Durante quase dois mil
anos, os Salmos foram centrais para a devoção da igreja cristã, ensinando os
fiéis a orar, em resposta ao Deus que se revela, uma confissão e glorificação
ao Deus trino, criador, redentor e restaurador. Deste modo, “quando abraçamos Salmos,
juntamo-nos a um amplo grupo de pessoas que por quase trinta séculos tem
baseado seus louvores e orações nessas palavras antigas. Reis e camponeses,
profetas e sacerdotes, apóstolos e mártires, monges e reformadores, executivos
e donas de casa, professores e cantores populares – para todos esses e para uma
multidão de outros, Salmos tem sido vida e respiração espiritual”.1 Como
Eugene Peterson escreve, “não existe outro lugar em que se possa enxergar de
forma tão detalhada e profunda a dimensão humana da história bíblica como nos
Salmos. A pessoa em oração reagia à totalidade da presença de Deus, partindo da
condição humana, concreta e detalhada”. Só que, por volta da primeira metade do
século dezenove, com o aparecimento dos métodos críticos de estudos bíblicos,
os salmos perderam sua centralidade na devoção cristã. Deixaram de ser a escola
de oração que dava forma à oração dos fiéis, em sua resposta ao Deus que se
revela. Passaram a ser vistos, na avaliação de Peterson, como a piedade
deteriorada de uma religião desgastada.2
1. Os Salmos e a oração
A escola que Israel e a
Igreja recorreram para aprender a orar foram os Salmos, que, junto com Isaías,
foi o livro mais citado por Jesus e os apóstolos no Novo Testamento, inclusive
como apoio de doutrinas centrais da fé cristã. Para os primeiros cristãos, a
ordem era: “Enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos” (Ef 5.18-19).
Logo, estes, “como seus antepassados judeus, ouviram a palavra de Deus nesses
hinos, queixas e instruções e fizeram deles o fundamento da vida e do culto”.3
Os salmos eram declarações de relacionamento entre
o povo e seu Senhor. Pressupunham a aliança entre ambos e as implicações de
provisão, proteção e preservação dessa aliança. Seus cânticos de adoração,
confissões de pecado, protestos de inocência, queixas de sofrimento, pedidos de
livramento, garantias de ser ouvido, petições antes das batalhas e ações de
graças depois delas são, todas expressões do relacionamento ímpar que tinham
com o único Deus verdadeiro. Temor e intimidade combinavam-se no entendimento
que os israelitas tinham desse relacionamento. Eles temiam o poder e a glória
de Deus, sua majestade e soberania. Ao mesmo tempo protestavam diante dele,
discutindo suas decisões e pedindo sua intervenção. Eles o reverenciavam como
Senhor e o reconheciam como Pai.4
Na igreja primitiva e
durante a reforma protestante, quando um pastor queria ensinar sua congregação
sobre a oração, pregava nos Salmos. Nos séculos IV e V, Atanásio de Alexandria
enfatizou que cada Salmo “está composto e é proferido pelo Espírito”, sendo o “um
espelho no qual se refletem as emoções” de nossa alma, onde “podemos captar os
movimentos da nossa alma e nos faz dizer como provenientes de nós mesmos, como
palavras nossas, para que, trazendo à memória nossas emoções passadas,
reformemos a nossa vida espiritual”.5 Ambrósio de Milão, que
introduziu o canto dos salmos no culto público no Ocidente, chamou-os de “um
tipo de ginásio para ser usado por todas as almas, um estádio da virtude, onde
diferentes exercícios são praticados, dentre os quais se podem escolher os mais
adequados treinamentos para se alcançar a coroa”.6 Agostinho de
Hipona, que pregou todo o livro dos Salmos para sua congregação, chamou-os de
“escola”, “espelho” e “remédio”, “cantados no mundo inteiro”.7 Quando
sua última doença o derrubou, ele pediu aos seus irmãos que fixassem nas
paredes de sua cela cópias em letras grandes dos salmos penitenciais (Salmos 6,
32, 38, 51, 102, 130 e 143), para que ele os lesse continuamente.
