“E disse-me um dos anciãos:
Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para
abrir o livro e desatar os seus sete selos. E olhei, e eis que estava no meio
do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como
havendo sido morto” (Apocalipse 5:5-6a).
Introdução
As visões e
revelações que o apóstolo João teve dos eventos futuros da providência de Deus,
são aqui introduzidos com uma visão do livro dos decretos de Deus, em que esses
eventos foram preordenados. Isto é representado (Apocalipse 5:1) como um livro
na mão direita daquele que estava sentado no trono, “escrito por dentro e por
fora, selado com sete selos”. Livros, na forma em que eles eram antigamente
habituados a serem feitos, eram folhas largas de pergaminho ou de papel, ou
algo dessa natureza, unidos em uma borda, e assim enrolado juntos, e então
selados, ou de alguma forma presos em conjunto, para impedir a sua abertura e
desdobramento. Assim, lemos sobre o rolo de um livro em Jeremias 36:2. Parece
ter sido um tal livro que João teve uma visão aqui; e, portanto, diz-se ser
“escrito por dentro e por fora”, isto é, nas páginas interiores, e também sobre
uma das páginas exteriores, ou seja, que este fora enrolado, ao enrolar o livro
junto. E diz-se ser “selado com sete selos”, para significar que o que foi
escrito no interior era perfeita-mente oculto e secreto; ou que os decretos de
eventos futuros de Deus são selados, e calam a boca de toda a possibilidade de
serem descobertos por criaturas, até que Deus se agrade em torná-los
conhecidos. Nós encontramos que sete é frequentemente usado nas Escrituras como
o número da perfeição, para significar o grau superlativo ou mais perfeito de
qualquer coisa, o que provavelmente surgiu a partir disso, que no sétimo dia
Deus viu as obras da criação terminadas, e descansou e se alegrou nelas, como
sendo completas e perfeitas.
Quando João viu esse livro, ele nos diz que viu “um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos? E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele”. E que ele chorava muito, “porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele”. E depois nos diz como Suas lágrimas secaram, a saber, “disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu [...]”, como no texto. Embora nenhum homem nem anjo, nem qualquer mera criatura, fosse encontrado tanto capaz de desatar os selos, ou digno de ser admitido ao privilégio de ler o livro, ainda assim, foi declarado, para o consolo do discípulo amado, que Cristo fora encontrado capaz e digno. E nós temos um relato nos capítulos seguintes sobre como Ele realmente fez isso, abrindo os selos em ordem, primeiro um, e depois o outro, revelando o que Deus havia decretado que deveria ocorrer no futuro. E temos um relato neste capítulo, de Sua vinda e obtenção do livro da mão direita dAquele que estava assentado sobre o Trono, e dos louvores jubilosos que foram cantados para Ele no céu e na terra naquela ocasião.
Muitas coisas podem ser observadas nas palavras do texto; mas é o meu presente propósito apenas tomar conhecimento das duas denominações distintas aqui dadas a Cristo.
Trecho do sermão "A Excelência de Cristo" que você pode baixar em formato E-book clicando na imagem:

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