Hb 2.18)
e, no sofrimento o cristão é amadurecido, porque a tentação é uma espécie de
prova ou teste a que Deus submete os seus filhos. A finalidade do teste é não
somente averiguar o estado espiritual dos cristãos mas também torná-los
experimentados e amadurecidos nessa esfera tão difícil da caminhada cristã.
É importante aprender da Escritura que a provação está
relacionada com a tentação. É bom lembrar que as duas palavras abaixo, provação
e tentação, possuem a mesma raiz e estão intimamente relacionadas. Tiago fez
essa relação:
Tg 1.12-13 - “Bem-aventurado o homem que suporta com
perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa
da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. Ninguém ao ser tentado, diga:
sou tentado por Deus. Porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo a
ninguém tenta.”
Ser tentado é ser provado por Deus pela instrumentalidade
de Satanás e por nós mesmos, de onde a tentação também procede. A finalidade da
provação através da tentação é causar perseverança em nós, pois a perseverança
produz experiência e a experiência esperança.
A Inteligência do Instrumento Divino
Satanás não é onisciente, mas ele é um astuto observador
do comportamento humano. Ele observa você a mim e vai conhecendo o nosso
temperamento e o modo como reagimos diante das situações. Ao observar a raça
humana por milênios, Satanás aprendeu a lidar com ela e a lançar os seus dardos
inflamados de acordo com as fraquezas de nosso temperamento. Como um
inteligente lavrador ele lança a semente de acordo com o solo que tem. Como um
astuto pescador, ele usa a isca própria para fisgar o tipo de peixe que quer.
Não é qualquer isca que serve para pegar todo tipo de peixe como não é qualquer
arapuca que serve que caçar todos os tipos de animais. Portanto, Satanás,
conhecendo os nossos temperamentos ele adapta o tipo de tentação a que mais
somos suscetíveis.
Jamais Satanás irá tentar-nos numa área em que somos
fortes, ou que seja fortemente contrária ao nosso temperamento. A política
astuta de Satanás é atacar onde nós nos tornamos atacáveis.
Além disso, ele sabe a hora exata de nos tentar. Ele não
nos tenta a qualquer instante. Ele procura as melhores condições psicológicas e
afetivas que são as horas em que enfrentamos problemas ou quando pensamos que
estamos fortes, quando estamos cheios de nós próprios, sentindo-nos
inatacáveis, quando nos imaginamos seguros. Quando menos suspeitamos, ele lança
os seus dardos inflamados.
O Poder do Instrumento Divino
Deus concedeu poderes a Satanás na sua tarefa de tentar
os seres humanos. Deus lhe deu, pela observação constante da vida dos homens, a
capacidade de excitar a corrupção inata dos homens e levá-los ao pecado. Ele
conhece a inclinação para o pecado que os filhos de Deus possuem e ele a
excita. Embora, ele não possa forçar os filhos de Deus a pecarem, através de
sugestão, ele os provoca ao mal.
1 Cr 21.1 – “Então Satanás se levantou contra Israel, e
incitou a Davi a levantar o censo de Israel.”
Sem se dar conta Davi caiu na armadilha de Satanás. Ele
acabou fazendo o que o instrumento de Deus queria. É verdade que por detrás das
obras de Satanás estava Deus que manifestou-se em ira contra os israelitas (2
Sm 24.10), mas o texto acima mostra como é poderoso o nosso inimigo. Ele
incitou Davi a que fizesse o censo.
O poder das obras de Satanás afetam alguns filhos de Deus
que andam desatentos. É o caso acima. Esses são males que vem sobre essas
pessoas e desagradam a Deus, que acabou por punir o seu povo (1 Cr 21.7).
O poder de Satanás se evidencia no fato de trabalhar na
consciência das pessoas, inculcando nelas para laborarem em erro, cegando-lhes
o entendimento para que não percebam a astúcia da sua obra. Somente depois que
caem e percebem o estrago causado pelos seus atos é que percebem que foram
vítimas da armadilha de Satanás. Portanto, é de extrema necessidade o cristão
estar alerta com a ação poderosa e astuta do Maligno. Por essa razão, Pedro nos
adverte a todos:
1 Pe 5.8-9 - “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso
adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para
devorar; resistir-lhe firmes na fé...”
Esse verso mostra a violência poderosa com que ele nos
ataca para nos destruir. Ele é mais poderoso do que nós. Por essa razão, temos
que usar de nossa fé no Senhor para fazer-lhe resistência. Do contrário,
confiados em nós mesmos, haveremos certamente de cair.
Satanás, é muito inteligente, astuto e poderoso! Mesmo
sabendo que ele é instrumento de Deus para nos tornar perseverantes, temos que
andar atentos ao que ele tenta fazer contra nós. A finalidade de Deus expor-nos
ao tentador é para nos fortalecer, todavia, se caímos diante de suas
investidas, aprendemos pela disciplina divina, o que é muito mais dolorido.