No século XVI, Martinho
Lutero afirmou que o livro dos Salmos “não coloca diante de nós somente a
palavra dos santos, (...) mas também nos desvenda o seu coração e o tesouro
íntimo de suas almas”, onde aprendemos a “falar com seriedade em meio a todos
os tipos de vendavais”, e que o saltério “faz promessa tão clara acerca da
morte e ressurreição de Cristo e prefigura o seu Reino, condição e essência de
toda a cristandade – e isso de tal modo que bem poderia ser chamado de uma
‘pequena Bíblia’”. Ele também afirmou: “É muito benéfico ter palavras
prescritas pelo Espírito Santo, que homens piedosos podem usar em suas
aflições”.8 Em seu leito de morte, ele recitava continuamente:
“Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade”
(Sl 31.5). Por seu lado, João Calvino, que comentou todo o livro de Salmos,
escreveu:
Tenho por costume denominar este livro – e creio não de forma incorreta – de ‘Uma anatomia de todas as partes da alma’, pois não há sequer uma emoção da qual alguém porventura tenha participado que não esteja aí representada como num espelho. Ou melhor, o Espírito Santo, aqui, extirpa da vida todas as tristezas, as dores, os temores, as dúvidas, as expectativas, as preocupações, as perplexidades, enfim, todas as emoções perturbadas com que a mente humana se agita. (...) A genuína e fervorosa oração provém, antes de tudo, de um real senso de nossa necessidade, e, em seguida, da fé nas promessas de Deus. É através de uma atenta leitura dessas composições inspiradas que os homens serão mais eficazmente despertados para a consciência de suas enfermidades, e, ao mesmo tempo, instruídos a buscar o antídoto para sua cura. Numa palavra, tudo quanto nos serve de encorajamento, ao nos pormos a buscar a Deus em oração, nos é ensinado neste livro.9
Tenho por costume denominar este livro – e creio não de forma incorreta – de ‘Uma anatomia de todas as partes da alma’, pois não há sequer uma emoção da qual alguém porventura tenha participado que não esteja aí representada como num espelho. Ou melhor, o Espírito Santo, aqui, extirpa da vida todas as tristezas, as dores, os temores, as dúvidas, as expectativas, as preocupações, as perplexidades, enfim, todas as emoções perturbadas com que a mente humana se agita. (...) A genuína e fervorosa oração provém, antes de tudo, de um real senso de nossa necessidade, e, em seguida, da fé nas promessas de Deus. É através de uma atenta leitura dessas composições inspiradas que os homens serão mais eficazmente despertados para a consciência de suas enfermidades, e, ao mesmo tempo, instruídos a buscar o antídoto para sua cura. Numa palavra, tudo quanto nos serve de encorajamento, ao nos pormos a buscar a Deus em oração, nos é ensinado neste livro.9
No século XVII, o
puritano Lewis Bayly, ao recomendar o cântico dos salmos pelas famílias
cristãs, afirma: “Cantem para Deus com as próprias palavras de Deus”. E o uso
do saltério deveria ter este alvo: “E faça uso frequente deles, para que as
pessoas possam memorizá-los mais facilmente”. Então, ele oferece a sugestão do
uso dos seguintes salmos para promover a piedade em família, nos momentos de
oração e devoção:
De manhã, os Salmos 3, 5, 16, 22 e 144. De noite, os Salmos 4, 127 e 141. Implorando misericórdia depois de ter cometido pecado, os Salmos 51 e 103. Na doença em períodos de dura provação, os Salmos 6, 13, 88, 90, 91, 137 e 146. Quando o crente for restaurado, os Salmos 30 e 32. No dia de santo repouso semanal, os Salmos 19, 92 e 95. Em tempos de alegria, os Salmos 80, 98, 107, 136 e 145. Antes do sermão, os Salmos 1, 12, 147 e a primeira e a quinta partes do Salmo 119. Depois do sermão, qualquer Salmo relacionado com o principal argumento do sermão. Na Ceia do Senhor, os Salmos 22, 23, 103, 111 e 116. Para inspirar consolo e tranquilidade espiritual, os Salmos 15, 19, 25, 46, 67, 112 e 116. Depois do mal praticado e da vergonha recebida, os Salmos 42, 69, 70, 140 e 145.10
De manhã, os Salmos 3, 5, 16, 22 e 144. De noite, os Salmos 4, 127 e 141. Implorando misericórdia depois de ter cometido pecado, os Salmos 51 e 103. Na doença em períodos de dura provação, os Salmos 6, 13, 88, 90, 91, 137 e 146. Quando o crente for restaurado, os Salmos 30 e 32. No dia de santo repouso semanal, os Salmos 19, 92 e 95. Em tempos de alegria, os Salmos 80, 98, 107, 136 e 145. Antes do sermão, os Salmos 1, 12, 147 e a primeira e a quinta partes do Salmo 119. Depois do sermão, qualquer Salmo relacionado com o principal argumento do sermão. Na Ceia do Senhor, os Salmos 22, 23, 103, 111 e 116. Para inspirar consolo e tranquilidade espiritual, os Salmos 15, 19, 25, 46, 67, 112 e 116. Depois do mal praticado e da vergonha recebida, os Salmos 42, 69, 70, 140 e 145.10
Desde o princípio, a
Palavra de Deus sempre vem em primeiro lugar. Nós somos chamados a responder a
Palavra de Deus, com todo nosso ser. E a oração é nossa resposta à revelação de
Deus nas Escrituras. Sendo assim, os Salmos são a escola onde os cristãos
aprendem a orar, pois como Peterson diz, “é esta fusão de Deus nos falar
(Bíblia) e nós falarmos a ele (oração) que o Espírito Santo usa para formar a
vida de Cristo em nós”.11 Ou, como Ambrósio escreveu, “a Ele
falamos, quando oramos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos”.12 E
Bonhoeffer completa: “Portanto, se a Bíblia também contém um livro de orações,
isso nos ensina que a Palavra de Deus não engloba apenas a palavra que Deus
dirige a nós. Inclui também a palavra que Deus quer ouvir de nós... (...) Que
graça imensurável: Deus nos diz como podemos falar e ter comunhão com Ele! E
nós podemos fazê-lo orando em nome de Jesus Cristo. Os Salmos nos foram dados
para aprendermos a orar em nome de Jesus Cristo”.13
Se insistirmos em
aprender a orar sozinhos, sem depender dos Salmos, nossas orações serão pobres,
uma repetição de frases prontas: agradecemos as refeições, arrependemo-nos de
alguns pecados, suplicamos bênçãos para nossas reuniões e até pedimos
orientação. Por outro lado, toda nossa vida deve estar envolvida na oração.
Peterson exemplifica esse fato com o livro do profeta Jonas, que gira
inteiramente em torno das relações entre Deus e o profeta.14 Essas
relações se originaram por meio do chamado profético, do qual Jonas procurou
fugir. Mas este personagem não é entregue a si mesmo. Na primeira parte da
historia, Deus deixa que o profeta chegue ao extremo de quase perder a própria
vida, somente para em seguida restaurá-lo à posição onde se encontrava antes
dele tentar evitar o chamado do Senhor.
No centro da narrativa
bíblica está a oração que Jonas proferiu após ser engolido por um grande peixe.
Sua primeira reação ao se encontrar no ventre do peixe foi fazer uma oração
(cf. Jonas 2.2-9), o que não é surpreendente, pois geralmente oramos quando
estamos em situações desesperadas. Mas existe algo surpreendente na oração de
Jonas. Como Peterson destaca, sua oração não é original ou espontânea: “Jonas
aprendeu a orar na escola, e orava como aprendera. Sua escola eram os Salmos”.
Como o mesmo autor demonstra, frase após frase a oração de Jonas está repleta
de citações dos Salmos:
“Minha angústia” de Salmos 18.6
e 120.1.
“Profundo” de Salmo 18.4-5.
“As tuas ondas e as tuas vagas
passaram por cima de mim” de Salmo 42.7.
“De diante dos teus olhos” de
Salmo 139.7.
“Teu santo templo” de Salmo
5.7.
“As águas me cercaram até à
alma” de Salmo 69.2.
“Da sepultura da minha vida” de
Salmo 30.3.
“Dentro de mim, desfalecia a
minha alma” de Salmo 142.3.
“No teu santo templo” de Salmo
18.6.
“Ao Senhor
pertence a salvação” de Salmo 3.8.
Cada palavra é derivada
do livro dos Salmos. Geralmente achamos que a oração é genuína quando é
espontânea, mas a oração de Jonas, numa condição extremamente difícil, é uma
oração aprendida, sem originalidade alguma.
Peterson
prossegue: “Ter palavras prontas para a oração não é apenas uma questão de
vocabulário. Nos últimos cem anos, teólogos deram atenção cuidadosa à forma
particular que os salmos têm (crítica da forma) e os dividiram em duas grandes
categorias: lamentações e ações de graças. As categorias correspondem às duas
grandes condições em que nós nos encontramos: angústia e bem-estar”. De acordo
com as circunstâncias e em como nos sentimos, lamentamos ou agradecemos.15 “Os
salmos refletem muitas e diversas reações à vida: alegria, tristeza, gratidão e
tranquila meditação, para nomear apenas algumas. O adorador israelita tinha uma
oração pronta para todas as vicissitudes da vida. (...) Os salmos são orações
cantadas para Deus, logo, eles chegam a nós como palavras da congregação
dirigidas a Deus, em vez de a Palavra de Deus dirigida ao povo de Israel”.16
Como Peterson enfatiza,
“a forma mais comum da oração nos Salmos é o lamento”. Isso não deveria nos
surpreender, já que essa é nossa condição mais comum. “Temos muitas
dificuldades, então oramos muito em forma de lamento. Um estudioso da escola de
oração dos Salmos conheceria essa forma melhor que todas, pelo simples fato da
repetição”. Jonas se encontrava na pior situação imaginável. Seria natural que
ele lamentasse. Mas ocorre o contrário – ele profere um salmo de louvor. Por
isso Peterson escreve: “Uma lição importante surge aqui: Jonas estudou para
aprender a orar, e aprendeu bem suas lições, mas ele não era um aluno que
apenas decorava. Seus estudos não bloquearam sua criatividade. Ele era capaz de
distinguir entre as formas e decidiu orar numa forma adequada às suas
circunstâncias que ele enfrentava. As circunstâncias exigiam lamentos. Mas a
oração, apesar de influenciada pelas circunstâncias, não é determinada por
elas. Jonas usou a criatividade para orar e decidiu orar na forma de louvor”.