A Sagacidade do Instrumento Divino
Ele é um competente observador da conduta humana. Ele tem
trabalhado com os seres humanos por milênios. Como um homem do campo conhece os
grãos certos para cada tipo de solo, assim ele lança um tipo diferente de
tentação para cada tipo de temperamento. Ele não vai lançar nenhum tipo de
semente no solo que ele sabe que não vai nascer. Como um competente semeador,
ele sabe a direção dos ventos e das chuvas e faz a semeadura no tempo próprio
com a semente própria no solo próprio.
Satanás conhece bem a conduta dos seres humanos e os
vários temperamentos e suas fraquezas. Por essa razão ele faz armadilhas
adequadas para cada tipo de temperamento.
Além de conhecer as fraquezas do temperamento de todas as
pessoas pela observação, ele sabe o tempo próprio de lançar os seus ataques.
Observe que não somos atacados a toda hora pelo inimigo de nossas almas. Somos
atacados quando menos percebemos. Ele nos pega quando menos esperamos o seu
ataque. Ele é um estrategista e sabe o momento próprio de nos seduzir. Quando
pensamos que estamos fortes, então é o tempo do ataque. Quando julgamos estar
fortes nós relaxamos e deixamos de ser vigilantes. Esse é o tempo do ataque,
mas custamos a perceber que estamos confiantes e, portanto, sujeitos às suas
investidas. Freqüentemente caímos na grande armadilha da auto-confiança. Por
essa razão, a Escritura nos adverte: “Quem pensa estar de pé, veja que não
caia” (1 Co 10.12). Nunca se julgue imbatível ou inatacável. Paulo deixa claro
que devemos estar constantemente alertas por causa do perigo da queda a
qualquer momento. Observe que Paulo está fala no verso 12 no contexto das
tentações (v.13).
Deus usa Satanás para alertar você do seu estado de
fragilidade e atacabilidade. Deus quer que você seja treinado a confiar nele,
não nas suas próprias forças. Deus quer que nos vistamos das armas espirituais
para lutar contra a sagacidade dele. Satanás é o instrumento de Deus através do
qual Deus nos aperfeiçoa na batalha contra o mal. Cuide-se para não cair em sua
sagacidade.
A Vitória sobre o Instrumento Divino
Podemos ter vitória porque Deus ordenou que resistíssemos
ao diabo.
Análise de Texto
Tg 4.7 - “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; resisti ao
diabo, e ele fugirá de vós.”
Ninguém pode estar sujeito a Deus e, ao mesmo tempo,
estar fazendo concessões ao diabo. A expressão “resisti ao diabo” sugere
algumas coisas que precisam ser analisadas:
1) Que estamos sempre debaixo do seu constante ataque.
Tiago tinha plena consciência de que é tão perigoso
trabalhar no território inimigo como deixar ele trabalhar em nosso território.
Freqüentemente, as duas coisas acontecem na vida dos cristãos desavisados.
Contudo, a advertência de Tiago neste verso é sobre o constante ataque dele e do
perigo de suas investidas. Satanás ama ficar atacando os crentes nos seus
lugares atacáveis. Todos os cristãos têm fraquezas e calcanhares de Aquiles.
Todos são passíveis de ataque. Portanto, esse verso nos avisa das investidas
constantes do inimigo de nossas almas.
2) Que é possível fazer resistência a ele.
O verso 7 indica que é possível fazer resistência a ele.
Ninguém pode lutar contra Deus, por que ele é onipotente, mas Satanás não é
onipotente contra quem não possamos lutar. Ele é um ser criado. É verdade que
ele é superior a nós em inteligência, mas não é poderoso o suficiente para não
ser passível de resistência. Seres mais fracos e mais limitados como nós podem
fazer resistência a seres superiores como os anjos, conquanto recebam apoio
divino. E é exatamente isso o que acontece, conforme o ensino deste verso.
A idéia desse verso é que não podemos dar lugar a ele.
Devemos batalhar violentamente contra ele, resistindo às suas investidas. Paulo
já havia advertido aos crentes de Éfeso para “não darem lugar ao diabo” (Ef
4.27). Dar lugar ao diabo significa brincar com fogo, significa não dar
importância à força do diabo, significa desprezar a astúcia do inimigo.
Não dar lugar ao diabo é uma atitude negativa que devemos
possuir. A atitude positiva é “fugir da tentação”. Esta é a cousa mais sábia
que o cristão pode fazer. Fugir da tentação não significa covardia, mas é a
coragem que precisamos para fazer a vontade de Deus.