Por isso, não é
suficiente expressar nossos sentimentos na oração, como resposta a Deus:
“Precisamos de um longo aprendizado de oração”. Por isso, a melhor escola para
a oração é o livro dos Salmos. “Em sua oração”, Peterson continua, “Jonas
demonstra ter sido um aluno aplicado na escola dos Salmos. Sua oração se
origina de sua situação, mas não se reduz a ela. Sua oração o levou a um mundo
muito maior que sua situação imediata”. Ele orou de maneira adequada à grandeza
de Deus, que o chamara, nos oferecendo um forte contraste com a atual prática
de oração. Nossa cultura nos apresenta formas de oração que são em grande parte
centradas em nós mesmos. Mas a oração que é resposta ao Deus que se revela nas
Escrituras é dominada pela percepção de Sua grandeza.
2. A regra da oração
Como Peterson enfatiza,
o modelo básico de devoção é a oração diária baseada nos Salmos,
sequencialmente, uma vez por mês.17 Mas precisamos destacar que
a oração diária dos salmos não é uma ação isolada. Ela permanece entre outros
dois fundamentos: a adoração junto com a igreja no domingo e a oração diária,
que são recordações às vezes intencionais, outras vezes espontâneas, em
resposta a Deus. Esses três fundamentos formam o ambiente de oração que
estimulará a devoção. No diagrama sugerido por Peterson, esses fundamentos
aparecem assim:
A adoração na
igreja firma nossa espiritualidade na Escritura e na vida em comunidade. Os
Salmos nos levam a reaprender a linguagem da oração. E a oração recordada
desdobra a oração para todos os pormenores da vida. O alvo é tornar a oração
recordada incessante por meio da adoração comunitária junto com a oração dos
salmos. Como Peterson escreve, “os Salmos, centrados entre Adoração e
Recordação, são o lugar determinado onde habitualmente revisamos a base, o
vocabulário e os ritmos da oração”. É esta dinâmica que desenvolverá nossa vida
de oração. Por isso, a regra (regula) da devoção é: “Adoração
Comunitária/Oração dos Salmos/Oração Recordada é a base de onde começamos e
para onde voltamos – sempre”.
3. Os cristãos e o uso
dos Salmos
Como aprendemos no Novo
Testamento, Jesus Cristo, ao mesmo tempo em que orou os Salmos (Hb 2.12) é o
principal tema dos Salmos. “O cristão encontra nos Salmos não somente os
santos, mas também a Jesus Cristo, ‘o cabeça dos santos’, com seu sofrimento e
sua ressurreição. Portanto, nos Salmos, como o Salmo 22 e 69, o próprio
crucificado fala”.18 Portanto, é justamente aqui que é
estabelecida nossa confiança de que seremos atendidos na oração: “Se
permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que
quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7). Pois como Bonhoeffer escreveu: “Ao
repetir as próprias palavras de Deus, começamos a orar a Ele. Não oramos com a
linguagem errada e confusa de nosso coração; mas pela palavra clara e pura que
Deus falou a nós por meio de Jesus Cristo, devemos falar com Deus, e Ele nos
ouvirá”.19 Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos que os
Salmos proclamam seu nascimento, vida, morte e ressurreição (Lc 24.44). Por
outro lado, uma vez que o Filho é “Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de
Deus verdadeiro”, os Salmos são dirigidos a ele, assim como ao Pai e ao
Espírito Santo (Jd 20-21). Portanto, Jesus Cristo é o alvo da oração dos
salmos. E ao orarmos em nome e por meio da mediação de Jesus Cristo, nos unimos
a ele, que vive sempre para interceder por nós (Hb 7.25).
Portanto, Jesus Cristo é
a chave que interpreta os Salmos e aquele que ora os Salmos deve buscar a
Cristo como revelado no saltério. Em vez de tratar as promessas, súplicas,
confissões e lamentos de forma analítica, na leitura dos Salmos aquele que ora
participa das promessas, súplicas, confissões e lamentos do próprio Cristo. O
foco de tal oração será, assim, alcançar uma maior comunhão com Jesus Cristo.
“Lutero não sabia nada de um conhecimento da Bíblia puramente objetivo,
desinteressado ou erudito. Tal conhecimento, mesmo se possível, seria apenas a
letra morta que mata. O Espírito vivifica! Devemos, portanto, ‘sentir’ as
palavras das Escrituras ‘no coração’. A experiência é necessária para entender
a Palavra. Não é meramente para ser repetida ou conhecida, mas para ser vivida
e sentida”.20Num sermão sobre a expressão “invoquei o Senhor” (Sl
118.5), Lutero disse para congregação:
Invocar é o que você precisa aprender. Você ouviu. Não fique aí apenas sentado ou virado de lado, levantando a cabeça e balançando-a, e roendo as suas unhas preocupado e buscando uma saída, com nada em sua mente a não ser como você se sente mal, como você está ferido, que coitado você é. Levante-se, seu tratante preguiçoso! Ajoelhe-se! Levante suas mãos e seus olhos para o céu! Use um salmo ou o pai-nosso a fim de clamar sua angústia ao Senhor.21
Invocar é o que você precisa aprender. Você ouviu. Não fique aí apenas sentado ou virado de lado, levantando a cabeça e balançando-a, e roendo as suas unhas preocupado e buscando uma saída, com nada em sua mente a não ser como você se sente mal, como você está ferido, que coitado você é. Levante-se, seu tratante preguiçoso! Ajoelhe-se! Levante suas mãos e seus olhos para o céu! Use um salmo ou o pai-nosso a fim de clamar sua angústia ao Senhor.21
As Escrituras, dessa forma, não são apenas a perfeita revelação de Deus, mas guia do cristão em suas lutas e vitórias – não apenas atos históricos passados e distantes, mas eventos vivos, aqui e agora. Deste modo, há outro fator que deve levar os cristãos a meditar e incluir os Salmos em sua oração:
O abismo que há entre o cristianismo moderno e a
espiritualidade da Bíblia pode ser visto (...) no nosso seletivo uso dos
Salmos, que era o hinário do povo de Israel e da Igreja do Novo Testamento. Os
Salmos não apenas refletem toda experiência humana (p. ex.: confusão, raiva,
medo, ansiedade, depressão, alegria incontida), mas também nos forçam a parar
de fingir que tudo esteja bem com o mundo. Os salmos de lamentação (por
exemplo, os salmos 10, 13, 35 e 86) são veementes queixas diante de Deus em
relação às contradições existentes entre suas promessas e a realidade pela qual
o povo passa. Esses salmos raramente são usados no culto cristão hoje em dia.
Contudo, esses salmos são atos de uma fé corajosa: corajosa, porque eles
insistem em que temos que enfrentar o mundo como ele é, e que temos que
abandonar toda ostentação infantil; mas também de fé, porque eles partem da
convicção de que não existe assunto proibido, quando se trata de termos uma
conversa com Deus. Reter daquela conversa com Deus qualquer coisa da
experiência humana, inclusive a escuridão de uma oração não respondida e os
aspectos negativos da vida, é negar a soberania de Deus sobre toda a vida.
Assim, paradoxalmente, são aqueles que reprimem suas dúvidas com uma série de
cânticos alegres que bem podem estar sendo incrédulos: pela recusa de crer que
Deus pode cuidar de toda a raiva que eles têm. Assim, os salmos de protesto
constituem uma poderosa repreensão ao que passa por fé e louvor na maioria dos
grupos cristãos de hoje. O que é irônico é que a vida moderna talvez nos
exponha a mais confusão e dor do que qualquer coisa do mundo do salmista; e
contudo ignoramos exatamente aquelas orações que vêm de encontro a tal senso de
desorientação. Não é de admirar que muito do ensino atual quanto à fé não seja
diferente do ‘pensamento positivo’ dos gurus modernos da administração,
conquanto vestido com uma roupagem pseudobíblica. A fé bíblica, entretanto, é
exatamente o contrário.22 Portanto, “os salmos
continuam sendo um tesouro de auxílio espiritual para os cristãos. (...) Seja
qual for o nosso estado de espírito, seja qual for nossa situação, as vozes
antigas nos convidam a ouvi-las. Elas também já passaram por alegria, tristeza,
luto, pecado, ira, confissão, perdão e outras experiências que tocam tão
profundamente em nossas vidas. Elas nos chamam a aprender delas enquanto o Espírito
Santo usa essas palavras para nos trazer para mais perto do Senhor”.23
4. Colocando em prática
Podemos nos beneficiar
do que Dietrich Bonhoeffer escreveu sobre o uso dos Salmos: “Em muitas igrejas,
cantam-se ou leem-se Salmos a cada domingo ou até diariamente. Essas igrejas
preservaram uma riqueza imensurável, pois somente pelo uso diário penetraremos
nesse livro divino de oração. Para o leitor ocasional, suas orações são
pujantes demais em seus pensamentos e sua força, de modo que voltamos a
procurar alimento mais digerível. Quem, no entanto, começou a orar o Saltério
com seriedade e regularidade, logo dispensará as próprias orações superficiais
e piedosas dizendo: ‘Elas não têm o sabor, a força, a paixão e o fogo que