3) Que é possível ter vitória sobre ele
Quando queremos ser vitoriosos sobre Satanás temos que
nos submeter a Deus. Não há outra maneira! Quando obedecemos a Palavra de Deus,
fazendo a sua vontade, é promessa de Deus que Satanás se afastará de nós. A
Palavra de Deus faz Satanás se acovardar porque a Palavra de Deus é poderosa e
verdadeira, mostrando a falácia e a mentira de Satanás, que quer nos derrubar.
Portanto, se você quer ser vitorioso sobre ele, seja submisso a Deus.
Análise de Texto
1 Pe 5.9 - “Resisti-lhe firmes na fé, certos de que
sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada
pelo mundo”.
O instrumento com o qual podemos oferecer resistência a
Satanás é a fé. Essa fé, na qual devemos estar firmes, pode ser entendida de
duas maneiras, pois a palavra grega usada nos permite isso e também o seu contexto.
A Fé tem a ver com a nossa dependência pessoal de Deus.
Podemos resistir ao diabo sem vacilar em nossa firmeza de
dependência de Deus. Temos de viver confiados nas promessas de Deus de que
todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, de que ele cuida
de nós com Santo Pai que é, de que ele nos livra de todos os nossos temores, e
assim por diante. Quem não vive na dependência de Deus, confiando em suas
promessas, é presa fácil das tentações. A confiança em Deus é a grande saída
para nos vermos livres das investidas do Maligno.
A fé tem a ver com a verdade na qual cremos.
A palavra “fé” aqui pode significar também o conjunto de
verdades no qual cremos. Quanto mais firmados nessa verdade da revelação
divina, mais força temos para resistir a Satanás. Foi essa força na verdade de
Deus que o Filho encarnado usou quando assediado por Satanás. Ele usou a
palavra devidamente para vencer as artimanhas “teológicas” do inimigo. A
Escritura, que é o conjunto de verdades, foi o instrumento poderoso que Jesus
Cristo usou para derrotar Satanás. Firmeza na fé, portanto, significa firmeza
na verdade de Deus. Disso Jesus nunca abriu mão! Nisso também devemos imitar
nosso Redentor.
Os dois versos acima (o de Tiago e de Pedro) estão no
contexto que fala da necessidade de estarmos todos debaixo da poderosa mão do
Senhor. Mil vezes estar debaixo da poderosa, mas justa e bondosa mão de Deus do
que estar sob o domínio do Maligno. Ser humilde diante de Deus é a tônica do
contexto dos dois versos, porque Deus resiste aos soberbos enquanto aos
humildes ele concede a sua graça (Tg 4.6, 10; I Pe 5.5-6).
Portanto, faça resistência a Satanás. Ele não é
todo-poderoso como alguns posicionamentos hodiernos indicam. Ele é criatura sob
o jugo divino e nós somos ordenados a resistí-lo firmes na fé.
Os instrumentos humanos que Satanás usa
Satanás não ataca imediatamente (sem o uso de meios ou
instrumentos) como ele fez com Jesus Cristo. Porque ele é inteligente e sagaz,
ele usa pessoas insuspeitas para nos tentarem. Ele tenta por procuração. Assim,
teoricamente, é mais fácil penetrar na vida das pessoas insuspeitamente.
Quando não deu certo a tentação direta com Jesus, Satanás
tentou um outro recurso. Ele usou uma pessoa insuspeita para fazer Jesus
desistir do seu plano de ir à cruz. Ele usou Pedro. Veja o que Pedro disse a
Jesus: “Mestre, tem compaixão de ti” (Mt 16.22). Parecia uma preocupação justa
e compreensível de Pedro. Mas Jesus identificou a atitude insuspeita com a
tentação e identificou quem estava por detrás daquela conversa insuspeita. Por
essa razão, ele disse a Pedro: “Arreda! Satanás; tu és para mim pedra de
tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e, sim, das dos homens” (Mt
16.23). Satanás usa vasos preciosos para o próprio Deus como seus instrumentos.
Ele usa taças de ouro para oferecer o seu terrível veneno. Ele usa instrumentos
que menos esperamos. Foi assim que ele procedeu com o homem da paciência.
Quando tentou Jó, ele usou a sua própria esposa que lhe sugeriu que, no meio
das aflições, amaldiçoasse Deus (Jó 2.9).
Portanto, não se espante pelo fato de Satanás usar uma
pessoa muito querida sua para tentá-lo. A sua inteligência e sagacidade lhe
possibilitam isso. Esteja alerta a respeito das pessoas insuspeitas. Elas podem
ser instrumentos poderosos de Satanás para desencaminhá-lo dos preceitos
divinos.
Esteja atento para não ser útil nas mãos do Maligno a fim
de que outras pessoas possam ser prejudicadas por sua atitude. Embora ele seja
usado como instrumento divino para o nosso bem, os seus propósitos são maus e
ele pretende causar mal aos outros através de nós.

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