encontro no Saltério. São muito frias e rígidas’ (Lutero)”.24 Portanto,
devemos incluir os Salmos em nossas orações diárias, permitindo que a Palavra
de Deus estimule e guie nossas petições. E como uma ajuda para orar os Salmos
diariamente em nossa meditação ou oração diária, oferecemos o roteiro abaixo:25
Pode ser de ajuda citar
extratos de um ensaio sobre meditações diárias escritas por Eberhard Bethge em
1935, sob a supervisão de Bonhoeffer, para uso no seminário de pregadores (Predigerseminar)
de Finkenwalde. Este oferece sugestões práticas que se aplicam ao uso dos
Salmos em nossa oração e meditação diária:
Nós recomendamos a meditação bíblica para moldar nossas orações e, ao mesmo tempo, para disciplinar nossos pensamentos. Finalmente, nós preferimos a meditação bíblica porque nos faz conscientes de nosso companheirismo com outros [irmãos] que estão meditando no mesmo texto. A Palavra da Escritura nunca deve parar de soar em nossos ouvidos, e [deve continuamente] trabalhar em nós ao longo do dia, como as palavras de alguém que você ama. E assim como você não analisa as palavras de alguém que você ama, mas aceita o que ele lhe diz, aceite a Palavra da Escritura e medita nela em seu coração, como Maria o fez. Isto é tudo. Isto é meditação. Não olhe para novas reflexões e conexões no texto, como se você estivesse preparando uma pregação. Não questione ‘como passar isto para alguém?’, mas ‘o que ele tem a dizer para mim?’ Pondere na Palavra longamente em seu coração e deixe que ela te dirija e te possua. Não é importante consumir o texto integral proposto para cada dia. Nós ficaremos, frequentemente, esperando um dia inteiro para ouvir o que ele tem a dizer. Deixe passagens incompreensíveis sossegadamente de lado, e não se apresse a ir à filologia. (…)
Nós recomendamos a meditação bíblica para moldar nossas orações e, ao mesmo tempo, para disciplinar nossos pensamentos. Finalmente, nós preferimos a meditação bíblica porque nos faz conscientes de nosso companheirismo com outros [irmãos] que estão meditando no mesmo texto. A Palavra da Escritura nunca deve parar de soar em nossos ouvidos, e [deve continuamente] trabalhar em nós ao longo do dia, como as palavras de alguém que você ama. E assim como você não analisa as palavras de alguém que você ama, mas aceita o que ele lhe diz, aceite a Palavra da Escritura e medita nela em seu coração, como Maria o fez. Isto é tudo. Isto é meditação. Não olhe para novas reflexões e conexões no texto, como se você estivesse preparando uma pregação. Não questione ‘como passar isto para alguém?’, mas ‘o que ele tem a dizer para mim?’ Pondere na Palavra longamente em seu coração e deixe que ela te dirija e te possua. Não é importante consumir o texto integral proposto para cada dia. Nós ficaremos, frequentemente, esperando um dia inteiro para ouvir o que ele tem a dizer. Deixe passagens incompreensíveis sossegadamente de lado, e não se apresse a ir à filologia. (…)
Se os seus pensamentos o
distraírem ore pelas pessoas e situações que lhe preocupam. Este é o lugar
certo para intercessão. Neste caso, não ore em termos gerais, mas ore de forma
objetiva por aquilo que lhe preocupa. Deixe a Palavra da Escritura o conduzir.
Pode ser de ajuda você escrever calmamente o nome das pessoas com quem
conversamos e pensamos todos os dias. A intercessão precisa de tempo se for
levada a sério. Mas cuidado ao fixar um tempo designado para intercessão, para
que esta não se torne uma fuga daquilo que é mais importante, a busca pela
salvação de sua própria alma.
Iniciamos a meditação
com uma oração pelo Espírito Santo. Que ele clareie o nosso coração e prepare a
nossa mente para a meditação e de todos aqueles que estarão meditando também.
Então, nos voltamos ao texto. Ao término da meditação nós estaremos em posição
de proferir uma oração de ação de graças com um coração satisfeito. (…)
O tempo para a meditação
é de manhã, antes de começar as tarefas. Meia hora é o mínimo de tempo necessário
para a meditação. Observe que o pré-requisito é quietude extrema e o objetivo é
não ser distraído por nada, por mais importante que seja.
Uma atividade da comunidade cristã, infelizmente
praticada muito raramente, mas bastante útil, é quando ocasionalmente duas ou
mais pessoas se dispõe a meditar juntas. Mas que não tomem parte em discussões
teológicas especulativas.26
Bethge anexou esse texto
a uma carta circular enviada de Finkenwalde para os pastores da Igreja
Confessante (Bekennende Kirche), em 22 de maio de 1936. O ensaio foi
rapidamente compartilhado entre os colegas pastores presos pelo governo
nazista. Bethge contou depois em como a exigência de Bonhoeffer de que os
alunos do seminário de pregadores de Zingst deveriam dedicar meia hora a cada manhã
para meditação silenciosa de um texto bíblico lhes causou grandes dificuldades.
Eles não sabiam como usar este tempo. Alguns iam dormir, outros preparavam
sermões, outros nem sabiam o que fazer ou reclamavam que o tempo dedicado à
meditação era excessivamente longo. Estas instruções tencionavam tornar claro
aos seminaristas a importância da meditação e a maneira pela qual esta deveria
ser feita.27
Sandro Baggio,
pastor-mentor do Projeto 242, preparou um roteiro para ajudar sua comunidade a
praticar a leitura orante (lectio divina).28 Sugerimos
que esse roteiro deve ser usado durante a meditação nos Salmos, na medida em
que estas orações inspiradas pelo Espírito Santo são incorporadas às orações do
povo de Deus:
Lectio divina é um método de leitura-orante da Bíblia. É ler a Bíblia não tanto para acumular conhecimento, mas como uma forma de diálogo com Deus. Basicamente, a lectiodivina consiste statio (preparação), lectio (leitura), meditatio (meditação), oratio (oração), contemplatio(contemplação), discretio (discernimento), comunicatio (counicação) e actio (ação). É preciso prática para penetrar na riqueza que a lectio divina pode trazer para sua vida espiritual. ‘Medita estas coisas e nelas sê diligente’ [1Tm 4.15]. A prática da lectio divina requer que você separe um tempo para estar a sós, num local tranquilo, sem distrações. Selecione o texto que deseja ler (de preferência, não muito longo).
Lectio divina é um método de leitura-orante da Bíblia. É ler a Bíblia não tanto para acumular conhecimento, mas como uma forma de diálogo com Deus. Basicamente, a lectiodivina consiste statio (preparação), lectio (leitura), meditatio (meditação), oratio (oração), contemplatio(contemplação), discretio (discernimento), comunicatio (counicação) e actio (ação). É preciso prática para penetrar na riqueza que a lectio divina pode trazer para sua vida espiritual. ‘Medita estas coisas e nelas sê diligente’ [1Tm 4.15]. A prática da lectio divina requer que você separe um tempo para estar a sós, num local tranquilo, sem distrações. Selecione o texto que deseja ler (de preferência, não muito longo).
Os elementos centrais da lectio divina são:
Ler: Atentamente, com prazer
e com fome, saboreando as palavras como alimento espiritual. Leia o texto
várias vezes, dando especial atenção aos versos ou palavras que lhe chamam
atenção. Escute o que o texto fala com você.
Pensar: O que esse texto
significa para você? Que versos ou palavras falam mais à sua situação hoje?
Como você tem vivido em relação a ele?
Orar: Orar é responder ao
chamado no profundo de seu coração para falar com Deus. Além de suas palavras,
essa resposta pode ser também escrita em um diário espiritual, com gestos
(ajoelhar-se) e cânticos.
Viver: Você
pode ler, pensar e orar o dia todo, mas a menos que você pratique a Palavra de
Deus, não terá valido nada. É preciso colocar em prática o que Deus falou com
você durante esse tempo de leitura e reflexão. Sua vida será o maior testemunho
que você poderá dar.
Nos dois textos citados
acima é sugerida a meditação a sós. Mas queremos enfaticamente recomendar que o
tempo de oração ao Deus Trino seja feita em comunidade – quando dois ou mais
irmãos se reúnem para juntos buscar a Cristo em oração por meio da leitura dos
Salmos. Pois não é natural que o cristão esteja só – a igreja, o ajuntamento
dos fieis, é o corpo de Cristo, o templo de Deus, o santuário e habitação do
Espírito Santo (1Co 3.16-17; 6.19; 10.16; 12.27; Ef 4.12) – e é em comunidade
que o cristão irá não só aprender a orar, mas permanecerá em oração:
“Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar” (1Ts 5.16-17). 29
Prossigamos com
Bonhoffer: “Se em nossas igrejas já não oramos os Salmos, então devemos
incluí-los com mais afinco em nossas meditações matutinas e vespertinas.
Devemos ler vários Salmos diariamente e, de preferência, em conjunto, a fim de
lermos este livro diversas vezes ao ano, penetrando nele com mais profundidade.
Não deveríamos selecionar arbitrariamente alguns Salmos. Ao fazer isto, estamos
desonrando o livro de orações da Bíblia, julgando saber melhor do que o próprio
Deus o que devemos orar. Na igreja antiga não era incomum saber ‘o Davi todo’
de cor. Nas igrejas orientais isto era condição para o exercício eclesiástico.
Jerônimo, um dos pais da igreja, conta que na sua época ouvia-se o cântico de
Salmos nas lavouras e nos quintais. O Saltério marcava a vida da jovem
cristandade. Mais importante do que isto, no entanto, é que Jesus Cristo morreu
na cruz com a palavra dos Salmos em seus lábios. Ao esquecer-se do Saltério, a
cristandade perde um tesouro inigualável. Ao recuperá-lo, será presenteada com
forças jamais imaginadas”.30 Portanto, voltemos à beleza,
riqueza, profundidade e amplitude dos Salmos como nosso guia da oração.
Conclusão
Durante sua longa
trajetória, a igreja usou os Salmos para guiar a oração e a devoção. Então, por
que tantas pessoas não se dedicam à oração? Porque, como nota Peterson, o poço
é fundo e não temos nada para pegar a água. “Precisamos de um vaso para colocar
a água. (…) Os salmos são esse vaso. Não são a oração em si, mas o vaso mais
adequado (…) para a oração que já foi criado. Recusar-se a usar esse vaso de
Salmos, depois de compreender sua função, é errar de propósito. Não é possível
fazer um vaso de outro formato que o substitua”. Certamente já houve várias
tentativas para substituir os Salmos como nosso guia da oração. Mas por que nos
contentarmos com tão pouco, quando temos esse vaso maravilhoso à nossa
disposição? Deste modo, que usemos os Salmos como o livro de orações da
aliança. As palavras de Martinho Lutero são apropriadas como conclusão: “O
nosso amado Senhor, que nos ensinou a orar o Saltério e o Pai Nosso e
presenteou-nos com eles, conceda-nos, também, o Espírito da oração e da graça,
para que oremos sem cessar, com disposição e seriedade de fé. Nós precisamos
disso. Ele o ordenou e, portanto, o requer de nós. A ele sejam dados louvor,
honra e gratidão. Amém”.
____________
1William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 2009), p. 465.
2Para um resumo desse processo, cf. Eugene Peterson, em Um pastor segundo o coração de Deus (Rio de Janeiro: Textus, 2001), p. 21-40.
3William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 484. Para uma introdução ao estudo dos Salmos, cf. Carl J. Bosma, “Discernindo as vozes nos Salmos: uma discussão de dois problemas na interpretação do Saltério”, Fides Reformata IX, Nº 2 (2004), p. 75-118 e N. H. Ridderbos and P. C. Craigie, “Psalms”, em G. W. Bromiley (ed.), The International Standard Bible Encyclopedia, v. 3 (Grand Rapids, MI: Eerdman, 1986), p. 1030-1038.
4William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 483.
5Cf. Carta a Marcelino sobre a Interpretação dos Salmos.
6cf. Ambrose, Explanatio Psalmorum XII.
7cf. Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 3 v. (São Paulo: Paulus, 1997).
8cf. “Prefácio ao Livro dos Salmos 1545”, “Sumários sobre os Salmos e razões da tradução”, “Trabalhos do Frei Martinho Lutero nos Salmos apresentados aos estudantes de teologia de Wittenberg” e “Os sete Salmos de Penitência”, Martinho Lutero – Obras selecionadas, v. 8: interpretação bíblica, princípios (São Leopoldo: Sinodal & Porto Alegre: Concórdia, 2003), p. 33-37, 224-233, 331-492, 493-548.
9João Calvino, O livro dos Salmos, v. 1 (São José dos Campos: Fiel, 2009), p. 26-27.
10Lewis Bayly, A prática da piedade (São Paulo: PES, 2010), p. 225-226.
11Eugene Peterson, Uma longa obediência na mesma direção (São Paulo: Cultura Cristã, 2005), p. 150.
12Ambrósio, De officiis ministrorum I, 20, 88: PL 16, 50, em Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina.
13Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos (Curitiba: Encontrão, 1995), p. 14-15.
14Para toda essa seção, cf. Eugene Peterson, A vocação espiritual do pastor (São Paulo: Mundo Cristão, 2006), p. 75-110.
15Para mais informações sobre o método de estudos bíblicos conhecido como crítica da forma (Formgeschichte), e em como ela foi aplicada aos estudos dos salmos, cf. William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 467-478 e Derek Kidner, Salmos: introdução e comentário, v. 1 (São Paulo: Vida Nova, 1992), p. 18-29.
16Raymond B. Dillard & Tremper Longman III, Introdução ao Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 2005), p. 207, 217.
17Para esta seção e o gráfico empregado, cf. Eugene Peterson, A vocação espiritual do pastor, p. 96-109.
18Paul Althaus, A teologia de Martinho Lutero (Canoas: Ulbra, 2008), p. 116.
19Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos, p. 12.
20Timothy George, Teologia dos reformadores (São Paulo: Vida Nova, 1993), p. 86.
21WA 31, p. 1, em Timothy George, Teologia dos reformadores, p. 87.
22Vinoth Ramachandra, A falência dos deuses: a idolatria moderna e a missão cristã (São Paulo: ABU, 2000), p. 60-61.
23Bill Arnold e Bryan E. Beyer, Descobrindo o Antigo Testamento: uma perspectiva cristã (São Paulo: Cultura Cristã, 2001), p. 312.
24Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos, p. 23.
25“Salmos litúrgicos”, em Livro de Oração Comum: forma abreviada e atualizada com Salmos litúrgicos(Porto Alegre: Igreja Episcopal do Brasil, 1999), p. 215-406.
26“Instructions in Daily Meditation”, em Dietrich Bonhoeffer, Meditating on the Word (Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2000), p. 21-32.
27cf. Eberhard Bethge, Dietrich Bonhoeffer: a biography (Minneapolis: Augsburg Fortress, 2000), p. 462-465.
28cf. Eugene Peterson, Maravilhosa Bíblia (São Paulo: Mundo Cristão, 2008), p. 17-27, 97-133.
29Para um desenvolvimento da importância da comunidade cristã, cf. especialmente Dietrich Bonhoeffer,Vida em comunhão (São Leopoldo: Sinodal, 1997).
30Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos, p. 23-24.
FONTE: Teologia Brasileira
** FRANKLIN FERREIRA



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